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Os 6 melhores poemas de Vinícius de Moraes para ler agora

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Fonte: Universia Brasil

Fonte: Universia Brasil

Publicado na Universia Brasil

Com talento nato para criar as mais belas composições com palavras, que contribuíram para a literatura, a música e a cultura brasileira, Vinícius de Moraes, ou o poetinha, como era conhecido, pode ser considerado um dos maiores nomes da poesia nacional.

Nascido na cidade do Rio de Janeiro, em 19 de outubro de 1913, Vinícius sempre foi um exemplo clássico da boemia carioca. Amante intenso e apaixonado, o poetinha casou-se nove vezes e teve incontáveis casos amorosos. Depois das mulheres, sua grande paixão era apreciar os dias, tardes e noites do Rio de Janeiro, sentado em uma mesa de bar, compondo músicas e escrevendo.

Entre seus trabalhos de maior destaque está a canção Garota de Ipanema, feita em parceria com Tom Jobim, gigante da Música Popular Brasileira (MPB). O hit foi composto para a modelo Helô Pinheiro, mas se tornou um hino para reverenciar a beleza da mulher carioca.

Vinícius de Moraes, que além de escritor e compositor foi diplomata do governo brasileiro, jornalista e dramaturgo, faleceu no ano de 1980, em sua cidade natal. Seu legado de composições atemporais e populares se perpetuou pelos anos e ainda ocupa um espaço de imensa importância nas aulas de literatura brasileira.

Para celebrar o Dia Mundial da Poesia, a Universia Brasil fez uma seleção dos melhores poemas de Vinícius de Moraes, com trechos de suas composições mais famosas, como o Soneto da Fidelidade e A Rosa de Hiroxima, que falam sobre questões sociais, exaltação à pátria, mas, principalmente, amor. Veja a seguir:

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Os 10 melhores poemas de Vinicius de Moraes

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Carlos Willian leite, na Revista Bula

 

Pedimos aos leitores, colaboradores, seguidores do Twitter e Facebook — escritores, jornalistas, publicitários, professores — que apontassem os poemas mais significativos de Vinicius de Moraes. Considerado um dos mais importantes nomes da poesia e da música nacionais, Vinicius de Moraes deixou uma obra vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. No gênero musical, Vinicius teve como principais parceiros um seletíssimo grupo, que incluía entre outros, Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra.

Do encontro entre Vinicius e Jobim nasceu uma das mais fecundas parcerias da história da música mundial, marcada por clássicos como “Se Todos Fossem Iguais a Você”, “A Felicidade”, “Chega de Saudade”, “Eu Sei que Vou te Amar”, “Garota de Ipanema” e “Insensatez”.

Na literatura e no teatro Vinicius de Moraes deixou obras-primas, com destaque para a peça teatral “Orfeu da Conceição”, escrita em 1954, baseada no drama da mitologia grega Orfeu e Eurídice. A peça foi transformada no filme “Orfeu Negro”, em 1959, pelo diretor francês Marcel Camus, alcançando repercussão mundial e conquistando a Palma de Ouro no Festival Cannes e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Na literatura, foram mais de 10 livros, com destaque para “Forma e Exegese”, “Cinco Elegias” e “Poemas, Sonetos e Baladas”, também conhecido como “O Encontro do Cotidiano”, publicado em 1946, que traz o poema “Soneto de Fidelidade”, que posteriormente seria declamado junto com a música “Eu Sei que Vou Te Amar”.

Sobre o poeta Vinicius de Moraes escreveu Carlos Drummond de Andrade: “Vinicius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural. Eu queria ter sido Vinicius de Moraes”.

Vinicius de Moraes nasceu no Rio de Janeiro em 19 de outubro de 1913, e morreu na madrugada de 9 de julho de 1980, aos 67 anos, devido a problemas decorrentes de uma isquemia cerebral.

Os poemas selecionados foram publicados nos livros “Cinco Elegias”, “Poemas, Sonetos e Baladas”, “Novos Poemas”, “Novos Poemas (II)” “Pátria Minha”, Livro de Sonetos” e “Antologia Poética”.

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Pátria Minha

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos…
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação e o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu…

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda…
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha… A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
“Liberta que serás também”
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão…
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
“Pátria minha, saudades de quem te ama…
Vinicius de Moraes.”

Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Soneto de Contrição

Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
Que o meu peito me dói como em doença
E quanto mais me seja a dor intensa
Mais cresce na minha alma teu encanto.

Como a criança que vagueia o canto
Ante o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa.

