Sua Segunda Vida Começa Quando Você Descobre Que Só Tem Uma

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Hélio de La Peña: ‘Monteiro Lobato está muito ultrapassado’

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Publicado no O Globo

O humorista Hélio de La Peña, do antigo programa Casseta e Planeta, disse, na tarde deste sábado, na Bienal do Rio, em debate no Placar Literário, que tentou ler Monteiro Lobato para seu filho, mas que “o texto está muito ultrapassado”. A declaração foi dada no debate “Gols de letra: dois romances”, em que também estava o jornalista Sérgio Rodrigues, com Francisco Paula Freitas como mediador. O humorista falava da importância de apresentar os livros certos para ajudar a incutir o hábito da leitura nas crianças.

— Acho que essa coisa da introdução da leitura às crianças é problemática. Não tem que ler necessariamente o grande livro, mas o que for interessante para ela. Você pegar livros que são desinteressantes é algo que atrapalha muito a vida de um leitor. A criança não consegue entender mais aquele texto. Tinha que haver uma escrita para, depois, levar a criança ao original. Acho que ocorre um pouco esse problema — disse o humorista.

A declaração veio depois de uma pergunta da plateia, sobre o que seria melhor dar para uma criança, um livro ou uma bola. Antes disso, Sérgio Rodrigues já havia falado sobre a importância de apresentar certos escritores à criança na idade certa.

— A cada menino de dez anos que você obriga a ler José de Alencar, você mata mais um leitor para todo sempre. Não acho que ele seja um escritor desprezível, apenas acho que não é o momento. Até Machado de Assis é complicado, dependendo da idade. Acho que a escola erra muito — afirmou Rodrigues.

Memórias do futebol

Uma das melhores novidades da Bienal do Rio deste ano, o Placar Literário tinha gente assistindo ao debate da porta. Com uma plateia formada principalmente por jovens, Hélio de La Peña e Sérgio Rodrigues estavam lá para falar de seus livros (“Meu pequeno botafoguense” e “Drible”, respectivamente). Mas, a pedido do mediador, contaram causos famosos da história do futebol, sempre em tom descontraído.

Hélio de La Peña contou aos jovens o caso de Carlito Azevedo, diretor do Botafogo conhecido por suas superstições, uma das marcas da torcida alvinegra. O humorista lembrou que o diretor precisava amarrar as cortinas do clube antes de o time jogar, com medo de o Botafogo perdesse. E que ele precisava fazer Biriba, seu cão preto e branco, com uma mancha que lembrava a estrela do clube, precisava entrar “de qualquer jeito” no campo antes do jogo. “Meu peque botafoguense”, de La Peña, conta a história do Botafogo vista pelos olhos de uma criança.

Já Sérgio Rodrigues, que publica “Drible” no próximo mês, pela Companhia das Letras, recomendou aos jovens que lessem “O negro no futebol brasileiro”, do jornalista Mario Filho.

— Considero esse o grande clássico sobre o futebol brasileiro. Não é uma ficção, mas eu considero o grande romance do futebol, contado com um fabuloso tom de crônica. É um livro sileirque merece ser lido como um clássico sobre a formação cultural brasileira, sem dever nada a “Casa grande e senzala” e “Raízes do Brasil”. Pena que é um livro meio desprezado, espero contribuir para que isso mude — afirmou Rodrigues.

Sérgio Rodrigues fez questão de lembrar, ainda, a campanha que o escrito Lima Barreto fez contra o futebol na imprensa, quando o esporte começou a se disseminar no Brasil. O jornalista lembrou que o futebol era de elite e Lima Barreto, um escritor negro, “com muita consciência de classe”.

— Ninguém previu o que o futebol ia se tornar no Brasil. É uma grande epopeia, com momentos de heroísmo e cafajestagem, sofrimento e libertação. O futebol foi sendo infiltrado pelo povo — afirmou.

