Vitrali Moema

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‘Evito que voltem para o lixo’, diz vendedor de livros usados em Bauru

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Círso de Jesus Novaes vende livros na Feira do Rolo de Bauru há mais de 20 anos (Foto: Ednan Gomes/G1)

Círso de Jesus Novaes vende livros na Feira do Rolo de Bauru há mais de 20 anos (Foto: Ednan Gomes/G1)

 

Há mais de 20 anos Cirso Novaes comercializa livros usados a R$ 1.
Nesta terça-feira (14) é comemorado no Brasil o Dia do Vendedor de Livros.

Publicado no G1

O dia do vendedor de livro no Brasil é comemorado nesta terça-feira (14) e para saber um pouco mais sobre essa profissão, cada vez mais rara com a existência das grandes livrarias e da possibilidade de adquirir as obras pela internet, o G1 conversou com os responsáveis pelas bancas de livros de uma das feiras mais famosas de Bauru (SP), a Feira do Rolo, que é realizada todos os domingos na área central da cidade.

Ao chegar em uma dessas bancas, o olhar passa por clássicos de Machado de Assis, uma coletânea de poetas brasileiros até chegar a uma edição rara de ‘A Muralha’, livro da escritora Dinah Silveira de Queiroz. Em meio ao vai e vem das pessoas com suas sacolas de compras, é possível folhear tranquilamente alguns livros da literatura norueguesa ou ler algo do colombiano Gabriel Garcia Márquez. Essas obras estão à disposição de quem passa pela feira.

Os livros vendidos há mais de 20 anos por Círso de Jesus Novaes dividem o espaço com peças de diversas máquinas e outros “cacarecos” em uma lona branca estirada sobre os paralelepípedos da Rua Júlio Prestes, no centro da cidade. Ele conta que começou a participar da feira como uma forma de aproveitar os materiais de reciclagem que recolhia. “Sempre trabalhei com esse tipo de material e, no meio deles, eu achava muitos livros em bom estado ou que poderiam ser arrumados. Então eu comecei a trazer eles para feira e a colocar junto com as outras coisas que eu vendia. Pelo menos assim eles não voltariam para o lixo”, conta ele que vende a R$ 1 cada um dos exemplares.

Não muito distante da lona de Círso, é possível encontrar uma mesa com os livros vendidos por Chico Carioca. Sua relação com a Feira do Rolo começou em 1997, quando começou a negociar LP’s, produtos que atualmente ainda são vendidos por ele.

Depois que passou a frequentar a feira, Carioca, como é chamado pelos amigos, começou a se interessar por livros e, em especial por biografias. “Com o tempo meu interesse pela leitura aumentou e no ano de 2000 eu comecei a vender livros aqui”, conta ele que no momento está lendo a biografia da cantora Maysa e ficou surpreendido quando soube que ela morou por um período em Bauru, quando tinha apenas 2 anos.

Desde 2000, Chico Carioca vende livros na Feira do Rolo em Bauru (Foto: Ednan Gomes/G1)

Desde 2000, Chico Carioca vende livros na Feira do Rolo em Bauru (Foto: Ednan Gomes/G1)

 

Para ele, vender livros nas manhãs de domingo na Feira do Rolo é uma forma de dar acesso à literatura para a população. Os preços oferecidos por ele variam dos R$ 5 aos R$ 30. É possível encontrar em ótimo estado de conservação, por exemplo, o livro “Fim”, escrito pela atriz Fernanda Torres, por apenas R$ 8. Em duas livrarias diferentes de Bauru o preço do mesmo livro é de R$ 37,90.

“No Brasil, principalmente por causa dos impostos os livros vendidos em livrarias são muito caros. Vender esse material a preços populares em um local muito popular é uma forma de facilitar esse acesso”, comenta. De acordo com Carioca, os produtos que ele vende, em sua maioria, são doações de pessoas que estão de mudança e não podem levar os livros.

Com o passar do tempo, muitos clientes de Carioca tornaram-se seus amigos. Eles fazem até pedidos de livros que querem, e ele dá um jeito de arrumar para satisfazer a clientela. “Eu acho que 90% dos meus clientes são fixos. Eu acho que isso acontece porque no nosso país a leitura precisa ser mais incentivada para as pessoas de todos os níveis sociais. Não se pode obrigar as crianças lerem nas escolas. É preciso incentivar. A diferença entre essas duas palavras é grande”, afirma.

Homem mata vendedor de livros para roubar 1.ª edição de famosa obra infantil

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Vítima foi encontrada um dia depois.

Vítima foi encontrada um dia depois.

Andrea Pinto, no Noticias ao Minuto

Michael Danaher foi condenado a prisão perpétua por ter esfaqueado, até à morte, um vendedor de livros, para lhe roubar a primeira edição do livro infantil ‘Wind in the willows’.

