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Concorrência por vaga no Sisu cai em 2016

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Na edição deste ano, foram 23,1 candidatos por vaga, contra uma disputa de 26,4 concorrentes por vaga no ano passado

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Publicado em Veja

A concorrência no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) registrou queda em 2016. Enquanto em 2015 foram 26,4 candidatos para cada vaga, a edição deste ano teve 23,1 estudantes por vaga.

De acordo com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, em entrevista concedida na terça-feira (19), houve um crescimento de 10% no número de vagas em relação a 2015, e a tendência é a concorrência diminuir ao passar dos anos. No ano passado, o Sisu oferecia 205.514 vagas, número que chegou a 228.071 em 2016.]

De acordo com o ministério, outra questão que também pode ter contribuído para o número baixo de concorrentes é a ausência de treineiros na seleção de 2016, já que suas notas serão divulgadas em outro momento.

Cursos – O curso de medicina mais uma vez teve a maior concorrência, 52 candidatos por vaga, seguido por psicologia, com 49,4, e por educação física, com 42,4. Nesta edição, as mulheres formam a maior parte dos inscritos, 57,1%.

A Universidade Federal do Maranhão teve a maior concorrência entre todas as participantes do programa. Foram 56,3 candidatos por vaga. Em seguida, veio o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, com 42,8 concorrentes por vaga.

Em termos de inscrições, a Universidade Federal de Minas Gerais foi a primeira, com 195.634 candidatos. Em seguida, vem a Universidade Federal do Ceará, com 160.474.

Candidatos de até 22 anos de idade são 71,8% dos concorrentes às vagas. “O Sisu tem dado mais espaço para os concluintes do ensino médio”, disse o ministro. Os maiores de 45 anos chegam a 1,9% dos concorrentes.

Ao todo, 2.712.937 candidatos se inscreveram para 228.071 vagas em 131 instituições públicas de ensino superior. Os selecionados deverão fazer a matrícula nos dias 22, 25 e 26 de janeiro. “Não tem reserva de vaga. Quem não apresentar a documentação nesse prazo perde a vaga”, alertou Mercadante.

(Com Agência Brasil)

No G20, Dilma destaca educação mas se atrapalha em números

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Presidente citou dados que não estão reunidos de forma oficial no MEC e no INEP

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Publicado em O Globo

Nos discursos feitos na cúpula do G20, realizada na Turquia no último fim de semana, a presidente Dilma Rousseff destacou que a educação é uma das áreas fundamentais para o crescimento sustentável do país. Apesar disso, se atrapalhou ao citar alguns números, segundo a startup de verificação de dados Lupa, que fez a checagem das informações divulgadas pela presidente em seu discurso e no Twitter.

Neste domingo, a presidente disse que, em 2015, criou “mais de um milhão de vagas no ensino técnico” brasileiro. Mas não há documentos oficiais e públicos que confirmem este número, de acordo com a agência. A última edição da Sinopse Estatística da Educação Básica, levantamento que quantifica o número de vagas criadas neste segmento num determinado ano, se refere a 2014. Não há dados mais recentes. No mesmo discurso, Dilma afirmou que, em 2015, criou “906 mil vagas no ensino superior”. Também não há nenhum documento oficial no Ministério da Educação (MEC) que reúna esta informação. Na Sinopse Estatística do Ensino Superior, os números mais atualizados são de 2013. Por meio de sua assessoria de imprensa, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) explicou que o total de vagas citado por Dilma é fruto da soma de vagas abertas em programas como o Fies, o ProUni e o Sisu em 2015. O instituto afirma ainda que estes dados foram divulgados separadamente através de notas de imprensa, mas que não está computado em um único documento oficial.

Ainda sobre educação, a presidente Dilma afirmou na Turquia que o país vai “investir forte no treinamento” de jovens para reduzir o desemprego nesta faixa etária. Um dos mecanismos para isto é o principal projeto do governo federal para o ensino técnico, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Em 18 de junho do ano passado, ao anunciar a segunda etapa do programa, a presidente Dilma Rousseff disse que seriam ofertadas 12 milhões de vagas até 2018.

“Eu gostaria de dizer que nós defendemos uma segunda etapa do Pronatec que oferecerá 12 milhões de vagas em 220 cursos técnicos”.

Mas no Plano Plurianual (2016-2019) apresentado pelo Ministério do Planejamento no dia 31 de agosto deste ano o número de vagas oferecidas foi reduzido para 5 milhões.

