Justiça de SP proíbe livro distribuído a alunos do estado por considerar conteúdo erótico

Depois de o Conselho Nacional de Educação (CNE) recomendar que o livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, não seja distribuído às escolas públicas por ser considerado racista, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) proibiu que a obra Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século continue sendo entregue a alunos da rede estadual paulista. De acordo com a decisão, em caráter liminar, a obra contém “elevado conteúdo sexual, com descrições de atos obscenos, erotismo e referência a incesto”.
A obra faz parte de um programa da Secretaria de Educação de São Paulo que distribui livros para alunos da rede. O projeto destina-se a estudantes dos últimos anos do ensino Fundamental e Médio. O órgão não confirmou quantos exemplares foram distribuídos, nem a faixa etária dos alunos que os receberam. Também não informou se irá recorrer da decisão.
O livro reúne contos de autores brasileiros publicados a partir de 1900, entre eles Machado de Assis, João do Rio, Lima Barreto, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector. A principal motivação para o tribunal vetar a obra seria o texto Obscenidades para uma Dona de Casa, de Ignácio Loyola Brandão, que conta a história de uma mulher casada que recebe cartas anônimas de um homem.
A decisão do tribunal diz que o texto é “inapropriado para estudantes do segundo ciclo do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, que têm entre 11 e 17 anos, sem desmerecer, em hipótese alguma, a qualidade técnica e literária das obras.”
A Secretaria de Educação está proibida de distribuir o livro sob pena de multa de R$ 200 por exemplar que seja entregue aos alunos. Entretanto, os livros que já estão com os estudantes não precisarão ser recolhidos. Segundo o TJ-SP, “o eventual desrespeito à dignidade das crianças e adolescentes já teria se consolidado, portanto, seria ineficaz o recolhimento das obras”.

 
Fonte: O Globo

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3 thoughts on “Justiça de SP proíbe livro distribuído a alunos do estado por considerar conteúdo erótico

  • 19 de novembro de 2010 em 17:10
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    Mais uma vez a doença da incapacidade afeta tais órgãos chamados de competentes (TJ-SP), ou que se sentem superior para exercer mandatos.
    Um conto julgado como erótico desqualifica todos os outros, como ele fosse levar os jovens a ter relações sexuais fora da "ética" imperalista da "boa família".
    Daqui a pouco irão acordar e perceber que o erotismo, presente em tal conto, é tão simples, singelo e meigo, comparado ao uso quase uníssono que os jovens fazem da internet.
    Mas não é necessário comparar tais extremidades. Deixar claro sim: o erotismo faz parte do cotidiano, ligue a tevê!
    Comedir livros por achismos ou ideologia ignóbil é tão comum no Brasil que até me espantaria não ler uma notícia hedionda como esta o é.
    O livro está proibido, não há retorno, a voz de deus imperou, porém a qualidade literária ficou à mercê da incompetência, mais uma vez.

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  • 19 de novembro de 2010 em 19:22
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    parabens pelo blog,
    realmente esta materia é legal.

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  • 28 de novembro de 2010 em 16:10
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    Meu, isso é ridiculo, se formos parar para pensar, o livro mais conhecido mundialmente,independente de qualquer religião, a bíblia sagrada, contém incesto, assassinato, bigamia, e para isso não basta muito, basta ler o livro de Genesis que contém isso tudo,e é sagrado.
    Conteúdos eróticos estão por toda parte.

    Enfim né….

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