Não é maior o coração (mais…)

Aos 10 anos, Ana Cristina publica seu primeiro livro

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Uma sementinha foi plantada e agora os frutos começam a nascer

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Publicado no Cruzeiro do Sul

Desde que a sementinha da leitura foi plantada em Ana Cristina Rodrigues Henrique, de 10 anos, muitas ideias começaram a florescer em sua mente. As palavras das poesias apresentadas a ela pela família e amigos fizeram com que ela se encantasse com aquele mundo de rimas e mensagens bonitas que nos fazem pensar em nossas vidas. Desde então, Ana Cristina libertou sua criatividade e começou a traduzir seus pensamentos no papel.

Em um cantinho montado na sala de sua casa, que conta com uma mesinha rosa e vários brinquedos e livros, a menina se inspira nos seus autores preferidos, que são Vinicius de Moraes e Carlos Drummond de Andrade, para poder escrever suas próprias poesias. Além de gostar de lembrar das palavras desses grandes poetas brasileiros, Ana Cristina também busca inspiração em coisas simples, do seu dia a dia mesmo. “Sempre que acontece alguma coisa no meu cotidiano eu dou um jeito de escrever sobre aquilo”, diz ela.

Com isso, uma formatura no ensino fundamental, o dia dos pais e até o aniversário de uma professora querida já viraram poesias nas mãos de Ana Cristina. “Amor, amizade e família. É quase sempre sobre isso que eu escrevo”, declara.

“Primeiro de muitos!”

Todo o talento de Ana Cristina não se resume à escrita dos poemas. Como demonstrou essa vontade e prazer pelo mundo dos livros, a menina foi convidada por um vizinho para ir até o Cantinho Girassol, um espaço cultural instalado no bairro Wanel Ville que sempre realiza eventos para amantes dos textos, histórias e poesias. “Ele me chamou para declamar alguns poemas de Drummond num sarau do Girassol”, afirma Ana Cristina.

E a timidez passa longe da menina. Ela diz que nunca teve vergonha de nada e aceitou o desafio, declamando vários poemas no microfone na frente de muitas pessoas que estavam no espaço. Desde então ela passou a adotar o Cantinho Girassol como sua segunda casa.

Em um dos saraus que participou, Ana Cristina conheceu um editor de livros de São Paulo. “Ele então me perguntou se eu queria lançar um livro de poesias. Eu aceitei a ideia na hora”, revela a menina, com muita animação.

Com o desafio lançado, Ana Cristina teve de reunir 21 poesias em cerca de dois meses. Então ela colocou o seu talento e criatividade para funcionar e realmente conseguiu! Na noite de ontem Ana Cristina lançou o seu primeiro livro de poesias, chamado Sementes de Ana Cristina.

Mas ela não vai parar por aí não! Seu grande sonho é continuar lançando publicações, para se tornar uma grande escritora no futuro. “Que esse seja o primeiro de muitos!”

Pela dedicação e pelo talento que a menina já apresenta aos 10 anos de idade, certamente esse sonho se tornará realidade!

Professora de literatura analisa obra e vida de Vinicius de Moraes

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História do ‘Poetinha’ foi contada por Flávia Suassuna no Projeto Educação.
Escritor conseguiu, como ninguém, reunir música e poesia.

Publicado por G1

Vinicius de Moraes escreveu os primeiros versos ainda na escola (Foto: Reprodução / TV Globo)

Vinicius de Moraes escreveu os primeiros versos ainda na
escola (Foto: Reprodução / TV Globo)

Vinicius de Moraes nasceu no Rio de Janeiro, em 1913. Começou a carreira como diplomata, nos Estados Unidos, mas, aos poucos, deixou a vida séria de lado e se rendeu à boemia, às mulheres, à música e à poesia. Um dos maiores artistas brasileiros, que completaria 100 anos em 2013, foi tema da reportagem do Projeto Educação desta sexta-feira (25).

“A casa de Vinicius de Moraes era quase uma academia. Nara Leão, Chico Buarque se reuniam na casa dele, era sempre uma casa de portas abertas. As pessoas podiam entrar, havia bebidas, comidas, e as pessoas conversavam. O pessoal da Bossa Nova se reunia na casa de Vinicius, que era uma espécie de líder do movimento. Do mesmo jeito que ele foi fazendo com a literatura, foi fazendo com a própria vida. Foi se desligando das funções mais tradicionais. Ele era pessoa com comunicação muita boa, simpática, brincalhão”, destacou a professora Flávia Suassuna.

