Livro de Danilo Gentili na mira das escolas

Colar na prova, não entregar as lições de casa, matar aulas, fazer bagunça na sala e ainda dar choque nos colegas, e tudo mais que possa irritar um professor e transformar alguém no pior aluno da escola, está sendo ensinado, passo a passo, lição a lição em livro que já está circulando entre estudantes de escolas de Natal. Lançado em 2009, o livro “Como se tornar o pior aluno da escola”, do comediante, publicitário e cartunista Danilo Gentili, do “CQC”, da Band, é polêmico e oferece 23 lições para que o leitor se transforme em um baderneiro de mão-cheia.
Professores, pais e até mesmo os alunos se unem na crítica ao livro que não recomendam para ninguém, porque dizem estimular a violência, o bullyng e a irresponsabilidade, prejudicando a formação educacional da criança e adolescente. Ao ter conhecimento que um aluno tinha conseguido um exemplar, o coordenador pedagógico do Colégio Marista Santo Antônio, Nery Adamy, chamou a atenção dos pais e professores. “Esse livro é uma afronta à boa convivência entre professor e aluno em sala de aula. Apesar de o livro estampar na capa que não é recomendável para estudantes, ele direciona sua mensagem exatamente para as crianças e adolescentes em idade escolar. Considero uma irresponsabilidade absurda e descompromisso com educação o fato de uma editora publicar um material desses usando o título de humor”.

Para o coordenador pedagógico, o livro deturpa os valores, incita o aluno à prática de atos de vandalismo na escola e a ter uma conduta que pode influenciar seu comportamento durante toda vida. Para o autor é normal que o aluno desrespeite professor, pais, família e os próprios colegas, tornando a sala de aula um ambiente que ele chamou de “selva escolar”.

O professor João Maria Fraga, que também é pai dos alunos Luan Fraga, 13, e Sophia Fraga, 7, também externou seu descontentamento com o livro: “Eu tenho amigos que gostariam de lançar livros de poesia, romances e verdadeiras obras de pesquisa e não conseguem porque faltam recursos. Enquanto isso, entra no mercado um livro desses que só promove a inversão dos valores. Por que não lançam um livro mostrando como ser um excelente aluno em sala de aula, ou como ser um o melhor pai para a família?”, indaga o professor.

O presidente do grêmo estudantil do Marista, Felipe Augusto Madruga, 16, também faz restrições ao livro. Estudante do segundo ano do ensino médio, ele considera o livro um verdadeiro manual do vandalismo. “Isso é uma apologia ao erro na sala de aula, o livro influencia negatiamente crianças, adolescentes e jovens que ainda não têm consistência psicológica. Esses atos praticados podem ter consequências horríveis não apenas para o estudante como também para o futuro profissional”.

Os capítulos do livro são cheios de ilustrações feitas pelo próprio comediante, ensinando a colar nas provas, chegar atrasado, criar uma doença convincente, colocar apelidos nos colegas, brigar, jogar a culpa no outro, espalhar fofoca e até a não ler livros e dar choque elétrico no colegase professores.

Obra irônica

Indignado com o que viu, o professor Nery Adamy resolveu enviar um e-mail para editora Panda que publicou o livro. Na mensagem ele disse que ficou indignado não pela falta de responsabilidade social do autor, mas sim de uma editora que se presta a isso. Em resposta ao professor, a editora disse que o livro, na verdade, usa de muita ironia para criticar os maus alunos, os professores relapsos e também os estabelecimentos de ensino que só estão preocupados em lucrar, e não em ensinar.

Experiência própria

Danilo sabe como “ensinar” todas estas artes porque ele próprio foi o pior aluno da escola. Em seu histórico escolar, acumulou 78 assinaturas no livro negro, 12 suspensões e 1 expulsão. Na infância ele já dava mostras de seu futuro: aos 4 anos fez sua primeira piada inconveniente, e, aos 7, começou a desenhar planos terríveis.

Apesar de ter sido expulso algumas vezes da sala de aula da faculdade, conseguiu formar-se em comunicação social. Após a expulsão de vários empregos, ajudou a erguer o cenário da comédia stand-up no país e foi convidado para integrar o programa de humor “CQC”. Em sua primeira matéria para o programa conseguiu ser expulso do zoológico, e a primeira vez em que visitou Brasília foi expulso do Congresso.

Fonte: Diário de Natal

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14 thoughts on “Livro de Danilo Gentili na mira das escolas

  • 20 de fevereiro de 2011 em 0:36
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    Baixinhos de Natal, não se preocupem. A tia Carol tem o livro e aprendeu todas as lições. Conto a histórinha pra vocês, ta?

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  • 20 de fevereiro de 2011 em 21:02
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    É isso mesmo!! vamos queimar esse livro e tantos outros livros subversivos que incitam a insubordinação!! As crianças tem que ter seu foco direcionado apenas para os estudos, aprendendo a serem zumbis retardados que só sabem obedecer ordens.