Bienal do Livro do RJ começa nesta quinta-feira e espera receber 600 mil pessoas

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Com 27 autores estrangeiros, programação homenageia a Alemanha e terá um novo espaço dedicado a debates sobre futebol

Jovens folheiam livros em estande da 15ª Bienal do Livro, em setembro de 2011 Mônica Imbuzeiro / Agência O Globo

Jovens folheiam livros em estande da 15ª Bienal do Livro, em setembro de 2011 Mônica Imbuzeiro / Agência O Globo

André Miranda em O Globo

RIO – Com um pé na Alemanha e outro no futebol, a XVI Bienal Internacional do Livro do Rio começa hoje, no Riocentro. O evento terá mais de cem debates e bate-papos com autores, sendo que 27 deles convidados estrangeiros, como Mia Couto, Javier Moro, Nicholas Sparks, Emily Giffin, James Hunter e César Aira. A expectativa dos organizadores é que cerca de 600 mil pessoas passem pelo centro de convenções até o dia 8 de setembro, encerramento da Bienal.

Como país homenageado, a Alemanha trouxe uma delegação de escritores, ilustradores, editores e agentes para a cidade. Um dos principais nomes do grupo é Ilija Trojanow, autor de “O colecionador de mundos” e “Degelo” (ambos da Companhia das Letras). O ex-jogador de futebol Michael Ballack também veio para o evento. O estande alemão tem 400 mil metros quadrados — de um total de 55 mil divididos em três pavilhões da Bienal —, e terá abertura oficial hoje, às 18h, com a presença de Wilfried Grolig, embaixador da Alemanha no Brasil; Sônia Jardim, presidente da Bienal do Livro; Wolfgang Bader, diretor do Instituto Goethe; e Marifé Garcia Boix, vice-presidente da Feira do livro de Frankfurt. Em outubro, será a vez de a Feira de Frankfurt ter o Brasil como país homenageado.

— Os editores alemães estão muito interessados no mercado brasileiro. Este ano, mais de 40 editoras de língua alemã estão publicando romances brasileiros — diz Marifé. — Muitas estão fazendo isso pela primeira vez. Então nós podemos afirmar que o interesse alemão nos autores e na literatura brasileiros é imenso.

Porta dos Fundos no Domingo

A programação cultural da Bienal manteve as já tradicionais mesas do Café Literário e do Mulher e Ponto, espaços montados para receber autores em conversas com o público. Uma novidade, porém, é a criação do Placar Literário, onde a euforia do brasileiro com o futebol será debatida: hoje, por exemplo, a diretora do Museu da Imagem e do Som do Rio, Rosa Maria Araújo, e o diretor do Museu do Futebol de São Paulo, Leonel Kaz, vão falar, às 19h, sobre como o futebol e a música popular vêm ganhando atenção nos estudos da cultura brasileira.

Outra novidade é o Acampamento na Bienal, um espaço interativo criado para jovens leitores. Nele, estarão nomes como Felipe Neto, Eduardo Spohr, Isadora Faber, Corey May e Raphael Draccon. No domingo, às 15h, a equipe do portal de humor Porta dos Fundos vai falar com o público numa sessão intitulada “Como entrar pela porta dos fundos e sair pela porta da frente?”.

Os ingressos para a Bienal, à venda na bilheteria do Riocentro ou no site www.ingressomais. com.br, custam R$ 14 por pessoa, sendo que estudantes e maiores de 60 anos pagam meia-entrada. Hoje, o horário de funcionamento é das 13h às 22h, mas a partir de amanhã a Bienal fica aberta entre 9h e 22h nos dias úteis, e entre 10h e 22h nos fins de semana.

dica do Ailsom Heringer

Universidades dos EUA são investigadas por ignorar casos de estupro

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Pelo menos sete universidades americanas estão sob investigação do Departamento de Educação dos EUA por supostamente ignorar casos de estupro em suas dependências.

Instituições em todo o país são investigadas após denúncias de alunas

Instituições em todo o país são investigadas após denúncias de alunas

Alessandra Corrêa, na BBC

Segundo denúncias de estudantes, as universidades não informam de maneira clara os procedimentos para reportar abusos sexuais e não investigam os casos adequadamente. As alunas afirmam que, em muitos casos, as vítimas são censuradas ou sofrem retaliações, enquanto os agressores não são punidos.

