Livros na estante = melhores notas de estudantes

Publicado originalmente por Mariana Mandelli, em O Estado de São Paulo
O aluno brasileiro que tem até 10 livros em casa tem notas 15% menores em português e ciências do que aquele que tem entre 100 e 200 obras literárias. No caso de matemática, o impacto é de 17%.

O estudo do Todos Pela Educação mostra que a quantidade de livros em casa acompanha uma melhora no desempenho no Pisa. Educadores concordam. Trata-se de um contraste grande, considerando que os estudantes brasileiros em média tem poucos livros em casa. Veja AQUI

“Um leitor crítico tem mais potencial na escola, especialmente nas disciplinas de ciências humanas. Um exemplo é o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): se não souber interpretar o texto, não adianta saber o conceito”, opina Luiz Chinan, presidente do Instituto Canal do Livro.

Para tornar as obras atraentes, as escolas investem em diversas iniciativas. No Colégio São Domingos, na zona oeste paulistana, por exemplo, os alunos fazem viagens à terra natal dos autores. Cordisburgo, no norte de Minas Gerais onde nasceu Guimarães Rosa, e o sul da Bahia, onde Jorge Amado ambientou suas histórias, são destinos certos. “O livro tem de fazer sentido. Só assim o aluno se interessa de verdade”, afirma o diretor Silvio Barini Pinto.

Promover a interdisciplinaridade, relacionando literatura com geografia e história, e trabalhar parcerias com as famílias são outros recursos explorados pelas escolas. “Com o repertório mais amplo, o aluno transporta conhecimento para sua vida escolar e para o mundo, contribuindo como cidadão”, conta Gisele Magnossão, diretora pedagógica do Colégio Albert Sabin.

Resultados

Os alunos que leem por prazer afirmam que é nítido o impacto positivo do hábito na vida escolar. Eliakim Ferreira Oliveira, de 15 anos, atribui sua conquista – uma bolsa no colégio Santa Maria – ao “vício” em livros. Ex-aluno da rede pública, ele se destacou por seu desempenho e conseguiu a vaga na escola, uma das melhores de São Paulo segundo o Enem.

“Ler bastante foi crucial na minha vida”, diz ele, que leu A Evolução da Física, de Albert Einstein e Leopold Infeld, aos 9 anos. Entre os autores que já leu estão Friedrich Nietzsche, James Joyce, John Keats e até Dan Brown (O Código da Vinci).

Brasil: baixa posição

A média do País no Pisa subiu 33 pontos entre 2000 e 2009. Mas o Brasil ainda figura no 53º lugar entre 65 países e a maioria dos alunos não passou do primeiro dos seis níveis de conhecimento.

PRESTE ATENÇÃO

1.Ler histórias com os filhos em casa é uma das principais dicas dos especialistas para despertar o interesse por livros nas crianças.

2.Os pais devem acompanhar, em parceria com a escola, como está a leitura dos filhos. Para isso, o contato com os professores é essencial.

3.Levar as crianças para visitar livrarias é uma boa opção. Presenteá-las com livros também é uma prática indicada pelos educadores.

4.Passeios por bibliotecas, públicas ou privadas, também ajudam a despertar o interesse. A escola deve estimular e pode acompanhar a ida.

5.Estimular a comunicação escrita com os filhos, por meio de bilhetes e e-mails, também é um modo de influenciar a criança a ler.

6.Além de livros, vale a pena incentivar as crianças a ler de tudo: jornais, revistas, gibis e até folhetos. Assim elas se sentem “parte do mundo”.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

2 thoughts on “Livros na estante = melhores notas de estudantes

  • 10 de março de 2011 em 20:16
    Permalink

    Creio que estão muitíssimo errados aqueles que dizem que se deve estimular o estudante a ler jornal. Quase tudo o que um jovem lê na adolescência será visto como falso em ênfase e interpretação antes que ele chegue aos vinte anos — isso quando essa leitura não terá perdido praticamente toda a importância. A maior parte do que ainda se lembrar, portanto, terá que desaprender. E, pior ainda, é provável que os jornais produzam nele um incurável gosto pela vulgaridade e pelo sensacionalismo, além do hábito fatal de esvoaçar de parágrafo em parágrafo para descobrir que uma atriz se divorciou na Califórnia, um trem descarrilou na França e quádruplos nasceram na Nova Zelândia. (C.S. Lewis, Surpreendido pela Alegria) (Copiei do post da Norma Braga no facebook).

    Resposta
  • 11 de março de 2011 em 4:24
    Permalink

    É de fundamental importância a participação dos pais e professores na formação do leitor crítico.
    Em minha experiência em salas de aula, percebo que os pais não cultivam o hábito da leitura, por conta disto não incentivam seus filhos. Já que a grande maioria sequer imagina a importância da leitura para mudar pessoas, seria desejável que fosse feito algo no sentido de conscientizar a população – a fim de que pudessem se beneficiar e incentivar seus filhos.
    Aí sim, teríamos um país melhor em todos os aspectos.

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *