Doido por livros

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André Luiz Aguiar, no Caçadores

Desde cedo, quando trabalhava na roça no interior do Estado, Gilson Pereira já demonstrava amor pela literatura. Atualmente, aos 54 anos, ele possui uma biblioteca com aproximadamente 4 mil livros em casa e tem como hobby escrever sua própria obra. Por falta de apoio, condições e tempo, o entusiasmo hoje é menor, mas o sonho de publicar o que escreve segue vivo dentro dele.

Gilson Pereira ganha a vida como fiscal de transportes da Urbs, mas já realizou diversas atividades como professor, trabalhou em rádio, atualmente ensaia um grupo de teatro, entre outras coisas. Residente do Jardim Aliança, no bairro Santa Cândida, ele guarda em um quarto do apartamento cerca de 4 mil livros. A biblioteca é toda organizada e dividida por estilos.

A grande maioria do material ele ganhou ou achou e uma boa parte deles veio da irmã. “Ela encontra livros no lixo e pergunta se eu quero. Eu escolhi o que prestava e fiz uma homenagem pra ela. Um quadro pela participação de quase 1.500 livros daqui”.

Mas o diferencial do local é a minibiblioteca. “Acho que é inédito. As miniaturas são livros conseguidos há aproximadamente 40 anos”. Alguns minilivros são de autoria própria.

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Quem sugeriu a história à Tribuna foi o leitor José Vieira, que conheceu Gilson Pereira através de um amigo em comum. José conta que já contribuiu com a biblioteca, realizando doações de livros, e que também já usufruiu. “Eu emprestei alguns dele e também já li outros que ele escreveu”.

A biblioteca, porém, é de uso particular. Apesar do desejo de contribuir para a leitura de outras pessoas, alguns fatores impedem o empréstimo dos livros. “Eu gostaria de emprestar, mas como é apartamento, não pode ter muito movimento, pode gerar multa. Eu levo para alguns conhecidos, as pessoas de mais confiança. São livros de diversos assuntos, até para crianças, mas precisaria de alguém para atender”. Questionado se já leu todos os livros que possui, ele diz que por falta de tempo não conseguiu. “Só de bíblia aqui são 50”.

1Adepto de escrever, Gilson conta que já escreveu, entre pequenos livros e artigos, 205 obras, que guarda em um pendrive. “O problema é a divulgação, que é cara e é difícil”.

Todos os livros foram editados de maneira artesanal. Ele conta que aprendeu a editar na feira do poeta, em 1995 e pegou gosto. Alguns chegaram a ficar a venda em uma livraria de Curitiba, mas o preço cobrado dificultava. “Entre um livro meu e um livro de um autor famoso, no mesmo preço, qual você acha que vai vender?”.

Mas o sonho de ter um livro publicado permanece vivo na memória de Gilson. “Eu escrevo em várias linhas e quem sabe um dia alguma editora se interesse ou alguém queira me ajudar”.

dica do Chicco Sal

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