O episódio mais recente é o da University of Southern California (USC), em Los Angeles. Na semana passada, um grupo de alunas veio a público divulgar detalhes da denúncia encaminhada em maio ao Gabinete de Direitos Civis (OCR, na sigla em inglês) do Departamento de Educação.

O documento de 110 páginas relata mais de cem casos em que a universidade teria falhado em sua resposta a relatos de violência sexual no campus e serviu de base para a investigação oficial iniciada em junho.

Uma das estudantes, Tucker Reed, de 23 anos, disse à BBC Brasil que foi estuprada no campus pelo ex-namorado, em 2010, e denunciou o caso à universidade e à polícia em 2012. Ela afirma que chegou apresentar gravações em que o suposto agressor teria admitido o estupro, mas seu caso foi rejeitado.

“Esse processo se arrastou por vários meses”, diz. “Senti como se tivesse sido estuprada novamente.”

Uma das vítimas citadas na denúncia diz que ouviu da polícia responsável pela segurança no campus que mulheres não deveriam “sair, ficar bêbadas e esperar não ser estupradas”. Outra relata que foi obrigada a continuar na mesma turma do acusado de estuprá-la.

Direitos civis

A investigação aberta pelo OCR busca determinar se os direitos civis das alunas foram violados e é baseada no chamado Title IX (Título IX), lei federal que proíbe discriminação sexual na educação. Em carta enviada a universidades em 2011, o Departamento de Educação afirma que “assédio sexual a estudantes, incluindo atos de violência sexual, é uma forma de discriminação sexual proibida pelo Title IX”.

A USC disse em comunicado que quer trabalhar com os agentes federais para esclarecer qualquer preocupação e está revisando suas políticas para garantir o cumprimento da lei.

O caso não é isolado. Também são alvo de investigações as universidades da Carolina do Norte (em Chapel Hill), do Colorado (Boulder), da Califórnia (Berkeley), Occidental College (Los Angeles), Darthmouth College (Hanover, em New Hampshire) e Swarthmore College (nos arredores da Filadélfia, na Pensilvânia).

Em alguns casos, a investigação tem como base outra lei, o Clery Act, que exige que instituições de ensino superior monitorem e divulguem estatísticas criminais nos campi, incluindo crimes sexuais.

Ao responder às investigações, todas as universidades afirmaram que levam o assunto “muito a sério”. Algumas, como Swarthmore e Occidental, já iniciaram revisões de suas políticas e treinamento de funcionários.

Redes sociais

Estudantes criaram movimento nacional contra violência sexual nas universidades

Estudantes criaram movimento nacional contra violência sexual nas universidades

Essa onda recente de investigações é fruto da articulação das próprias estudantes. Diante do que consideram desprezo e abandono por parte das universidades, elas romperam o isolamento geralmente sofrido por vítimas de estupro e iniciaram, com a ajuda da internet e das redes sociais, um movimento nacional contra violência sexual nas universidades.

Reed relatou sua experiência em um blog e criou o grupo Scar (palavra que significa cicatriz, mas também sigla em inglês para Coalizão de Estudantes Contra o Estupro). Seus relatos inspiraram alunas da Universidade do Colorado a fazer a denúncia ao governo.

As estudantes que denunciaram o Occidental College e o Swarthmore College afirmam ter recebido orientação das alunas que haviam feito a denúncia contra a Universidade da Carolina do Norte. Essas, por sua vez, dizem ter se inspirado no projeto “It Happens Here” (“Acontece Aqui”, em tradução livre), iniciado por alunas do Amherst College, em Massachusetts, chamando atenção para o problema.

As alunas do Amherst buscaram ajuda na experiência de Alexandra Brodsky, uma das 16 alunas que denunciaram a Universidade de Yale (no Estado de Connecticut) ao Departamento de Educação em 2011.

“Estamos trabalhando em uma campanha para pressionar o Departamento de Educação a fazer com que a lei seja cumprida”, disse Brodsky à BBC Brasil.

No mês passado ela coordenou um protesto em frente à sede do departamento, em Washington, como parte da campanha Ed Act Now (“Lei da Educação Agora”, em tradução livre), que já coletou mais de 160 mil assinaturas.

As estudantes também estão lançando o projeto “Know your Title IX” (“Conheça seu Título IX”), para educar as alunas sobre seus direitos.

