Biblioteca que sai do lixão

Entre mais de 10 mil títulos catados em aterro, estão clássicos nacionais e internacionais

Francisco Edson Alves

Catador de papel do Lixão de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada, e uma das estrelas do filme ‘Lixo Extraordinário’, que concorre ao Oscar de melhor documentário em Hollywood, José Carlos da Silva Bahia Lopes, o Zumbi, de 35 anos, está montando uma biblioteca com livros que acha entre latas, plásticos, garrafas, moscas e urubus.

Ainda sem estantes para acondicionar os livros, Zumbi separa as obras, que são guardadas em caixas de papelão | Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia

Ao longo dos últimos 25 anos, ele já conseguiu salvar mais de 10 mil títulos, guardados em caixas de papelão na Sala Cleuza Maria da Silva Bahia — nome em homenagem à sua mãe, que morreu há 7 anos —, na associação dos catadores.

“Espero contar com doações de estantes para abrir o espaço para as cerca de 7 mil pessoas da comunidade”, diz Zumbi. Ele conta que estudou apenas até o 2º ano do Ensino Fundamental, mas aprendeu a ler e escrever através dos livros que resgata no aterro sanitário. “Já perdi a conta de quantos livros li nas últimas duas décadas. Graças a eles, hoje sou uma pessoa informada e antenada com o mundo”, garante.

Entre as “caixinhas de surpresas”, como Zumbi chama carinhosamente os livros, estão dicionários, manuais de informática e de noções de Direito Penal e obras de ficção famosas como ‘O Código da Vinci’ e ‘Anjos e Demônios’, do badalado escritor norte-americano Dan Brown. Entre os achados, há também sucessos de grandes autores brasileiros, como Carlos Drummond de Andrade (‘O Avesso das Coisas’ e ‘Contos de Aprendiz’), Clarice Lispector (‘A Hora da Estrela’), Machado de Assis (‘Dom Casmurro’) e Paulo Coelho (‘O Alquimista’).

A iniciativa do catador é lição de vida e alerta para o poder público. Estudo recente feito pelo Movimento Todos pela Educação apontou que seria necessária a construção de 25 bibliotecas por dia no Brasil até 2020, para atender a uma lei sancionada ano passado, pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, determinando que todas as 200 mil escola de educação básica devem ter biblioteca.

Fonte: O Dia

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7 thoughts on “Biblioteca que sai do lixão

  • 31 de janeiro de 2011 em 22:05
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    parabéns pra ele pelo esforço e dedicação, precisamos de mais pessoas assim ;D
    abrçs

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  • 10 de fevereiro de 2011 em 14:59
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    Com imenso prazer dou minhas homenagens ao José Carlos da Silva Bahia Lopes, pelo trabalho e dedicação. E é por uma iniciativa como esta que começa a fazer sentido o slogan “todos pela educação”. Deixo aqui inda um apelo para que haja a conscientização em massa para que estas prateleiras sejam adquiridas.
    Ressalto novamente minhas felicidades ao portador desta boa ação e ao editor deste artigo.

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  • 6 de abril de 2011 em 23:37
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    Ola,

    gostaria de fazer a doação de uma coleção incrivel da revista National Geographic. Tem exemplares dos anos 50 até os atuais, calculo cerca de mais de 150 edições. Mesmo sendo importadas, com texto em ingles, podem ser de grande utilidade cultural e tambem servir como material de apoio para aqueles que querem aprender o idioma ingles.
    Se houver interesse, por favor me informe o endereço da biblioteca que ficarei muito feliz em fazer a doação pessoalmente e ter a alegria de conhecer o espaço do Seu Francisco Edson Alvez.

    Obrigada.

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