Lucinha Araújo conta em livro como ajudou crianças com Aids após a morte do filho Cazuza

 Agência O Globo/DivulgaçãoPublicado originalmente no UAI

História de amor e devoção

 

“Um filho não se conjuga no passado. Ele não foi, ele é, ele está (…)”, diz Gloria Perez, com propriedade, no prefácio do livro O tempo não para — Viva Cazuza (Editora Globo, R$ 39,90), de Lucinha Araújo (foto), que foi lançado semana passada, no Rio de Janeiro. Nas 250 páginas da obra, a mãe do cantor revela o quanto partilha do pensamento da amiga, que assim como ela, sofreu com a morte de um filho (a atriz Daniela Perez). “Nesse livro, conto o que fiz nesses quase 21 anos sem ele e histórias de vida dos bebês que chegaram à Sociedade Viva Cazuza”, explica Lucinha, referindo-se à ONG que ela criou para cuidar de crianças com Aids, síndrome que levou o filho à morte, em 1990.
Lucinha assegura que não se revoltou com Deus por tê-la feito vivenciar a morte de Cazuza. Mas diz que, quando encontrá-Lo, tomará satisfações: “Não tenho raiva, mas mereço uma explicação: todos os amigos do Cazuza aprontaram tanto quanto ele e estão vivos. Por que Ele levou meu filho? Talvez, umas das respostas seja a Viva Cazuza…”
Pela ONG já passaram 74 crianças com diagnóstico de Aids, e apenas três mortes foram registradas. Hoje, 25 moram na instituição. A luta para mantê-la valeu a Lucinha nove stents (próteses metálicas usadas para desobstruir artérias) e um marca-passo no coração. Ela venceu ainda um câncer de mama. “Não tenho medo de morrer”, afirma Lucinha, que também não acredita em vida após a morte: “Já me procuraram com cartas (psicografadas) dizendo que eram do meu filho. Elas diziam: ‘Estou arrependido do que fiz’. Mas Cazuza jamais se arrependeria do que viveu. Vi Nosso lar (filme baseado nos ensinamentos do médium Chico Xavier) e não acreditei em nada. Se tivesse alma do outro mundo, Cazuza já teria falado comigo.”

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4 thoughts on “Lucinha Araújo conta em livro como ajudou crianças com Aids após a morte do filho Cazuza

  • 30 de maio de 2011 em 1:14
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    “Deus faz o Sol nascer sobre justos e injustos.”
    Não há explicação para o fato de algumas pessoas fazerem e acontecerem e seguirem vivos, belos e saudáveis e, outros, seguirem suas vidas com seqüelas não maiores do que uma consciência pesada.
    Meu pai morreu em uma mina de carvão, quando minha mãe estava grávida, me esperando. A minha infância e de meus irmãos foi muito difícil. Como posso eu cobrar de Deus a razão de isto ter acontecido? Se não fosse meu pai, seria o pai de alguma outra criança. Deus foi injusto? Ou será que eu sofri as conseqüências da mineração irresponsável, que ceifou muitas e muitas vidas por causa da ausência de investimentos em segurança no trabalho?
    Deus é mesmo obrigado a  dar explicações sobre a morte de Cazuza ou de quaisquer outros que, como ele, passaram a juventude negando e fazendo piadas com Deus? (Ou alguém esqueceu das “Cobaias de Deus”?)
    É lógico que me compadeço da dor desta mãe. E também penso que ela sublimou sua dor em algo muito bonito. É claro que torço que O Espírito Santo a console.

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  • 2 de junho de 2011 em 2:55
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    Amiga Lucinha, eu era fã de Cazuza, sei que o que vou falar talvez você não consiga entender, pois parece-me que ainda estás triste com o nosso querido e amado Deus, mas pode ter certeza de uma coisa: o tempo de Cazuza conosco era aquele, por isso Deus o chamou para si. Quando ele partiu eu ainda não conhecia a palavra de Deus como conheço hoje e fiquei me perguntando porque Deus o havia chamado, ele era tão jovem, tão talentoso, tão bonito! Mas, hoje eu sei que o tempo de Cazuza entre nós era aquele. Deus não o castigou tirando-o a vida, não teria razão para isso, pode ter certeza, amiga! Procure uma igreja, converse com Deus e terás uma resposta. A perda de alguém muito querido é difícil, eu que o diga que perdi meu esposo muito novo ainda por causa de um câncer que durou mais de 5 (cinco) anos de tratamento.Acredite não fiquei chateada com Deus, sei que os nossos dias aqui na esfera terrestre são contados até os segundos. Sofri muito, e para ser franca sinto muito a sua falta, mas procuro lembrar dos momentos felizes, alegres, das brincadeiras….. e isso me conforta. Todos os dias ao acordar agradeço a Deus por mais um dia… e por ele ter levado meu esposo para junto dele, o sofrimento acabou, pior seria se ele estivesse inválido em cima de uma cama! Pense nisso amiga! Eu admiro muito o seu trabalho.
    Um abraço e que Deus a abençoe confortando-a, fortalecendo-a para  continuar que esse trabalho belissimo que você faz.

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  • 2 de junho de 2011 em 11:58
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    Pedi satisfações a Deus?? Quem pensamos que somos nós??

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  • 2 de junho de 2011 em 18:00
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    Vivendo da maneira que e o Cazuza viveu, fica fácil constatar que ele cometeu uma espécie de suicídio a médio prazo. Não fica aqui nenhum tipo de julgamento moral, compartilho o sofrimento da Lucinha e me solidarizo. Entretanto, precisamos admitir que, quer queiramos ou não, todos temos limites pré estabelecidos e ninguém burla tais limites sem consequências por vezes fatais.

    Cazuza não respeitou seu corpo; não aliviou sua alma; não se amou e assim, detruiu-se. Se há um responsável pela morte do Cazuza é o próprio Cazuza. A atitude da mãe me lembra muito a dos pais daqueles pit boys que frequentam a mídia por sua crueldade e extrema violência, classe média, brucutus, lutadores de jiu jitsu que saem pelas ruas vandalizando, batendo, matando e se auto destruindo contando prá isso com apoio e cobertura total dos genitores. Que cada um assuma as responsabilidades por suas próprias opções adoecidas, suicidas e assassinas.

    Sou admirador do trabalho do Cazuza, e sei que sua morte precoce foi uma grande perda prá todos nós que amamos poesia, natureza, o novo e o belo. Se há um sentido para a insensatez da morte, esse pode ser o de nos alertar para o fato de que nossas vidas alcançam outras tantas vidas além de nós mesmos.

    Vivamos com paixão; com intensidade; vivamos com responsabilidade.

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