O suspeito, de 50 anos, terá esfaqueado mais de 30 vezes Adrian Greewood na garganta e no peito para lhe roubar um livro com 180 anos e cujo valor atinge os 56 mil euros.

A polícia encontrou a arma do crime e umas botas ensanguentadas na casa de Michael. Posteriormente, este havia colocado o livro à venda no eBay.

O suspeito teria uma dívida no valor de 14.500 euros e continha no seu computador um documento com vários figuras que poderiam ser alvo de assaltos, refere o Metro UK.

Vendedor de livros virou poeta depois da aposentadoria

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Ruy guarda 1.500 páginas de poesias em sua casa nos Campos Elíseos

Jacqueline Pioli, no Jornal A Cidade

O aposentado Ruy Francisco de Figueiredo usa máquina de escrever para fazer poemas. (Foto: Silva Junior / ME)

O aposentado Ruy Francisco de Figueiredo usa máquina de escrever para fazer poemas. (Foto: Silva Junior / ME)

Dentro de uma pequena casa nos Campos Elíseos, uma máquina de datilografia, um dicionário com as páginas amareladas, livros e 1.500 páginas de poesias guardadas em caixas de papelão. Versos de um contador que abandonou os números depois de se tornar um vendedor de livros.

Até se descobrir poeta, Ruy Francisco de Figueiredo, 76 anos, trabalhou em escritórios de São Paulo, Rio de Janeiro e Santos e, mais tarde, como vendedor de livros, conheceu mais de 800 cidades do Brasil.

“Sou de Franca. Fui para São Paulo aos 19 anos. Aos 21, pedi as contas porque queria conhecer o Rio de Janeiro. Após três anos, voltei para São Paulo e depois fui para Santos. Eu era meio aventureiro”.

Foi em Santos que Ruy encontrou primos que trabalhavam para uma empresa de Ribeirão Preto. “Eles vendiam livros. Viajavam por todo o Brasil com o carro da firma. Tinham plena liberdade. Aquilo me deixou tentado. Vim para o interior e ali começou uma nova vida para mim”.

Ruy conta que foi um ótimo vendedor. Vendia até 10 enciclopédias por semana, enquanto outros vendiam duas.

“O segredo é que eu gostava do que fazia. Adoro livros, sempre gostei de ler. Eu falava com qualquer pessoa de cabeça erguida, porque eu estava vendendo a mais preciosa mercadoria”.

Depois de 30 anos vendendo livros, Ruy se aposentou. “Foi aí que surgiu a ideia de escrever. Peguei uns papéis e comecei a escrever. Fiz oito poesias. Não mostrei para ninguém, porque não sabia se tinha algum valor literário”.

Até que em maio de 1991, Ruy viu um aviso de um concurso de poesia do Sesc. Cada autor poderia inscrever três poesias. Ruy resolveu tentar.

“Foram mais de dois mil trabalhos apresentados. No dia da premiação, um sábado à tarde, o salão do Sesc estava lotado. Peguei uma cadeira e sentei lá no fundo. Anunciaram o terceiro lugar. Foi para uma senhora que já tinha publicado dois livros. Depois eu ouvi: ‘Segundo lugar, poesia ‘Madrigal à Mulher Amada’. Fiquei muito feliz. Aquilo para mim foi um aviso que eu deveria continuar escrevendo”.

A melhor surpresa ainda estava por vir. “Peguei minha medalha de prata e voltei para a minha cadeira. Então, anunciaram o grande vencedor: ‘Primeiro lugar, poesia ‘Sonhos de um Poeta’. Aí eu tremi nas bases”.

Com as medalhas de prata e ouro no peito, Ruy se tornou poeta. As poesias foram rascunhadas à mão e depois datilografadas. Agora, estão guardadas em caixas esperando pela publicação.

Leia abaixo o poema “Sonhos de um poeta”:

SONHOS DE UM POETA

“Bem-aventurados os pacificadores,
porque serão chamados filhos de Deus”. Mateus 5:9

Eu sempre fui um sonhador
Enlevado pela poesia,
Tenho voado como um condor,
Com as asas da fantasia.

Como São Francisco, eu almejo
Transformar o ódio em amor,
Pois assim teremos o ensejo
Para um viver encantador.

Ao invés do tormento da guerra,
Prefiro as delícias da paz;
Pra que todos colham na Terra,
Frutos que a amizade nos traz.

Gosto de observar a beleza
Do sorriso de uma criança,
Que, no seu encanto e pureza,
Transmite conforto e esperança.

E carrego em meu coração
Uma doce esperança: um dia,
Todo irmão honrará irmão,
E o amor não será utopia.

Quando afinal acontecer
De todos se darem as mãos,
Então diremos com prazer:
“Ah! Nós somos, de fato, irmãos!”

Francisco Figueiredo

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