O MEC informou à Lupa que, neste ano, o Pronatec estima abrir 1,3 milhão de vagas, quase dois terços do que foi oferecido em 2014. O próprio ministério não sabe precisar, no entanto, o número de matrículas realmente realizadas até agora.

A checagem das informações divulgadas pela presidente em seu discurso e no Twitter foi feita através de uma parceria da Lupa com O GLOBO. A iniciativa fez parte da Segunda Maratona Internacional de Fact-Checking do G20, que reuniu 14 plataformas jornalísticas especializadas nessa tarefa, entre elas Washington Post Factchecker (EUA), Pagella Politica (Itália), Africa Check (Nigéria) e Full Fact (Reino Unido).

Sem vaga em escola para as filhas, mãe gasta metade do salário com babá

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Publicado em Folha de S.Paulo

Com os R$ 955 de seu salário, Jocasta Batista, 27, não faz planos. Há três meses, voltou para a casa da mãe e se livrou do aluguel de R$ 450. Dos R$ 400 destinados à vizinha para tomar conta das gêmeas de 2 anos, no entanto, ela não se livra.

O motivo é um só: no Jardim Ângela, onde mora, na zona sul, as creches têm vagas de menos para crianças de mais.

A pouco menos de 3 km da casa de fundos onde Jocasta vive com a mãe, as filhas, a irmã e o sobrinho, a angústia se replica.

Ali, no Capão Redondo, o único plano que Ana Cristina de Souza, 36, faz é como ganhar mais e pagar menos que R$ 450 para que três de seus quatro filhos sejam olhados também por uma vizinha.

Outros 18 km zona sul adentro, no Jardim Miriam, Samara Ádamo Pereira, 22, tenta dar um jeito no nó em que se transformou a vida. De favor, desde que se separou, vai vivendo na casa de uma amiga.

Recém-empregada em uma empresa de telemarketing, trabalha de domingo a domingo com uma folga por semana, em dias alternados. Dos R$ 800 reais que recebe, R$ 300 vão também para uma vizinha tomar conta de seus dois meninos, de 4 e 2 anos.

Jocasta, auxiliar de nutrição. Ana Cristina, auxiliar de limpeza. Samara, atendente em um call center. Em comum, as três -que não se conhecem-têm o fato de viverem em alguns dos bairros de São Paulo com o maior deficit de vagas nas creches.

Jardim Ângela, Capão Redondo e Grajaú lideram essa lista, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação.

A espera das três mães parece que ainda será longa. Como a Folha mostrou nesta quarta-feira (20), a gestão Fernando Haddad (PT) admite que não conseguirá cumprir a meta de construção de 243 creches na cidade até 2016, no final do mandato.

A promessa consta do plano de metas da administração petista. A Secretaria da Educação, no entanto, afirma que só conseguirá fazer cem unidades, além das 47 que já foram entregues ou estão em fase de conclusão.

Enquanto espera pelas vagas, Jocasta vê as gêmeas Heloysa e Sophya ficarem atrasadas. “Elas não falam mais do que mamãe, vovó e papai. Estão sempre agitadas e nervosas. É falta de contato com outras crianças”, afirma ela, com a certeza inabalável que só as mães podem ter.

Avó das meninas, a diarista Zilda Batista, 55, se ressente de elas não terem um lugar adequado para passar o dia. “Na creche, as ‘bichinhas’ poderiam correr, fazer amigos. Em casa, não tem como.”

FILA

Em 2014, 187 mil crianças estavam na mesma situação das gêmeas na cidade: à espera de uma vaga no serviço. Até março deste ano, 106 mil.

Apesar de a fila ter ‘encurtado’, a situação para o poder público municipal não é nada confortável. Assim como Samara, a Prefeitura de São Paulo tem um prazo.

Por decisão do Tribunal de Justiça, até o final do próximo ano, a prefeitura precisa resolver esse problema.

A medida foi tomada em ação civil pública movida pelas ONGs Ação Educativa e Nossa São Paulo, com apoio da Defensoria Pública e do Ministério Público Estadual.

Na mesma decisão, o TJ ordenou que a administração tem de apresentar, semestralmente, relatório de providências para o atendimento da ordem, que é monitorada pela Coordenadoria da Infância e da Juventude do tribunal.

A pasta afirma que a gestão trabalha para aumentar os convênios com entidades idôneas, além de ampliar os convênios já existentes.

Caso a prefeitura não cumpra a decisão da Justiça, Samara não acredita que algum gestor será punido. Sobre as vagas de seus filhos, ela parece acreditar ainda menos.