Brodsky conta que quando relatou à universidade que havia sido vítima de estupro, em 2009, ouviu dos diretores que era melhor não comentar o caso com ninguém.

“Ficou claro naquele momento que eu não seria mais a estudante ideal para Yale, mas um potencial desastre de relações públicas, que precisava ser silenciado”, diz. “Me senti traída.”

A universidade, uma das mais prestigiosas dos EUA, já havia sido alvo de investigação anterior, de 2004 a 2011, na qual foi multada em US$ 165 mil (cerca de R$ 373 mil) por não relatar episódios de agressão sexual em suas estatísticas criminais. No caso da denúncia de Brodsky, o Departamento de Educação não multou a universidade, que se comprometeu em melhorar suas políticas sobre casos de agressão sexual.

“A investigação encorajou mudanças na política da universidade, mas não ajudou a melhorar a maneira como as sobreviventes de estupro são tratadas”, diz Brodsky.

“Eu já me formei. Mas continuo ouvindo relatos de estudantes que enfrentam os mesmos problemas.”

Paula Pimenta, a escritora brasileira que tá pirando a cabeça das meninas

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Ela já derrubou a barreira da centena de milhares de livros vendidos e volta e meia pinta na lista dos 10 mais da Veja. Paula conversou um pouco com a gente, falou de seus últimos lançamentos e projetos em outras mídias 🙂

Tayra Vasconcelos, no Judão

Mineira de Belo Horizonte, Paula Pimenta tem aquele jeito doce e tranquilo que já caracteriza o povo nascido em Minas, e conta que desde criança levava jeito para a escrita, o que a levou a prestar vestibular para Jornalismo. E mesmo sempre tendo produzido muita coisa, foi há pouco mais de dez anos que o público pode conhecer seu talento, quando saiu seu primeiro livro Confissão, uma coletânea de poemas, em 2001. Mas o reconhecimento veio mesmo alguns anos depois, quando em 2008 ela lançou Fazendo meu filme 1 – A estreia de Fani, pela editora Gutenberg. O livro conta a história de Fani, uma adolescente que adora suas melhores amigas, está sempre preocupada com as notas, e vive às voltas com os amores de adolescência, mas o seu principal diferencial é sua paixão pelo cinema. Em 2009 e 2010 as continuações da história da Fani chegaram às livrarias, e o público pode acompanhar a protagonista indo fazer intercâmbio e terminar o colégio na Inglaterra e depois voltar ao Brasil, além do desenrolar de um romance pelo qual todas as leitoras torceram desde o primeiro livro.

Já consagrada como autora voltada para o público jovem, em 2011 Paula decidiu lançar uma nova série de livros, protagonizada por uma das personagens secundárias de Fazendo meu filme, e assim os leitores foram presenteados com Minha vida fora de série. Nela conhecemos a história de Priscila, uma menina que acabou de se mudar de São Paulo pra Belo Horizonte, e está detestando a ideia. Ela tem que se adaptar à nova cidade, começar um outro círculo de amigos e ainda ter que lidar com todo aquele turbilhão que acontece na adolescência e para fugir um pouco dos seus problemas, Priscila mergulha no universo dos seriados de televisão. O enredo do livro se passa três anos antes da história de Fazendo meu filme 1, o que faz com que o público tenha a chance de acompanhar o começo da história de alguns personagens conhecidos anteriormente.

No ano passado, foi a vez do desfecho da história da Fani em Fazendo meu filme 4 – Fani em busca do final feliz e de Apaixonada por palavras, uma coletânea de crônicas. E agora, em 2013, ela chegou com um “2-hit combo”, porque foi a vez de Minha vida fora de série – 2ª temporada e O livro das princesas, onde é co-autora ao lado de bambambans como Meg Cabot, Lauren Kate e Patrícia Barboza. E para contar um pouco dessa história toda e dos últimos lançamentos, Paula Pimenta responde ao nosso 8P!, confira… 😉

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01Como você começou a escrever e descobriu que era isso que você queria para a sua vida?

