História do ‘quinto Beatle’ chega ao Brasil

Cesar Soto, na Folha de S.Paulo

A história de Brian Epstein, do momento em que se tornou empresário dos Beatles até sua morte por overdose em 1967, aos 32 anos, é retratada na história em quadrinhos “O Quinto Beatle”, escrita por Vivek J. Tiwary e desenhada por Andrew C. Robinson.

A obra tem como tema central os desafios enfrentados por Epstein, que era judeu e homossexual, para levar a banda ao sucesso. Chega ao Brasil no dia 12 pela editora Aleph, após cinco semanas consecutivas na lista de mais vendidos do “New York Times” -e uma indicação ao prêmio Eisner, o mais importante dos quadrinhos.

O título é tirado de um texto que Paul McCartney escreveu para o jornal britânico “The Independent” em 1999.

Ilustração dos quadrinhos mostra show dos Beatles em Liverpool no início da carreira / Andrew C. Robinson/Divulgação
Ilustração dos quadrinhos mostra show dos Beatles em Liverpool no início da carreira / Andrew C. Robinson/Divulgação

“Falam como se [o produtor] George Martin fosse o quinto Beatle por seu envolvimento musical, mas, particularmente nos primeiros dias, Brian era praticamente parte do grupo”, escreveu Paul.

O empresário, que conheceu a banda em 1961, idealizou o visual do início da carreira do quarteto, ao convencer os músicos a trocarem suas jaquetas de couro pelos ternos sem gola com os quais ficariam conhecidos.

Foi Epstein também quem insistiu para que atravessassem o Atlântico e conquistassem a fama nos EUA.

Em 1964, convenceu o apresentador Ed Sullivan a ceder espaço para uma apresentação dos Beatles, a primeira em solo americano. O show ficaria conhecido como o início da “Beatlemania”.

Na negociação entre o britânico e Sullivan retratada em “O Quinto Beatle”, o apresentador fala apenas por um boneco de ventríloquo -uma entre as cenas fantasiosas do livro, que misturam realidade com sonhos e alucinações.

Tiwary diz que os episódios fantasiosos emulam efeitos das drogas receitadas por médicos a Epstein para ele se “curar” da homossexualidade.

“Brian encarava muitos desafios. Era um jovem judeu e gay em uma época em que o antissemitismo era aceitável e ser homossexual levava à cadeia”, diz o autor.

O retrato do empresário rendeu à obra uma indicação ao prêmio Lambda Literary como melhor história em quadrinhos LGBT.

Ilustração mostra Brian Epstein recitando Shakespeare, tendo ao fundo momentos marcantes da banda / Andrew C. Robinson/Divulgação
Ilustração mostra Brian Epstein recitando Shakespeare, tendo ao fundo momentos marcantes da banda / Andrew C. Robinson/Divulgação

“Uma das belezas de sua vida eram as fintas que ele dava nos problemas. Brian vivia sempre à beira do perigo” diz Tiwary, que compara Epstein a um toureiro no livro.

“O touro dele pode ser sua sexualidade, seu problema com as drogas, seus demônios ou até mesmo os Beatles.”

A história é um projeto antigo do autor, produtor da Broadway que começou a pesquisa na faculdade. “Completei 40 anos em 2013 e agora posso dizer oficialmente que passei mais da metade da minha vida nesse livro.”

As principais fontes da obra foram Nat Weiss, advogado dos Beatles nos EUA, Joanne Petersen, assistente de Epstein, e Sid Bernstein, promotor de música que ganhou a fama de ter sido o homem a levar a banda para a América.

“Nat era o melhor amigo de Brian e seu maior confidente. Os dois eram gays, então dividiam as mesmas dificuldades. Joanne, que no livro é a base da personagem Moxie, estava com a polícia quando o encontraram morto. Ela era seu braço direito.”

“O Quinto Beatle” será adaptado para o cinema. Dirigido por Peyton Reed (“Separados pelo Casamento”), o filme tem roteiro assinado pelo próprio Tiwary, que ganhou de Paul e Ringo Starr o direito de usar suas canções.

Segundo Tiwary, o filme terá sequências que não estão nos quadrinhos. Ele já tem atores em vista para viver Brian, mas não diz os nomes.

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