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Os segredos dos melhores professores de matemática do mundo

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Considera-se que estudantes de Xangai estão três anos à frente dos outros

Considera-se que estudantes de Xangai estão três anos à frente dos outros

 

Vanessa Perasso, na BBC Brasil

Os professores de matemática de Xangai, na China, estão entre os melhores do mundo graças ao do alto desempenho de seus alunos em exames internacionais.

A reputação deve-se ao método empregado pelos docentes, que se tornou um dos principais produtos de exportação da cidade mais populosa da China – metade das escolas no Reino Unido, por exemplo, devem adotar o “sistema de ensino de Xangai”.

Estatísticas comprovam que alunos do ensino fundamental que aprendem matemática usando a técnica têm rendimento superior aos demais.

Os estudantes de Xangai, por exemplo, estão três anos à frente dos de outros países em termos de escolaridade.

Mas qual é o segredo do sucesso da cidade? A BBC compilou os princípios do método – bem como suas críticas.

Conceito é tudo

O método de Xangai estrutura cada aula em torno de um único conceito matemático – como aprender adições básicas, resolver uma equação ou entender as frações como parte de um todo.

E tudo é coberto muito metodicamente, de modo que a aula não avança até que cada estudante tenha entendido.

“Em muitas partes do mundo, acredita-se que uma boa aula é aquela que cobre grande parte da ementa do dia, ou seja, quanto mais se avança, melhor”, diz Mark Boylan, especialista em educação da Universidade Sheffield Hallam, do Reino Unido, e colaboradora da publicação Schools Week.

“Em Xangai, o objetivo é assegurar que um conceito seja totalmente aprendido e não seja ensinado de novo no futuro.”

Especialistas em matemática consideram o sistema muito rigoroso ou exigente, baseado em manuais feitos sob medida que substituem folhetos ou planilhas.

Trata-se de uma metodologia altamente conceitual, na medida em que professores baseiam suas aulas em métodos fundamentais e leis da matemática, embora os alunos sejam encorajados a representar fisicamente os conceitos usando objetos e imagens para ajudá-los a visualizar ideias abstratas.

Além disso, a forma como os alunos falam e escrevem sobre matemática, acreditam os especialistas, pode contribuir para seu sucesso.

“Sempre lhes pedimos para explicar a resposta em frases completas. Ou seja, não adianta escrever apenas a resposta certa, mas entender o conceito. Essa é a chave para construir o raciocínio lógico e a linguagem matemática”, informa o programa de desenvolvimento profissional Mathematics Mastery, baseado no método asiático.

Por outro lado, críticos dizem que o sistema é muito abstrato e não aplica a matemática em cenários da vida real.

Alguns também argumentam que o método ensina os alunos a se preparar para provas, ou seja, a ter um bom desempenho nos exames internacionais, mas sem adaptar o conhecimento a situações do dia a dia.

Unidos venceremos

Há também um princípio de coesão por trás do método de Xangai: a classe aprende como se fosse um só aluno, todos avançando no mesmo ritmo – não prosseguindo se alguém ainda estiver com dúvidas.

Os professores, por exemplo, não dividem o grupo com base na capacidade individual, nem em tarefas com dificuldade variada. Todo mundo é considerado um matemático nato e cabe aos professores tirar o melhor dos alunos.

Os estudantes com melhor desempenho são encorajados a aprofundar o conhecimento e ajudar o restante da classe, em vez de se distanciarem dos colegas menos aptos.

Enquanto essa busca pela igualdade dentro de sala é comemorada por muitos, críticos acreditam que o sistema desestimula os estudantes mais avançados, que acabariam ficando entediados.

A disposição das carteiras, porém, segue o modelo tradicional – o que, segundo críticos, não estimula a colaboração entre os pares.

“Trata-se de uma disposição rígida e pouco inspiradora”, dizem.

Repetição, repetição, repetição

A repetição de conceitos também é um ingrediente fundamental da receita secreta de Xangai.

Crianças a partir de cinco anos são submetidas a testes para praticar exercícios até dominar cada conceito por meio da repetição.

Um aluno responde à pergunta de um professor e os outros repetem a resposta em uníssono. Em seguida, outra responde a uma outra pergunta e o restante repete. A sequência continua à exaustão.

Nessa rotina militar, espera-se que os estudantes aperfeiçoem o uso do vocabulário matemático – não apenas exercícios de matemática – na medida que a aula avança.

Mas as aulas são também muito interativas, destacam os especialistas.

Além disso, são curtas e harmoniosas: consistem de 35 minutos de ensino focado, seguido de 15 minutos de brincadeiras não estruturadas.

A estrela: o professor

Mas é no número de horas em sala de aula que se encontra o que é talvez o fator mais negligenciado da história de sucesso de Xangai.

Uma avaliação do modelo de ensino, publicado na semana passada pela Universidade Sheffield Hallam, mostrou que os professores só têm duas aulas diárias de 40 minutos.

O resto do dia é dedicado ao desenvolvimento profissional, incluindo feedback entre os colegas e observação das aulas.

