Fundação lança primeiro livro em braile com crônicas inéditas de grandes escritores

Alana Rodrigues, no Portal Imprensa

Com o objetivo de alertar a população sobre a necessidade do acesso universal à cultura, a Fundação Dorina Nowill acaba de lançar o livro “Palavras Invisíveis”, obra com crônicas inéditas de grandes nomes da literatura brasileira. Entre eles, Luis Fernando Verissimo, Lya Luft, Eliane Brum, Ivan Martins, Fabrício Carpinejar, Martha Medeiros, Tati Bernardi, Carlos de Britto e Mello, Antonio Prata e Estevão Azevedo.

Crédito: Divulgação / Veríssimo é um dos convidados para o projeto
Crédito: Divulgação / Veríssimo é um dos convidados para o projeto
Segundo a entidade, 95% das obras disponíveis no mercado editorial brasileiro não possuem versão em braile ou em outros formatos que possibilitem que o deficiente visual ou aqueles com dificuldades de visão possam usufruir da leitura.

A partir do tema “Tudo aquilo que não se pode ver”, a ideia é fazer com que o público vivencie a experiência de pessoas com deficiência visual e que isso gere um resultado positivo para a inclusão. “A expertise da Fundação Dorina é a inclusão da pessoa cega ou com baixa visão, e para gerar maior impacto foi escolhido o formato braille, por ser o que chama mais a atenção para a temática”, explica Adermir Ramos da Silva Filho, superintendente da entidade.

A obra, enviada para as principais bibliotecas públicas do Brasil, também está disponível na versão audiobook em um hotsite especial com todas as informações sobre o projeto. A página apresenta filmes de pessoas com deficiência visual lendo os textos publicados e ainda um gerador de tuítes em braile.

“’Palavras Invisíveis’ foi um projeto lançado para gerar reflexão sobre a acessibilidade em todos os seus âmbitos e não só relacionado à deficiência visual. Este passo inicial foi dado pensando em ter formadores de opinião que pudessem defender a causa. O projeto teve uma repercussão muito grande, maior do que o esperado”, pontua Filho.

Histórias

O jornalista Ivan Martins, editor-executivo de Época, conta que ficou honrado em receber o convite para participar do projeto, em especial, por dividir o trabalho com pessoas que admira. “É uma causa nobre e, a companhia, excelente”.

Crédito: Divulgação / Textos de escritores famosos foram publicados em braile
Crédito: Divulgação / Textos de escritores famosos foram publicados em braile

Ao vasculhar a memória em busca de uma história que pudesse compartilhar, lembrou de quando foi morar na Inglaterra, em 1990. Durante uma festa de brasileiros, conheceu o menino Daniel, de cerca de nove anos, e seu pai, que é cego. A narrativa é marcada pela tentativa do garoto em descrever em detalhes tudo o que observava ao pai.

“Depois que eu vi o vídeo da menina [Bruna Schatschineider] lendo a minha historia eu fiquei muito comovido. A leitura dela e a forma como narrou acrescentou vida, algo que não existia originalmente no texto. Fiquei profundamente tocado”, relata.

Para Ivan, o Brasil é muito indiferente às pessoas que apresentam algum tipo de deficiência. “A gente nunca sabe os resultados da privação de informação ao deficiente. Quando isso acontece, há um impedimento dele ter uma chance na vida”, avalia.

A Dorina já produziu mais de seis mil títulos e dois milhões de volumes impressos em braille, além de 2.500 obras em áudio e cerca de outros 900 títulos digitais acessíveis.

O projeto conta com o incentivo da DM9Sul e apoio da Novo Nordisk, empresa dinamarquesa relacionada à saúde. A agência calcula que até 60 milhões de pessoas já foram impactadas com a iniciativa.

Assista ao vídeo:

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