Total de matrículas cresce, mas taxa de formados cai em universidades federais

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Antônio Gois, em O Globo

A crise enfrentada pelas universidades federais por causa do atraso de repasses no início deste ano contrasta com os investimentos feitos na última década para ampliar o número de alunos e melhorar a eficiência dessas instituições. O programa mais ambicioso nos últimos anos nesse sentido foi o ReUni, lançado em 2007 pelo Ministério da Educação (MEC). Ele prometia recursos de mais de R$ 2 bilhões na época para “dotar as universidades federais das condições necessárias para ampliação do acesso e permanência na educação superior”. Em troca, o MEC exigia das instituições que assumissem (quase todas as de grande porte o fizeram) duas contrapartidas principais: aumento da relação de alunos por professor para 18 e ampliação da taxa de conclusão dos cursos para até 90%.

Dados do Censo da Educação Superior tabulados pelo GLOBO mostram que, considerando o total de universidades federais do país, houve aumento significativo, da ordem de 49% entre 2008 e 2013, no número de alunos matriculados em cursos de graduação presenciais. Esse aumento, porém, não veio acompanhado da melhoria das taxas de eficiência nas duas principais contrapartidas. Pelo contrário, o número de estudantes por professor ficou estável, e a taxa de conclusão chegou a registrar queda, de 73% para 66%, no mesmo período.

Ao regulamentar a lei do ReUni, o MEC estabeleceu critérios para calcular essas taxas. No caso da conclusão, ela é obtida comparando o número de vagas oferecidas em cursos presenciais cinco anos antes com o total de universitários que concluíram o curso cinco anos depois. Em 2003, por exemplo, as universidades federais ofereceram 109 mil vagas. Cinco anos depois, o número de formados foi de 80 mil, o que significa uma taxa de 73% para o ano de 2008. Em 2013, utilizando os mesmos critérios, o percentual cai para 66%.

Como nem todos os alunos que ingressam cinco anos antes se formam cinco anos depois, a taxa de conclusão é apenas uma estimativa do que aconteceu no percurso acadêmico desses universitários. Se um estudante demora mais tempo para concluir um curso, troca de instituição ou tranca a matrícula temporariamente, ele não pode ser considerado um aluno evadido. Porém, a maior parte da discrepância entre o número de ingressantes e o de concluintes é mesmo explicada pelo abandono.

Quando sinalizava a taxa de 90% de conclusão, o objetivo do MEC, conforme descrito nas diretrizes do ReUni, era induzir a “uma administração eficiente das vagas ociosas, facilitada pela flexibilidade curricular e um favorecimento da mobilidade estudantil entre cursos e instituições diferentes, com aproveitamento de créditos”. Se essa taxa fosse alcançada pelo conjunto de universidades federais, o número de formados em 2013 seria de 136 mil, em vez dos 99 mil registrados no censo.

ALUNOS POR PROFESSOR

A forma de cálculo da relação de alunos por professor era mais complexa. As contas feitas pelo GLOBO no Censo da Educação Superior consideram apenas a simples divisão do total de matriculados em cursos de graduação pelo número de professores em exercício. Por esses cálculos, a taxa ficou praticamente estável entre 2008 e 2013, oscilando de 11,2 para 11,6. O Ministério da Educação, no entanto, trabalhou com um cálculo mais complexo, que considerava características de cada curso e o percentual de professores com dedicação exclusiva e a qualidade do trabalho na pós-graduação.

O argumento para utilizar este cálculo é o de que um professor que tem obrigação de fazer pesquisa, extensão ou outras atividades fora de sala de aula não pode ter o mesmo peso na conta do que um docente que trabalhava apenas na graduação.

Ao refazer a conta de acordo com os novos critérios para o ano de 2007, o MEC concluiu que a taxa, naquele ano, já chegava aos 18 propostos como contrapartida. Ou seja, ainda que a intenção do programa fosse aumentar a eficiência no uso dos recursos humanos, a meta já nascia alcançada, por causa da forma de cálculo. Em 2011, ao refazer o cálculo, a meta estava no mesmo patamar.

Na avaliação de Gustavo Balduíno, secretário-executivo da Andifes (associação que representa os reitores das universidades federais), as instituições de ensino cumpriram com todas as metas de crescimento no programa. Ele afirma que os termos do ReUni foram sendo repactuados ao longo do processo, sempre em busca da criação de mais cursos, vagas e contratação de professores para atender à demanda. O dirigente diz ainda que o programa acabou tendo impacto positivo também na pós-graduação, setor que não foi considerado inicialmente no cálculo das metas de contrapartida.

