Os 10 livros mais contestados de 2010

Publicado originalmente no Recanto das Palavras

Até “Crepúsculo”, de Stephenie Meyer, entrou na lista dos livros mais contestados de 2010.

Vale lembrar que essa lista já teve a “honra” de incluir livros como A Cor Púrpura, de Alice Walker; O Apanhador no Campo de Centeio, de J.D. Salinger e O Sol é Para Todos, de Harper Lee.

Parece que a prática de colocar livros no Index permanece em pleno século XXI. Hoje não são os papas ou donos das religiões que determinam o que deva ser lido ou não. Afinal, a sociedade é plural e de acordo com uma ideia geral, mas não tão observada, todos nós temos direito a informação. A questão é quem filtra a informação. Cada indivíduo, um governo, uma associação de classe ou um grupo de pessoas?

Leio agora, no The Guardian, que o livro “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley foi posto na lista intitulada “Os 10 livros mais frequentemente contestados de 2010” criada anualmente pela ALA (American Library Association), a partir de relatórios enviados por bibliotecários, professores, leitores e relatos da imprensa dos EUA. As razões para que este livro tenha sido colocado na lista? Vejamos:

  • Linguagem insensível e ofensiva
  • Racismo
  • Sexualidade explícita

Como vimos há pouco tempo no Brasil, um livro do Monteiro Lobato, Caçadas de Pedrinho , quase foi levado à fogueira por conter passagens tidas como racistas, isto é, não era politicamente correto para este início de século. E aí vem a questão baseada numa frase do historiador francês Marc Bloch: “Um homem não é filho de seus pais, mas filho do seu tempo”. Logo, a frase se aplica aos livros, mesmo que tempos depois o mesmo seja visto como ofensivo ou sei lá mais o quê.

Além do livro clássico de Huxley, que recomendo a leitura, outros 9 foram citados e tiveram expostos os motivos para tal. O primeiro deles é o premiado livro infantil And Tango Makes Three, que conta a história verídica de dois pinguins imperiais machos que chocam um ovo. Já deu para imaginar o motivo da contestação, não?

Eis a lista dos 10 livros mais contestados de 2010

1 – And Tango Makes Three, de Peter Parnell e Justin Richardson
(Homossexualismo, ponto de vista religioso inadequado e faixa etária não recomendada)

2 – Diário Absolutamente Verdadeiro de um Índio, de Sherman Alexie
(Linguagem ofensiva, Racismo, Educação Sexual, sexualmente explícito, inadequado para a faixa etária, Violência)

3 – Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley
(Insensibilidade linguagem ofensiva, Racismo, sexualmente explícito)

4 – Crank, de Hellen Hopkins
(Drogas, linguagem ofensiva, sexualmente explícito)

5 – Jogos Vorazes de Suzanne Collins
(Sexo explícito, inadequado para a faixa etária, violência)

6 – Lush, de Natasha Friend
(Drogas, linguagem ofensiva, sexualmente explícito, inadequado para faixa etária)

7 – What My Mother Doesn’t Know, de Sonya Sones
(Sexismo, sexo explícito, inadequado para faixa etária)

8 – Nickel and Dimed: On (Not) Getting By In America, de Barbara Ehrenreich
(Drogas, linguagem ofensiva, ponto de vista político, ponto de vista religioso)

9 – Revolutionary Voices, editado por Amy Sonnie
(Homossexualidade, sexualmente explícito)

10 – Crepúsculo, de Stephenie Meyer
(Ponto de vista religioso, Violência)

 

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