Paula Pimenta ~ Português sempre foi minha matéria preferida no colégio, eu adorava fazer redações… Na época do vestibular, resolvi fazer Jornalismo, para profissionalizar esse amor pela escrita. Mas logo no começo do curso, eu vi que não era bem aquilo que eu imaginava. Descobri que eu não queria relatar os fatos imparcialmente e, sim, colocar emoção nas linhas. Os meus professores, ao lerem as minhas matérias jornalísticas, perguntavam se eram crônicas. Foi quando eu descobri que era aquilo que eu queria, me colocar dentro da história, opinar, criar. E, por isso, acabei me transferindo de curso, para poder ser mais criativa. Me formei em Publicidade e Propaganda. Mas foi com Fazendo meu filme que eu realmente descobri que o que eu mais gosto de escrever são romances.

02O brasileiro ainda tem uma média muito baixa de leitura. O que você acha que falta para que as pessoas passem a ser leitoras habituais?

Paula Pimenta ~ Acho que o incentivo à leitura tem que começar desde cedo. Não é depois de adulto que a pessoa vai tomar esse gosto e resolver a ler de uma hora pra outra, esse hábito da leitura tem que ser cultivado desde a infância e adolescência. Acho que os pais e professores tem que indicar os clássicos, mas também livros de entretenimento, para desvincular aquela imagem de que ler é obrigatório… Eu tenho amigos que me dizem que desde a época do colégio não leram mais nada, liam apenas porque valia nota e com isso ficaram com aquela imagem de que ler é chato… Por isso que eu acho que tem que mesclar a literatura clássica com livros com os quais os adolescentes possam se identificar, que tenham a ver com a realidade deles.

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03Além de ler pouco, geralmente, a maioria dos leitores do Brasil prefere se dedicar à leitura contemporânea estrangeira. Você acha que isso se deve ao fato de ter pouca coisa sendo produzida por aqui para o público jovem?

Paula Pimenta ~ Acho que isso é uma discussão muito mais profunda, que vem do preconceito que os próprios brasileiros têm com o “produto nacional”. Aqui nós somos acostumados a pensar que o que é importado é melhor, então realmente é difícil um escritor nacional, iniciante, conseguir se destacar no mercado literário e, por isso mesmo, poucos se aventuram… Tem também a barreira das editoras, que custam a dar uma chance para escritores desconhecidos. E quando um escritor consegue ter o livro publicado, vem o público, que não “veste a camisa” dos autores nacionais… Isso está mudando aos poucos, acho que os brasileiros têm percebido que aqui temos autores (e profissionais de qualquer setor) tão bons quanto os estrangeiros.

04Você já teve uma protagonista apaixonada por filmes, a segunda é fissurada em séries e já mencionou que pretende fazer uma próxima que seja doida por livros. Já pensou em fazer alguma que seja ligada ao universo de HQs, games ou até mesmo música (que acaba sendo o caso mais recorrente na juventude)?

Paula Pimenta ~ Tenho planos de escrever uma série para uma das minhas personagens, que é exatamente apaixonada por música. E a série Fazendo meu filme vai virar história em quadrinhos! Ainda não sei quando sai o primeiro “episódio”, mas talvez esse ano ainda!

05É cada vez mais frequente a adaptação de livros para o cinema, existe alguma proposta pra transformar algum dos seus livros em filme?

Paula Pimenta ~ Sim, já vendi os direitos do Fazendo meu filme 1 para o cinema. Fiquei meio relutante, pois tenho a maior birra daqueles filmes que estragam os livros, nunca acho que fazem uma adaptação a altura. Mas as minhas leitoras me pediam tanto que isso acontecesse, que acabei cedendo. Recebi propostas de várias produtoras, mas optei por uma menor, mas que me deu autonomia para acompanhar todas as fases da produção. Tem uma cláusula no contrato que diz que posso inclusive vetar o roteiro se eu não concordar com alguma coisa. Então, quando o filme sair (descobri que é um processo muito lento, acho que a estreia deve acontecer só em 2015), pelo menos vai ser fiel ao livro, e isso é o que importa para mim.

06Agora você está lançando O livro das Princesas, onde é co-autora numa releitura dos contos de fadas junto com outros grandes nomes de literatura juvenil, dentre eles a consagradíssima Meg Cabot. Como surgiu o convite e como foi essa empreitada para você? E como foi a escolha da princesa que cada uma re-escreveria?

