A literatura pode fazer a denúncia da desigualdade e da miséria, diz moçambicano Mia Couto em Brasília

O escritor moçambicano Mia Couto é um dos participantes na 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, que está a decorrer em Brasília. Presente no debate sobre a “utopia do desenvolvimento sustentável”, que reuniu cientistas e escritores, Mia Couto criticou a ideia de que a natureza pode ser “controlada, administrada”.

Publicado no Portugal Digital

mia_couto2Brasília – O escritor moçambicano Mia Couto é um dos participantes na 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, que está a decorrer em Brasília. Presente, quarta-feira (16), no debate sobre a “utopia do desenvolvimento sustentável”, que reuniu cientistas e escritores, Mia Couto criticou a ideia de que a natureza pode ser “controlada, administrada”.

Para ele, é preciso localizar as razões pelas quais o mundo enfrenta, hoje, uma crise ambiental profunda: “Esse sistema não está mal porque não anda bem. Está mal porque produz miséria, desigualdade, causa ruptura em modos que vida que aí, sim, poderiam ser sustentáveis”.

Crítico da ideia de desenvolvimento sustentável, o escritor e também biólogo avalia que a ideia de desenvolver traz uma negação. “Estamos retirando o núcleo central, o ambiente. E essa negação é a negação da identidade cultural dos povos que foram expropriados”. Povos cujos modos de vida poderiam inspirar uma relação do homem com a natureza, que seja baseada no respeito e não na compreensão “de que a natureza pode ser vista como um recurso natural”, segundo Mia Couto.

Na opinião de Mia Couto a literatura pode, desde já, “mostrar que o ambiente não é assim como nós o arrumamos; mas é tudo; não está fora de nós; está dentro de nós. A literatura pode fazer e deve fazer essa denúncia daquilo que é uma espécie de fabricação permanente da desigualdade e da miséria”, afirmou. Crítico da situação atual, o escritor alertou: “Nós estamos falando de uma situação que poderá ser catastrófica. Mas para dois terços da humanidade, essa catástrofe já está aqui e vem por causa da fome, da guerra”. Agência Brasil

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