Escritor defende violência sexual de ‘Game of Thrones’: ‘omitir seria falso’

O escritor George R.R. Martin, da série "Game of Thrones" (Foto: Matt Sayles/Associated Press)
O escritor George R.R. Martin, da série “Game of Thrones” (Foto: Matt Sayles/Associated Press)

Publicado na Folha de S.Paulo

Atenção: o texto abaixo pode conter detalhes da trama da quarta temporada de “Game of Thrones”. Se você ainda não assistiu a todos os episódios que foram ao ar até o momento, talvez seja melhor não ler.

O escritor americano George R. R. Martin, criador dos livros que inspiraram a série “Game of Thrones”, afirmou em entrevista que omitir as cenas de estupro e violência sexual do programa seria “totalmente falso e desonesto”.

As declarações foram feitas ao jornal americano “The New York Times”. Recentemente, a série vem sendo criticada por supostamente abusar das cenas de estupro para carregar a trama.

Uma cena específica, representada no terceiro episódio da quarta temporada, causou frisson nas redes sociais: o personagem Jaime Lannister, que tem um caso incestuoso com a irmã Cersei, foi mostrado estuprando-a ao lado do túmulo do filho de ambos —uma grande diferença com relação ao livro, onde o sexo entre eles é consensual.

Para Martin, embora seus livros sejam de fantasia, a base deles é a história da civilização humana. Por isso, esconder essas cenas seria “mentir” para os leitores e telespectadores.

“Estupro e violência sexual têm sido parte das guerras diárias que travamos, desde a antiga Suméria até o presente”, afirmou o escritor em entrevista ao diário americano.

“Omitir esses fatores de uma narrativa centrada na guerra e no poder seria totalmente falso e desonesto, e seria sabotar um dos temas dos livros: que os horrores da história da humanidade não vêm de orcs ou senhores das trevas, mas de nós mesmos. Nós somos os monstros. E os heróis também. Cada um de nós tem a capacidade de fazer um bem maior e um mal maior.”

Para Martin, a história da civilização é “escrita com sangue” e Westeros, o mundo ficcional onde “Game of Thrones” se passa, “não é mais sombrio e depravado que nosso próprio mundo”.

Segundo o escritor, o fato de que alguns críticos achem as cenas de violência sexual “excitantes” diz “mais sobre esses críticos do que sobre meus livros”.

“Algumas cenas [dos livros] são mesmo feitas para serem desconfortáveis, perturbadores, difíceis de se ler.”

Mesmo assim, ele se distanciou da série de TV ao dizer que, quando se trata de adaptações, as “escolhas artísticas” são feitas pelos adaptadores, não por ele.

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