Mas o mais importante é que um professor de matemática em Xangai passa até cinco anos na universidade estudando especificamente como ensinar matemática a alunos do ensino fundamental.

“Parte do sucesso do ensino de matemática em países como China e Cingapura vem do respeito aos professores e do tempo que eles têm para se planejar e preparar”, diz o especialista em educação britânico James Bowen.

No entanto, críticos argumentam que há um descompasso entre o bem-estar dos professores e o dos estudantes.

Um estudo de 2014 sobre o bem-estar da criança, realizado pelo Instituto para o Desenvolvimento Social na NYU Xangai, revelou que enquanto a maioria das escolas está equipada com salas de aula adequadas, bibliotecas e laboratórios de informática, não têm facilidades como auditórios, ginásios ou salas de reuniões.

E cerca de 13% das crianças apresentam saúde regular ou ruim.

Líder em educação, China faz aluno estudar três vezes mais que o resto

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Alunos de Xangai fizeram maiores média do Pisa em matemática.
Para educador, método de ensino privilegia cálculo e prejudica criatividade.

Publicado no G1

Estudantes gritam frases como 'Eu preciso ir para a faculdade' e 'Pai e mãe, eu amo vocês' após uma palestra para elevar a moral dos alunos antes de exames em um colégio de Nanjing, na China. (Foto: Sean Yong/Reuters)

Estudantes gritam frases como ‘Eu preciso ir para a faculdade’ e ‘Pai e mãe, eu amo vocês’ após uma palestra para elevar a moral dos alunos antes de exames em um colégio de Nanjing, China. (Foto: Sean Yong/Reuters)

Primeiro lugar no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2012, a província de Xangai, na China, tem um exigente sistema de ensino que cria vantagens e deficiências na formação dos seus estudantes. Cálculo e memorização do conteúdo são as prioridades no ensino, deixando de lado a criatividade e a capacidade de análise e de expressão. Além de passar a manhã e a tarde na escola, os alunos da China estudam em casa quase três vezes mais que a média mundial. A maioria gasta em média 13,8 horas diárias fazendo lição de casa, segundo o governo chinês. A média mundial é de 4,9 horas.

Especialistas chineses ouvidos pela Agência Efe afirmam que por causa da forte competição da sociedade local, os alunos passam todo o tempo livre estudando, e que é preciso alcançar um equilíbrio saudável.

A China aparece dividida em províncias no relatório do Pisa. Xangai ficou em primeiro lugar nas três áreas avaliadas: matemática, leitura e ciências. Hong Kong e Macau, outras províncias do país, ficaram em terceiro e sexto lugares, respectivamente, na avaliação de matemática. O Brasil ficou na 58ª posição entre 65 países avaliados. A prova é aplicada a alunos de 15 anos de idade. Cerca de 6,4 mil alunos de 155 escolas de Xangai fizeram a prova do Pisa.

Estudante faz exercícios para treinar para a prova do 'Enem Chinês' (Foto: Reuters)

Estudante faz exercícios para treinar para a prova do ‘Enem Chinês’ (Foto: Reuters)

O relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que contou com a participação de meio milhão de adolescentes, serve de referência para os países estabeleceram políticas públicas de educação. No caso da China, vai servir também para uma reflexão sobre os caminhos nos quais os jovens estão seguindo.

Estudantes da China sofrem uma grande pressão de pais, professores e da sociedade em geral. Só quem alcança um sucesso acadêmico consegue competir por um bom emprego no país mais populoso do mundo. Para o professor de psicologia Sun Shijin, da Universidade Fudan de Xangai, as críticas que este método de ensino recebe do Ocidente “são razoáveis”.

Estudantes chineses em Pequim (Foto: Alexander F. Yuan/AP)

Estudantes chineses em Pequim (Foto: Alexander F. Yuan/AP)

Para o professor, a pressão que recebem, combinada a um grande número de horas de estudos que de tão intensa não deixa tempo livre para o jovem fazer outra coisa a não ser estudar, pode prejudicar o desenvolvimento saudável da sua personalidade e suas habilidades sociais.

“O ensino na Ásia em geral promove mais o cálculo e armazenamento de conteúdo em vez de desenvolver habilidades analíticas, imaginação e iniciativa pessoal “, admitiu Sun.  “O fato de Xangai tem tirado os melhores resultados nos testes do Pisa é uma boa notícia,  mas por outro lado , os estudantes chineses estão gastando mais tempo estudando do que outras partes do mundo, e estão fazendo um grande sacrifício.”

Alunos assistem ao lado da bandeira chinesa a cerimônia de graduação na Universidade de Fudan, em Xangai. (Foto: Aly Song/Reuters)

Alunos assistem ao lado da bandeira chinesa a cerimônia de graduação na Universidade de Fudan, em Xangai. (Foto: Aly Song/Reuters)

Estudantes chineses são forçados a tomar cuidado para ser muito bom em cálculo e memorização de conteúdos, mas eles não são ensinados a se expressar, a comunicar suas ideias ou a trabalhar em equipe. “Essas críticas são razoáveis, embora a opinião da sociedade está começando a mudar , porém ainda não é suficiente”, disse Sun . “Esta prova do Pisa faz sentido para uma sociedade em desenvolvimento industrial, mas não para uma sociedade informatizada e de serviços como começa a ser a China.”

