Matar nossos deuses (4)

“Com frequência acontece também entre os cristãos darmos por suposto que partimos de uma determinada imagem de Deus. Procedemos como se já soubéssemos quem é Deus. Normalmente temos na cabeça uma ideia, muito divulgada, de uma espécie de filosofia ou metafísica grega muito elementar, mas muito arraigada. Deus é, desde esse ponto de vista, o omni-todo: o onipotente, o onisciente…uma imagem de Deus vinculada ao “imaginário” do poder, do ser, da força, da imposição, do maravilhoso. Já temos revelado o mistério de Deus. Não deixamos espaço para a novidade do Deus dos evangelhos, do Deus de Jesus.

Quando chega o Deus de Jesus e vai se manifestando ligado ao rebaixamento, à limitação e à impotência, à vulnerabilidade e ao sofrimento, à pobreza, à oferta não impositiva, à compaixão e ao perdão não o reconhecemos. O Deus de Jesus tem seu lugar suplantado pelo Deus pagão.

Nossa tarefa, portanto, é árdua, custosa: temos de matar nossos deuses. Temos de voltar a colocar em nossa mente e coração a imagem escandalosa do Deus de Jesus.”

José María Mardones, em Matar nossos deuses (Editora Ave Maria).

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