Brasileiro que estuda nos EUA cria projeto educacional e ajuda jovens

Iniciativa em Santa Isabel (SP) já recebeu cerca de 1,5 mil alunos.
Projeto treina estudantes para olimpíadas do conhecimento.

Publicado por G1

Marco Antônio estuda no Instituto de Tecnologia de Massachussets e foi o idealizador do projeto. (Foto: Teresinha Pedroso/Arquivo Pessoal)
Marco Antônio estuda no Instituto de Tecnologia de
Massachussets e foi o idealizador do projeto.
(Foto: Teresinha Pedroso/Arquivo Pessoal)

Um projeto realizado em Santa Isabel vem transformando alunos em atletas do conhecimento. Intitulada “Olímpícos de Santa Isabel”, a iniciativa prepara estudantes dos ensinos fundamental e médio para competições de matemática, astronomia e outras áreas.

O projeto começou em 2008 quando o estudante Marco Antônio Lopes Pedroso, então aluno de uma faculdade pública brasileira, teve a ideia de ajudar outros jovens. Ele fez uma prova e conseguiu uma bolsa para estudar no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, o mais conceituado daquele país.

“A inspiração veio do fato de eu e meu irmão termos acesso a grandes oportunidades que surgiram a partir do nosso interesse em olimpíadas. A partir daí, meio que num senso de dever, decidimos mostrar esse mundo para outros alunos da nossa cidade. Hoje, vemos muitos e muitos alunos propagando essa ideia, principalmente alunos que se destacaram na Olímpicos e hoje estão liderando o projeto”, explica Marco Antônio. Hoje, o estudante está concluindo sua graduação em Ciência da Computação e de lá ajuda a coordenar o programa.

Projeto treina alunos para conseguir medalhas em olimpíadas de conhecimentos e bolsas em escolas particulares (Foto: Therezinha Lopes/Arquivo Pessoal)
Projeto treina alunos para conseguir medalhas em
olimpíadas de conhecimentos e bolsas em escolas
particulares (Foto: Therezinha Lopes/Arquivo Pessoal)

Olímpicos de Santa Isabel

Na iniciativa, os alunos da rede pública estudam gratuitamente, no contraturno do período escolar, durante a semana e até nos dias de descanso. Além de conseguir boas colocações em olimpíadas de conhecimentos, a intenção também é obter bolsas de estudo.

O Olímpicos atualmente tem 70 alunos fazendo curso pré-vestibular e cerca de 120 em treinamentos para olimpíadas. “Quem treina matemática eleva o nível de conhecimento para todas as outras áreas, inclusive biologia e português”, conta a coordenadora do projeto, Therezinha Lopes.

O Olímpicos de Santa Isabel já levou conhecimento a cerca de 1,5 mil jovens. Os alunos atualmente se preparam para a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Aeronáutica. Apenas no primeiro semestre do ano, os olímpicos farão provas para duas competições de física, duas de matemática, uma de informática e outra internacional de ciências.

Cursos são oferecidos durante a semana e também aos sábados e domingos (Foto: Therezinha Lopes/Arquivo Pessoal)
Cursos são oferecidos durante a semana e também aos sábados e domingos (Foto: Therezinha Lopes/Arquivo Pessoal)

Uma das revelações do projeto é Ana Paula de Oliveira Faria, de 15 anos. Ela conseguiu uma bolsa de estudos para cursar o ensino médio em um colégio particular da capital graças ao treinamento puxado em quatro anos no Olímpicos. Hoje é tão grata à iniciativa que dedica seus domingos a dar aulas para crianças no projeto. “Eu entrei com 10 anos, meio que por acaso. Mas gostei muito e acabei ficando. Sem o projeto, eu não teria conseguido a bolsa, nem sabia que existia essa possibilidade. Hoje dou aulas de matemática e química para crianças que têm a mesma idade que eu tinha quando entrei”, conta.

Aos 15 anos, Ana Paula dá aulas no projeto aos do- mingos e retribui o conhecimento que adquiriu. (Foto: Therezinha Lopes/Arquivo Pessoal)
Aos 15 anos, Ana Paula dá aulas no projeto aos do-
mingos e retribui o conhecimento que adquiriu.
(Foto: Therezinha Lopes/Arquivo Pessoal)

Ana Paula acumula 12 premiações em oimpíadas de conhecimentos. O reconhecimento mais recente foi uma menção honrosa na Olimpíada Brasileira de Química.

Khan Academy

O idealizador do Olímpicos de Santa Isabel conta que os alunos também estão aprendendo com a ajuda da Khan Academy, uma plataforma online internacional que ensina matemática por meio de videoaulas.

“Começamos esses testes pilotos de usar a Khan Academy com os alunos e eu estou atuando também como um tutor remoto através da plataforma. Tem sido bem interessante”, diz Marco Antônio.

Entre a conclusão de seu curso de graduação e o início de seu mestrado – também a ser cursado em Massachusetts – ele estará de volta ao país trabalhando na implantação da Khan Academy. “Durante os meses de junho a agosto, estarei no Brasil trabalhando na Fundação Lemann, ajudando a expandir o impacto do projeto Khan Academy nas escolas. Há chance de trabalhar também num possível braço do projeto focado em ensinar programação” conclui.

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