Sobre a relação de alunos por professor, Balduíno afirma que, nas conversas das universidades com o Ministério da Educação, chegou-se à conclusão que a relação de 18 para um não poderia ser reproduzida em todos os cursos.

— Em medicina e engenharia, por exemplo, essa relação não é atingida em lugar nenhum do mundo — afirma Balduíno.

Quanto à taxa de conclusão, o secretário-executivo da Andifes admite que é preciso melhorar, mas pondera que alguns fatores dificultaram o alcance do patamar de 90%. Segundo ele, ao democratizar mais o acesso ao ensino superior expandindo vagas, as universidades passaram a atender mais alunos com necessidade de reforço acadêmico. Ele também afirma que o programa pedia prioridade para cursos noturnos e de formação de professor, onde as taxas de evasão são maiores.

MEC DIZ QUE PROCESSO É MAIS AMPLO

Por fim, Balduíno destaca ainda que, com a criação do Sisu em 2009 (novo sistema de ingresso nas federais pelo Enem), houve aumento na mobilidade estudantil, e um número maior de estudantes ingressou em cursos em cidades que não eram sua primeira escolha. Alguns deles voltaram a tentar vagas pelo Sisu, e foram admitidos em outras instituições, abandonando o curso inicial:

— Todas essas são explicações, mas que não podem nos levar ao acomodamento. São desafios que devemos enfrentar. Estamos sempre em busca de soluções concretas para esse problema, e algumas universidades já têm ações exitosas. A taxa de 90% foi calculada sem estudo mais aprofundado, mas, independentemente do que seria uma meta factível, temos que melhorar muito.

Procurado pelo GLOBO, o Ministério da Educação respondeu por meio de uma nota, dizendo que “as metas estabelecidas devem ser observadas no contexto do programa de expansão ao longo da implantação dos cursos, campi e universidades, bem como considerar um ciclo de ao menos três turmas concluídas para uma avaliação adequada.”

Segundo a nota, “é necessário observar que, associado ao ReUni, iniciaram-se outros programas que resultaram no aumento de vagas na graduação presencial nas universidades federais, como Mais Médicos, Procampo, Educação Bilíngue e, ainda, novos campus e universidades. Com isso, as metas do Programa ReUni não devem ser analisadas isoladamente, pois se integram a um processo mais amplo de expansão. Uma análise isolada pode levar a conclusões equivocadas sobre o cumprimento desta meta.”

O MEC argumenta ainda que a partir de 2012, além do ReUni, foram criados novos campus e cursos com previsão de 200 mil novas matrículas, que se encontram em fase de implantação e consolidação.

Presos do Paraná conseguem 55 vagas em universidades

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Publicado no Bonde

Os projetos educacionais da Justiça e do Executivo do Paraná resultaram na aprovação de 55 presos, entre homens e mulheres, em seleções para ingresso em 20 instituições de ensino superior do estado. Os aprovados se destacaram no grupo de 38,1 mil pessoas que prestaram o Exame Nacional do Ensino Médio específico para Pessoas Privadas de Liberdade (ENEM-PPL) e o vestibular no final do ano passado em todo o Brasil, entre presos e adolescentes que cumprem medidas de internação. Os resultados dos candidatos do sistema prisional paranaense no último Sistema de Seleção Unificada para Universidades Públicas (Sisu) e na seleção de bolsas do Programa Universidade para Todos (Prouni) são os mais expressivos do País.

Uma das iniciativas que ajudaram os candidatos a obter a aprovação foi a remição de pena por meio da leitura. A atividade é regulamentada no estado desde 2012, seguindo a Recomendação 44/2013 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A cada livro lido e resenhado pelo detento, são computadas 48 horas no cálculo de remição do preso. São 20 dias para leitura, com média de duas horas de leitura diária, e oito horas para escrever e reescrever a resenha da obra, sob a orientação de professores de Língua Portuguesa e de Pedagogia da rede estadual de ensino.

Desde 2012, 19 mil presos trocaram parte de suas penas por resenhas de livros doados por parceiros como a Fundação Cultural de Curitiba, a Secretaria Municipal de Esporte de Curitiba e o Projeto “Conversa entre Amigos”, realizado pela Biblioteca Pública do Paraná, que, além de doar obras literárias, empresta aos estabelecimentos penais, a cada quatro meses, caixas-estantes contendo 100 títulos novos. Mensalmente, cerca de 2 mil livros são lidos por um a cada dez presos do sistema penitenciário paranaense – cerca de 1,7 mil pessoas.