Paula Pimenta ~ A editora da Galera Record me convidou para esse projeto, por saber que eu adoro contos de fada, Disney, etc… Quando eu soube que estaria no mesmo livro que a Meg Cabot, me senti honradíssima, pois ela foi uma das responsáveis por eu querer me tornar escritora também. Além da Meg, o livro tem a Lauren Kate e a Patrícia Barboza. Cada uma de nós teve que escolher uma das princesas para fazer uma releitura contemporânea, como se a história estivesse se passando nos dias atuais.
Eu na verdade tive muita dúvida, pois adoro todas as princesas! Fiquei muito indecisa entre a Cinderela, a Branca de Neve e a Ariel, mas acabei optando pela Cinderela, porque a história começou a aparecer antes na minha mente, os caminhos que eu poderia seguir para criar essa versão contemporânea. Acho que consegui criar uma personagem diferente das outras Cinderelas que já existem. Minha princesa é uma DJ e não é bem um sapatinho de cristal que ela perde…

07Você demonstra nos seus livros que é romântica, tanto pelos romances quando pelas crônicas e que tem uma visão mais clássica do amor. Como você consegue encaixar o universo das princesas nesse mundo contemporâneo, com todo movimento girl-power que renega esse lado?

Paula Pimenta ~ Acho que toda menina tem um lado romântico. A princesa que eu criei é exatamente assim. Ela é forte por fora, acha que tem domínio completo da situação, mas quando se descobre apaixonada, acaba percebendo que não existe mal nenhum no romantismo, muito pelo contrário…

08 A Disney tem resgatado e fortalecido cada vez mais esse universo mágico que toda criança sonha e idealiza. Princesas clássicas como Branca de Neve, Cinderela, Bela Adormecida entre outras tem uma imagem mais forte e divulgada hoje do que na nossa infância. Ao mesmo tempo, eles tem aberto cada vez mais o leque de princesas e heroínas, englobando diferentes padrões de beleza, realidades, etnias e objetivos, onde podemos ver princesas guerreiras como Mulan e Mérida (que é Pixar, mas não deixa de ser Disney), empreendedoras como Tiana, e até mesmo a clássica Rapunzel ganhou um ar mais moderno e combativo. Como você vê esse resgate e ao mesmo tempo nova postura diante desse universo?

Paula Pimenta ~ Acho que é exatamente uma tentativa de trazer esse universo das princesas para os dias atuais. Antigamente as mulheres ficavam mesmo esperando um príncipe bater à sua porta. Atualmente nós mesmas vamos buscar esse príncipe ou então nem fazemos questão dele… Por isso esses filmes e novas versões estão tentando atualizar as princesas, para gerar identificação nas meninas de hoje em dia.

‘Chegava em casa estraçalhado emocionalmente’, conta ex-diretor de escola

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Marcelle Souza, no UOL

De uma salinha na parte administrativa da escola, ele decide quase tudo: falta de papel higiênico, briga entre alunos, problemas de professores e questões burocráticas com a Secretaria de Educação. Mas quem é esse personagem que aparece nas nossas lembranças da infância como o temido chefe do colégio?

“Vou chamar o diretor já”, “o diretor vem vindo aí…”, Se eles estão fora da classe, basta apontar a cara no corredor para desembestarem em uma correria geral rumo a sala de aula. Como alguém pode ser simpático com uma propaganda tão eficiente? “Vai tomar uma suspensão do diretor”

“Eu chegava em casa todos os dias estraçalhado emocionalmente, é muito pesado, muito desgastante. Você trabalha com os extremos: a ingenuidade de uma criança e a canalhice de alguém que comete alguma irregularidade. Pensei várias vezes em desistir”, afirma Luiz Benedito Ponzeto, 67.

Diretor por dez anos, Ponzeto se aposentou e decidiu contar o cotidiano dessa função. Ele acaba de publicar o livro de crônicas “Diário de um diretor de escola”, com histórias ficcionais sobre o dia a dia da profissão.

