A magia da adaptação dos livros ao cinema

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Alguns bibliófilos afirmam que a adaptação é sempre pior que o livro, pois que apesar de toda sua variedade, os meios artísticos do cinema são limitados e frequentemente são incapazes de transmitir o estilo criativo do escritor.

 

Anna Fedorova, na Voz da Rússia

Terão sido muitos os diretores a não defraudar as expectativas dos leitores? Será frequente grandes livros se transformarem em filmes não menos grandes e que sobrevivem ao passar dos tempos?

Desde o aparecimento da arte cinematográfica que obras literárias servem de base para filmes. Uns dos primeiros a ser apresentado para a tela foram os romances de Swift, Defoe e Goethe. À primeira vista podia parecer que criar filmes com base num livro já escrito seria muito mais fácil que fazer um filme com base em um guião original. Contudo, não é bem assim.

O principal problema da adaptação é a questão eterna se a adaptação é apenas uma ilustração da obra escrita, ou se é um gênero autônomo que permite a liberdade criativa. Frequentemente, ao passar o livro para a tela, o diretor abdica de personagens secundárias e linhas narrativas e, pelo contrário, pode acrescentar coisas que não existiam na obra. Por tomar essas liberdades ele depois é criticado tanto pelos bibliófilos, como pelos cinéfilos.

A poetisa, crítica literária e, evidentemente, cinéfila Oksana Liskovaya reconhece:

“Durante a leitura muitos de nós criam um filme interior. São as impressões pessoais do que se leu, e isso pode não coincidir, o que cria um conflito natural. “Os Três Mosqueteiros” é, desde criança, o meu livro favorito, eu vi muitos filmes e nenhum deles corresponde à imagem idealizada pela minha imaginação.

Nos créditos é frequente estar mencionado “baseado em”, mas nós não reparamos e pensamos que o diretor filmou algo de diferente. Na realidade, isso é um aviso ao espectador sobre o condicionalismo, sobre a transferência para um plano de visão diferente. O nosso conflito com a adaptação é apenas o desfasamento entre nossas expectativas e uma regra que diz mais ou menos o seguinte: não se pode filmar assim um livro. Mas na realidade pode.”

Devemos sempre recordar que a adaptação é uma leitura do livro pelo diretor e ela pode diferir ou não da opinião da maioria dos leitores. Disso depende com frequência se se gosta do filme ou não se gosta. Se o diretor teve a sorte de adivinhar os gostos da maioria, a sua adaptação terá popularidade.

Os diretores são frequentemente acusados de deturpar a obra literária: de acrescentar paixões e mística ao jeito de Hollywood, de dinamismo e de elementos decorativos. Contudo, frequentemente são precisamente esses os condimentos que fazer reviver um episódio já conhecido e atraem o grande público, afirma Oksana Liskovaya:

“A adaptação ajuda a entender momentos importantes do texto e você volta a lê-lo. Assim, eu reli a “Anna Karenina” depois de ter visto o filme de Joe Wright. Muitos livros são vendidos em massa depois da saída das adaptações – isso é um fato e é importante que as pessoas recorram à fonte. O livro precisa hoje desse tipo de ajuda. Há pessoas que simplesmente têm dificuldade em ler e, nesse caso, a adaptação é mais uma forma de elas se aproximarem da grande literatura.”

Existirão os pares compostos por um bom livro e um bom filme? Há muitos exemplos desses. As adaptações dos dois primeiros volumes de “Harry Potter” de Joanne Rowling conquistaram o público por todo o mundo. O filme “Jane Eyre”, baseado no livro de Charlotte Bronte e dirigido por Franco Zeffirelli, se tornou num clássico como o próprio livro. O filme baseado no livro “Laranja Mecânica” não cede pela sua energia ao seu original literário. A minissérie “O Mestre e Margarida”, filmada pelo diretor Vladimir Bortko, é considerada uma das melhores adaptações para o cinema do romance homônimo de Mikhail Bulgakov.

A adaptação ao cinema é sempre uma visão diferente sobre a obra e que pode mostrar aquilo que o leitor podia não ter visto ao virar as páginas. Um bom livro é um estímulo para ver sua adaptação. Uma adaptação interessante é um bom pretexto para ler o livro. As emoções vivas transmitidas pela arte podem ser absorvidas de diversas fontes: leia, veja, sofra, pense – aí reside a essência da verdadeira arte.

O TOP-10 das adaptações com interesse:

“Lolita” de Vladimir Nabokov, dir. Stanley Kubrick

“O Poderoso Chefão” de Mario Puzo, dir. Francis Ford Coppola

“O Senhor dos Anéis” de J.R.R. Tolkien, dir. Peter Jackson

“Bel Ami” de Guy de Maupassant, dir. Declan Donnellan e Nick Ormerod

“O Perfume – A História de um Assassino” de Patrick Suskind, dir. Tom Tykwer

“Anna Karenina” de Lev Tolstói, dir. Joe Wright

“Os Miseráveis” de Victor Hugo, dir. Tom Hooper

“Grandes Esperanças” de Charles Dickens, dir. Mike Newell

“O Grande Gatsby” de Scott Fitzgerald, dir. Baz Luhrmann

“O Retrato de Dorian Gray” de Oscar Wilde, dir. David Rosenbaum

 

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