Resultados

A leitura ajudou um homem que cumpre medida de segurança no Complexo Médico Penal a tirar 900 pontos na redação do ENEM-PPL. Uma presa conquistou vaga em quatro universidades – em quarto lugar em uma delas – e um detento da Penitenciária Central do estado ganhou uma bolsa para estudar Direito na Faculdade Radial e foi aprovado para cursar Educação Física na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). “Isso graças ao investimento feito no setor de Pedagogia do Sistema Prisional”, afirma a coordenadora de Educação, Qualificação e Profissionalização de Apenados do Departamento de Execução Penal (Depen) do Paraná, Glacélia Quadros.

“Os próprios presos declaram que o desempenho se deve à iniciativa da remição por meio da leitura”, afirma Glacélia. Em 2014, 38% dos 17,7 mil presos sob responsabilidade do órgão participaram de alguma atividade educacional oferecida no sistema prisional. O corpo docente é formado por 377 professores da rede pública de ensino do Paraná, escolhidos em processo seletivo composto por três fases, incluindo banca examinadora e avaliação de perfil psicológico. “O concurso é muito disputado. Queremos os melhores profissionais, pois o ambiente é muito exigente. Não é lugar para experiências. Lidamos com pessoas muito especiais. Exige-se um tratamento penal-humanitário, muito comprometimento e muita dedicação”, explica a educadora.

Para ministrar aulas em um dos oito Centros Estaduais de Educação Básica para Jovens e Adultos (CEEBJAs) que funcionam dentro de unidades prisionais, o governo estadual oferece gratificações de risco de vida, de zona perigosa e de insalubridade. Os adicionais mais que dobram o salário-base do servidor público selecionado. A remuneração sozinha, no entanto, não explica a motivação dos professores que ministraram aulões para os candidatos a vagas na universidade antes das provas e deixaram de usufruir de férias em janeiro para poder inscrever seus alunos no Sisu e no Prouni.

“As 55 vagas asseguradas em universidades se devem ao trabalho integrado da coordenação com os setores de pedagogia dos Estabelecimentos Penais e Centros Estaduais de Educação Básica para Jovens e Adultos (CEEBJAs). Oito dos 100 CEEBJAs do estado atendem, exclusivamente, à escolarização das pessoas privadas de liberdade”, resume Glacélia.

Segundo dados atribuídos ao Departamento Penitenciário Nacional (Depen), o Paraná era, em junho de 2013, o estado que mais oferecia atividades educacionais aos presos de seu sistema carcerário –31,81% dos detentos tinham acesso à educação, de acordo com as estatísticas mais recentes do órgão.

Programa educacional do TJPR

Entre as iniciativas desenvolvidas pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR) para garantir a escolarização dos presidiários está a realizada pela comarca de Barracão, no sudoeste do estado. De acordo com a juíza titular Branca Bernardi, no Centro de Reintegração Social de Barracão, os detentos contam com a aplicação do método da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) com ênfase em educação. O método foi implantando em 2012, de forma pioneira no estado, e garante a participação diária em atividades e oficinas de capacitação, além de cursos profissionalizantes ministrados por profissionais do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

As atividades educacionais da Apac incluem o projeto “Remição pela Leitura”, que tem por base a Lei Estadual 17.329, de 8 de outubro de 2012, e a Portaria do Juízo de Barracão n.º 2/2013, autorizando a remição de pena mediante a leitura e a compreensão de livros previamente selecionados. No projeto, os recuperandos são estimulados à leitura de livros e, a partir da avaliação de uma banca examinadora para confirmar a compreensão do conteúdo, há a redução proporcional dos dias de pena – a redução máxima por mês é de quatro dias. Já para os presidiários com menor nível de escolaridade é oferecido o programa “Paraná Alfabetizado”, que possibilita também a reinserção social.

Na opinião da juíza Branca, a educação representa muito mais para o recuperando, uma vez que para ele, que busca sua liberdade, encontrar um foco é fundamental para superar o difícil período em que está longe do convívio com a família. “Todas as iniciativas nesse sentido, de aproximar o recuperando de sua própria educação, devem ser enaltecidas e destacadas por nossos tribunais, justamente para que o cumprimento de pena assuma um caráter positivo na vida desses cidadãos brasileiros que estão presos”, diz a magistrada.

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