David Bowie chega ao Brasil com retrospectiva no MIS e livro

Gaía Passarelli, na Folha de S.Paulo

Os “cartões de estratégias oblíquas” criados por Brian Eno e usados na gravação da trilogia de Berlim estão lá. Filmagens raras da turnê do álbum “Diamond Dogs”, também. E ainda a primeira foto de divulgação, os macacões coloridos, a apresentação de “Starman” na BBC em 1972.

Seria preciso muito espaço para descrever o que se pode ver na exposição “David Bowie”, que o MIS (Museu da Imagem e do Som) paulistano abre ao público no dia 31.

É a maior retrospectiva já dedicada a um artista pop. Organizada pelo londrino Victoria & Albert Museum, a mostra teve acesso aos mais de 75 mil itens do David Bowie Archive, acervo pessoal que reúne fotografias, figurinos, estudos, pinturas e cenários usados ao longo dos 46 anos de carreira.

Macacão em matelassê, de 1972. O vestuário foi desenhado por David Bowie e Freddie Burretti para a capa do álbum Ziggy Stardust e para a turnê posterior
Macacão em matelassê, de 1972. O vestuário foi desenhado por David Bowie e Freddie Burretti para a capa do álbum Ziggy Stardust e para a turnê posterior / The David Bowie Archive/Divulgação
David Bowie, 1973, presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS
David Bowie, 1973, presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS / Masayoshi Sukita
David Bowie durante a filmagem do clipe de 'Ashes to Ashes', em 1980. Imagem presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS
David Bowie durante a filmagem do clipe de ‘Ashes to Ashes’, em 1980. Imagem presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS / Brian Duffy/Divulgação
Fotomontagem de David Bowie com fotos de cenas do filme 'O homem que caiu na Terra', 1975-1976
Fotomontagem de David Bowie com fotos de cenas do filme ‘O homem que caiu na Terra’, 1975-1976 / Filme de David James/The David Bowie Archive/Divulgação
Collant arrastão, de 1973. O vestuário foi desenhado por Natasha Korniloff para 'The 1980 Floor Show'
Collant arrastão, de 1973. O vestuário foi desenhado por Natasha Korniloff para ‘The 1980 Floor Show’ / The David Bowie Archive/Divulgação
Fotografias promocionais para Diamond Dogs, de 1974. Presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS
Fotografias promocionais para Diamond Dogs, de 1974. Presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS / Terry O\’Neill/The Davide Bowie Archive/Divulgação
Modelo do cenário para a turnê de "Diamond Dogs", de David Bowie, em 1974. Concepção de Jules Fisher e Mark Ravitz. Imagem presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS / The David Bowie Archive/Divulgação
Modelo do cenário para a turnê de “Diamond Dogs”, de David Bowie, em 1974. Concepção de Jules Fisher e Mark Ravitz. Imagem presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS / The David Bowie Archive/Divulgação
Conjunto em matelasse usado por David Bowie em 1972. O vestuário foi desenhado por Freddie Burretti para a turnê de Ziggy Stardust
Conjunto em matelasse usado por David Bowie em 1972. O vestuário foi desenhado por Freddie Burretti para a turnê de Ziggy Stardust / Richard Davis/Divulgação
Letra original de "Ziggy Stardust", de David Bowie, de 1972. Imagem presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS
Letra original de “Ziggy Stardust”, de David Bowie, de 1972. Imagem presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS / The David Bowie Archive/Divulgação
Collant de malha assimétrico usado por David Bowie em 1973. O vestuário foi desenhado por Kansai Yamamoto para a turnê do disco Aladdin Sane
Collant de malha assimétrico usado por David Bowie em 1973. O vestuário foi desenhado por Kansai Yamamoto para a turnê do disco Aladdin Sane / The David Bowie Archive/Divulgação
David Bowie, em imagem de 1973 presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS
David Bowie, em imagem de 1973 presente no livro sobre o músico, lançado pela Cosac Naify e na exposição no MIS / Masayoshi Sukita/Divulgação
Botas plataforma vermelha da turnê de 1973, cortesia do David Bowie Archive
Botas plataforma vermelha da turnê de 1973, cortesia do David Bowie Archive / David Bowie Archive Image/Divulgação
Foto original da capa do álbum "Earthling", de 1997
Foto original da capa do álbum “Earthling”, de 1997 / Frank W Ockenfels

“O desafio desse tipo de exibição é justamente reunir material, então nesse sentido boa parte do trabalho já estava feito,” conta Victoria Broackes, curadora do V&A ao lado de Geoffrey Marsh.

Mesmo assim, levaram dois anos visitando o arquivo. “Para mim, o mais excitante foi encontrar anotações, pequenos pedaços de papel com rabiscos à mão”, diz Broackes. A dupla de curadores ressalta que Bowie “escolheu não participar de nenhuma etapa da exposição”.

A montagem brasileira, com cerca de 300 itens, não é rigidamente idêntica à original, até por questões de espaço. Algumas peças menores podem não aparecer nos corredores do MIS, mas André Sturm, diretor-executivo do museu (e fã de Bowie) afirma, sem dar detalhes, que há “algumas novidades e uma estará logo na entrada”.

Geoffrey Marsh, curador do V&A / Divulgação
Geoffrey Marsh, curador do V&A / Divulgação

O livro comemorativo da mostra também ganhou versão nacional, uma coedição entre o MIS e a editora Cosac Naify. Com mais de 300 páginas, traz análises e ensaios sobre a influência de Bowie.

Sem dar entrevista há anos, Bowie não perdeu sua capacidade de manipular. “A ideia por trás dele é que você pode ser quem quiser”, diz Marsh. Fascinado pela cultura pop e também um ator e pensador sério, Bowie é “um mestre na manipulação da mídia”, lembra o curador.

Em março de 2013, encerrou uma década de reclusão lançando o álbum “The Next Day”. O disco concorre ao Brit Awards (artista solo e disco do ano) e ao Grammy (apresentação e álbum de rock).

DAVID BOWIE – MOSTRA
QUANDO abre em 31/1; ter. a sex., das 12h às 21h; sáb., das 10h às 22h; dom. e feriados, das 11h às 20h; até 20/4
ONDE MIS (av. Europa, 158, Jardim Europa; tel. 0/xx/11/2117-4777)
QUANTO ingressos antecipados por R$ 25, no site www.ingressorapido.com.br; no MIS, a partir de 31/1, por R$ 10; entrada gratuita às terças-feiras

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