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  • 24 de fevereiro de 2011 em 13:08
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    A polêmica é só uma forma de divulgar e vender mais livros. Em vez de diminuir, isso faz aumentar as vendas com publicidade gratuita.

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  • 24 de fevereiro de 2011 em 14:04
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    Imagine!Que ele disse que foi Pastor!Este lobo foi afastado por Deus
    do rebanho, que exemplo…

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  • 24 de fevereiro de 2011 em 14:22
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    Já começa que esse Danilo é um grande babaca né…

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  • 24 de fevereiro de 2011 em 15:59
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    Pessoalmente, acho Danilo Gentili um “projeto” de comediante. Não tem graça alguma, apoia-se em preconceitos (queira ou não, gordos existem, prostitutas estão trabalhando, e daí? Viva e deixe viver). Observe que o “comediante” consegue exprimir seu mau humor quando alguma piada é mal interpretada ou quando ele recebe uma piada muito melhor que a dele na cara. Ele é um frustrado, tem esse ridículo “complexo de Seinfeld” e se acha o homem mais engraçado do país. Esse livro só vem a confirmar a falta de tato que ele tem, ao praticamente ensinar (mesmo com toda a “ironia e crítica ao ensino brasileiro”) a desrespeitar professores. É certo que há professores e há professores, mas o público de leitores generaliza esse fato. E todos são incitados a praticar atos de gosto duvidoso, assim como seu público é incitado a rir de outros. Patético, desnecessário e estúpido.

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  • 24 de fevereiro de 2011 em 17:14
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    q babaquice essa deafastado por Deus do rebanho. afastado porra nenhuma Deus não afasta ninguém

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  • 24 de fevereiro de 2011 em 17:29
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    Em tempos atrás esse cara poderia ser considerado um revolucionário. Não liguem pra o que os professores dizem, nem para o que alunos de ensino médio cantaricam. Aliás, quando os alunos da cidade de Natal entram no ensino médio – fase de intento intelectual -, a escola oferece um pacote completo pra Disney, pronto apenas para a assinatura do pai. Esses são os alunos bons, coesos na ordem escolar, que não apresentam problemas e seguem alimentando a ganância educacional. Uma pena, os alunos que aprenderam a ler tudo como manual, mais uma vez atrofiaram a interpretação; como os comentários teológicos daqui, dizendo que Deus abandonou o autor. Cada vez que alguém diz isso, fico triste, porque não conhecem Deus pelo senso, mas pelo conceito de 140 caracteres; que não vibram vida, como os alunos ‘coesos’.

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  • 25 de fevereiro de 2011 em 17:40
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    “Quando livros começam a ser queimados, os próximos serão humanos.” Vamos voltar à era das trevas, à sensura, à repressão medieval e ao medo? Falta sutileza, sensibilidade, licensa poética e capacidade reflexiva. O repúdio ao livro revela, na verdade, a sofrível qualidade do ensino no Brasil. Ainda não o li, mas sei que qualquer livro pode ser lido (sem ser nocivo à mente) quando o leitor é maduro, instruído, lúcido e filosóficamente treinado.

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    • 28 de fevereiro de 2011 em 3:44
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      Caro Pr,
      preciso CENSURÁ-LO. Vejo que sua LICENÇA poética está afetando sua
      capacidade reflexiva. O livro não é dirigido ao leitor maduro, instruído,
      tão pouco filosoficamente treinado. Ele foi escrito para crianças e
      adolescentes.
      Precisa ler mais caro Pr .

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      • 1 de março de 2011 em 1:21
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        Olá jusgarcia! Penso que a capacidade reflexiva começa a ser afetada quando apelamos à censura como solução para questões como esta. Pelo tom agressivo deduzo que você seja alguém afeito a impor restrições. Não como defesa, mas apenas para mostrar-lhe sua precipitação e desrespeito ao pensamento alheio, Sou teólogo, filósofo e psicólogo clínico; e saiba, leio, leio muito desde a infância e apenas por isso é que sei que o caminho jamais será o da censura. Cada um vê com os olhos que tem e discerne com a alma que é.

        Entendo seu ponto de vista – é o mesmo de muitos outros aqui – e, sem nenhuma demagogia, eu o compreendo; quis apenas apresentar um outro ângulo a ser considerado. Sei que os ambientes escolares tem se transformado em lugar hostil aos profissionais da educação. Não sou a favor da libertinagem e nem da violência, muitíssimo pelo contrário, sou militante pela paz.
        Como disse em meu comentário, não li o livro, apenas defendo a idéia de que a proibição jamais resolverá a problemática podendo agravá-la ainda mais.
        Serenidade…

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  • 26 de fevereiro de 2011 em 16:22
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    Precisamos de referências positivas em nosso país, gente que superou obstáculos através dos estudos e hoje contribui para o bem da sociedade … Como educador, quase apanhei em sala de aula por causa de vândalos que só queriam fazer baderna. Necessitamos de livros que edifiquem, desafiem, inspirem, elevem… Não precisamos de dicas “Como se tornar o pior aluno da escola”, pois, infelizmente, já nascemos com a maldade intrínseca em nossos corações.

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