Para Sun, em uma sociedade desenvolvida é muito mais importante fomentar as habilidades de criatividade e comunicação do que a de cálculo e memorização de conteúdo. O pesquisador acredita que a China logo vai tomar consciência disso.

enem chinês (Foto: Reuters)

Jovem segue para prova do ‘Enem chinês’
(Foto: Reuters)

‘Enem chinês’
Depois do ensino médio, os jovens chineses fazem o exame nacional de admissão para a universidade, o gao kao, uma espécie de “Enem chinês”.

O futuro dos jovens que terminam o ensino médio é definido por uma bateria de cinco provas nestes dois dias, cada um com nove horas de duração. Com a nota do exame, os alunos tentam entrar em uma vaga em uma das universidades chinesas. As universidades definem um número limitado de vagas de acordo com os cursos e as modalidades oferecidas.

Zhang Minxuan, presidente da Universidade de Professores de Xangai, coordenou as provas do Pisa na China. Ele diz que os estudantes traduziram bem problemas práticos reais em exercícios matemáticos, mas tiveram dificuldades para expressar e raciocinar sobre os resultados obtidos. “É bom ver que nossos estudantes fizeram o Pisa tão bem, mas vale a pensa penser se a gente precisa de tantos alunos tão bons em matemática.”

“É necessário um equilíbrio entre o estudo e o tempo livre para o desenvolvimento pessoal”, destacou Sun. Ele citou como exemplo a ser seguido o comportamento da Finlândia. “Consegue bons resultados no Pisa, mas não há uma competitividade tão forte entre seus alunos e não tem tanta carga de estudos. Eles respeitam o estudante, e é algo que a China ainda precisa aprender.”

Pais, professores e amigos se despedem dos alunos da escola Maotanchang, na província de Anhui, na China, que vão fazer o gao kao (Foto: China Daily/Reuters)

Pais, professores e amigos se despedem dos alunos da escola Maotanchang, na província de Anhui, na China, que vão fazer o gao kao (Foto: China Daily/Reuters)

Finlândia cai
A Finlândia, no entanto, caiu no ranking de matemática, de 5º lugar em 2009 (541 pontos) para 12º lugar em 2012 (519 pontos). A educação finlandesa já liderou o ranking dez anos atrás. A ministra da Educação da Finlândia, Krista Kiuru, alega que o declínio do desempenho do país está relacionado a uma falta de motivação dos alunos.

“Avaliações anteriores já sinalizaram declínio nos resultados da aprendizagem, onde as atitudes em relação à escola tornaram-se menos positiva entre os alunos e a sociedade”, disse a ministra. “Além de fortalecer a igualdade , devemos encontrar meios para melhorar e manter a motivação em aprender e estudar e tornar as escolas um bom ambiente para os alunos.”

Rovio vai lançar plataforma educativa baseada em “Angry Birds” na China

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Publicado por Folha de S.Paulo

A Rovio, desenvolvedora da franquia “Angry Birds”, está levando o universo de sua popular série de games para as salas de aulas da China.

Em parceria com a Universidade de Helsinque, na Finlândia, o estúdio criou o “Angry Birds Playground”, um conjunto de materiais educacionais baseado no currículo escolar finlandês e estrelado por personagens dos jogos.

Voltado para alunos do jardim de infância, o projeto foi revelado na semana passada, na China, e será lançado numa escola em Xangai. O material –formado por livros, pôsteres, um instrumento de cinco cordas, jogos físicos e conteúdo digital– cobre temas como linguagem, matemática, artes, música e educação física.

Desenvolvedora finlandesa Rovio vai levar sua série de games "Angry Birds" para as salas de aula / Divulgação

Desenvolvedora finlandesa Rovio vai levar sua série de games “Angry Birds” para as salas de aula / Divulgação

“Não estamos falando de games apenas: é uma abordagem de aprendizado completa, da qual os jogos fazem parte”, disse ao jornal britânico “The Guardian” Sanna Lukander, vice-presidente do setor de ensino e publicação de livros da Rovio.

“Não é aprender sentado e brincando com um aparelho eletrônico. Há um fundamento real nisso, e um equilíbrio saudável entre descanso, brincadeira e trabalho”, complementou.

Como aponta o veículo, o “Angry Birds Playground” é muito mais do que dar um viés educativo para a série: o projeto é sobre exportar “a filosofia e o expertise educacional” da Finlândia para o resto de mundo através de uma marca popular.

A Rovio já trabalhou com organizações como NASA, National Geographic e CERN (Centro Europeu de Pesquisa Nuclear, na sigla em francês), a fim de produzir material educativo. Mas “Angry Birds Playground” seria algo muito mais “ambicioso”.

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