Nos textos, Ponzeto mostra que a imagem de temido – quem nunca ouviu a frase “vou chamar o diretor” ou “você vai para a sala a do diretor”? – esconde um ser humano cheio de expectativas e problemas.

Luiz Benedito Ponzeto, ex-diretor

Luiz Benedito Ponzeto, ex-diretor

Uma bomba por dia para desarmar
Foram 30 anos de dedicação à escola, como professor de matemática, coordenador pedagógico e diretor de escolas públicas e privadas de várias cidades de São Paulo, e uma “bomba por dia para desarmar”. Há cinco anos, ele se aposentou e teve que romper com os desafios e êxitos da profissão. Precisava descansar.

O livro veio então da vontade de retratar o dia a dia da escola e foi resultado de um grupo de estudos e dos primeiros exercícios escrevendo crônicas. As histórias retratadas, diz o ex-diretor, são ficções, mas bem que poderiam se passar em muitas escolas do país. “Eu queria um texto alegre, ao mesmo crítico, que mostrasse a escola como uma coisa dinâmica, em constante transformação”, diz.

E o cotidiano do narrador do livro não é nada fácil. Imagine ter que virar técnico para resolver o problema no som de uma turma que vai fazer uma festa, conversar com a mãe de um garoto que brigou com os colegas na escola ou decidir entre abrir ou não um pacote suspeito enviado sem remetente.

Em uma das crônicas, a “bomba” do dia é a falta de papel higiênico. Arrecadar dinheiro com alunos? Fazer uma festa? Usar o dinheiro já repassado pelo Ministério da Educação? Ou aguardar a burocracia dos órgãos competentes? Com bom humor e uma dose de preocupação, o diretor dessa escola de mentirinha tenta resolver esse problema tão real.

Um dia de cada vez
Em um trabalho dinâmico, Ponzeto diz que o mais frustrante da função é ver projetos interrompidos e não atingir os objetivos traçados. “Como diretor, você não sabe o que aconteceu com aquela pessoa depois que ela saiu da escola, se valeu ou não todo o trabalho que foi feito”.

Acontece que o Jeferson já aparenta ser adulto, com barba na cara e tudo o mais. E a experiência que já acumulou na sua vida é maior do que a da equipe escolar inteira. Só estão mandando ele de volta para a escola porque foi pego num assalto junto com outros “menores infratores”. E como ainda é menor, não pode ficar fora da escola. Depois que foi pego, cumpriu uns meses na Fundação Casa. Agora está livre para recomeçar do zero, aqui na escola.

Conseguir mudar alguma coisa na vida de um aluno, por outro lado, é maior conquista de um diretor. “O trabalho com o ser humano é muito agradável, especialmente quando você se dedica à construção dele. É muito emocionante, até hoje é muito forte para mim”, diz.

Leia a seguir um trecho do livro:
Uma bomba por dia para desarmar

“Isso aqui está mais para filme de ação do que para instituição de ensino. Mas por que alguém me mandaria uma bomba dessas? Se as xerifes da escola não conseguiram saber a origem desse troço, de nada adianta eu perguntar para Deus e o mundo. Só vou é dar bandeira e colocar mais lenha na fogueira. E muito menos seguir a sugestão da Sandra. Já imaginou o bairro todo ouvindo a sirene da polícia chegando aqui na escola? Vai ser sopa no mel, ou é mel na sopa, nunca sei. As mães invadirão a escola desesperadas para salvar os seus filhos, atropelando os das outras, descompensadas e histéricas: todas elas. Não, isso não, a imprensa, o Datena, Jornal Nacional… E quem vai abrir então? Fiz a pergunta para mim mesmo, estou sozinho na sala, sem pão doce com recheio e nem água com açúcar. Vai que elas têm razão. Dar uma de herói é que eu não vou, nunca tive essa vocação, por isso mesmo fui ser diretor de escola. Mas e os alunos? Se souberem que eu afinei: “amarelou hein diretor”, não admito ser chamedo de bundão. Pensando bem, quem faria uma maldade dessas comigo? Não tenho nenhum inimigo conhecido, tenho conhecido inimigos, isso sim, mas são professores; acho que não saberiam montar uma bomba, muito menos caseira, nem existe mais laboratório de ciências.”

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