Os primeiros versos do poeta foram escritos ainda na escola. “Vinicius estudou num colégio católico. E ele fez nessa época, muito novo, poemas católicos e filosóficos profundos. Vinicius, como Manuel Bandeira, foi amadurecendo na proporção que ia entrando no modernismo. Aqui no Brasil, o modernismo tem a vinculação entre popular e erudito. Mário de Andrade falava do folclore, Ariano Suassuna com a arte popular, Villa-Lobos trouxe para orquestra erudita alguns elementos populares, como o berimbau. O modernismo aqui tem essa característica de acolhimento da diversidade linguística. E Vinicius foi pegando essa simplicidade linguística que era típica do nosso modernismo. Através dessa quebra da erudição, os escritores começaram a trazer regionalismos e uma língua diferente da usada em Portugal”, destacou a professora.

Chamado de poetinha pelo amigo Tom Jobim, Vinicius era pequeno só no apelido. Até hoje, é considerado um dos maiores nomes da literatura brasileira. Além de poesia, ele também escreveu músicas e ainda passou pelo teatro e pelo cinema.

“Em Vinicius, esse dois conjuntos, poemas e letras da música, confluem, e eles têm qualidade especial. Até porque já era música e ele já fazia as duas coisas juntas. Na verdade, é bem difícil colocar música em poema já feito. É difícil, raro, mas ele fazia de forma maravilhosa. Incrível como ele é difícil e toca o brasileiro. Quando se fala em Vinícius, todo mundo se lembra do Soneto da felicidade”, destacou Flávia Suassuna. O poema diz: “Que seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure”.

Para gostar de ler

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Felipe Basso no Baguete

 

A bibliotecária exigiu silêncio quando adentrei o local. Eu já tinha estado na biblioteca outras vezes, mas essa era a primeira para ler. Havia não mais do que cinco ou seis pessoas, e cada uma ocupava uma das grandes mesas, cada uma com capacidade para até oito pessoas, tranquilamente. Meus passos no chão de madeira velha faziam barulho, um barulho natural para aquele chão de madeira velha, mas para a bibliotecária era um som alto demais que poderia atrapalhar aquelas cinco ou seis pessoas. Ela pediu que me sentasse e dissesse o livro que procurava. Não sabia a resposta, não sabia que deveria conhecer o nome do livro. Como não sabia, disse não sei.

O desconhecimento pareceu causar espanto naquela senhora, que me devolveu a resposta com uma nova pergunta.

– Mas o professor não disse qual era o livro?

Não, nenhum professor tinha dito nada, até porque a ideia de conhecer a biblioteca tinha partido livremente de mim, uma vez que a roda gigante e as demais brincadeiras no pátio da escola, embora altamente atraentes, não estavam conseguindo segurar minha atenção naquele dia.

– Não. Eu só queria ler um livro. Qualquer um.

Dessa vez, mais do que espantada, a bibliotecária expressou em sua fisionomia um ar intrigado, como se ela esperasse por aquilo há muito tempo, mas não mais nutrisse esperanças de que aquilo um dia viesse realmente a acontecer.

– Quer dizer que você veio de livre espontânea vontade à biblioteca para ler?

– Sim. Isso mesmo.

– Espere um momento.

Aguardei como me fora pedido, enquanto a bibliotecária percorria os olhos em uma das estantes. Nem dois minutos se passaram e ela voltou com um livro.

– Toma, comece por esse aqui.

A capa trazia quatro nomes. Cecília Meireles, Henriqueta Lisboa, Fernando Sabino e Vinicius de Moraes e em cima estava escrito Para gostar de ler – Volume 6 – Poesias.

Depois de ler os nomes, não comecei a ler o livro, mas sim passei a observar os outros. Eles eram leitores como eu queria ser? Será que para se ser um leitor, seria necessário ficar aquele tempo todo em silêncio, sem poder falar? Porque então não criar diversos espaços, uns para ficar em silêncio lendo e outros nos quais os leitores pudessem dividir o que liam, contar as histórias aprendidas nos livros? Não sei por quanto tempo fiquei absorto nesses pensamentos, mas com certeza não foi pouco, pois fui interrompido pela bibliotecária.

– Eu sabia que você não tinha vindo aqui pra ler. Porque não vai pro pátio ao invés de interromper os que estão realmente interessados nos livros?

Era preciso muito mais do que livros para gostar de ler, foi o que pensei enquanto saía da biblioteca.

* Texto livremente inspirado no artigo de Armindo Trevisan – O Rio Grande exige uma nova biblioteca

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