Aulas no hospital motivam crianças durante tratamento

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NATÁLIA CANCIAN

Em um dos corredores da ala de internação pediátrica do Instituto do Coração, no Hospital das Clínicas da USP, uma porta de vidro esconde a sala de aula. Na parede, há um quadro escolar, letras do alfabeto e desenhos.

Ao centro, uma mesa, e nos arredores, carteiras escolares e caixas repletas de livros. Foi ali que a reportagem encontrou Isabella, 7, vestida de “uniforme” colorido e pantufas, fazendo exercícios de tabuada ao lado da professora.

Era a primeira vez que a menina, que se recuperava de uma cardiopatia, voltava ao local após uma cirurgia.

Além da sala de aula, as atividades nas 60 classes hospitalares de São Paulo podem ocorrer nos leitos e, em alguns casos, até na UTI –onde Isabella iniciou as atividades.

“Ela não comia, chorava. Só ficava feliz quando a professora aparecia”, conta a mãe, Camila Chidiquimo, 31.

Para a mãe, a iniciativa deu tão certo que a menina topou até fazer uma prova de geografia, enviada pela escola, para concluir o semestre.

Apesar de estar sem colegas em sala naquele momento, Isabella não era a única estudante do hospital.

No dia em que a reportagem visitou o local, Camille, 11, que passou por um transplante duas semanas antes, encarava atividades de interpretação de texto na UTI.

Ao lado, estava o leito de Giulia, 7, que veio do Rio após descobrir uma cardiopatia, em março. “Guerreira”, como é definida pela mãe, colocou um coração artificial até passar por um transplante. No percurso, sofreu um AVC.

Agora, a professora a ajuda, aos poucos, a reaprender a escrever –a menina está recuperando os movimentos. O caderno fica na mesinha colocada em cima da cama.

Emocionada, a mãe, a advogada Cíntia Paiva, comemora a volta aos estudos. “Isso nos tem ajudado a retomar as atividades, porque a vidinha dela estacionou”, relata.
cuidados

Participar das aulas na UTI e nos outros espaços, porém, depende de autorização da equipe médica, que avalia as condições da criança. Psicólogos também acompanham.

“O trabalho é feito até onde a situação clínica permite”, conta a psicóloga Denise Bachi, coordenadora das classes no Incor.

Para a professora Pâmela Priole, 27, as aulas –que no Incor vão das 13h às 17h, com duração variável– ajudam a motivar as crianças durante o tratamento. “É uma ligação com a vida deles lá fora”, diz.

O difícil, segundo ela, é adaptar-se à realidade de cada aluno –há dias em que ela planeja seis aulas diferentes.

Há ainda outras dificuldades. A principal delas, segundo a professora Giulianna Tedesco, 32, é lidar com a possibilidade da morte da criança. Já um dos maiores benefícios é ajudá-la a retomar o gosto pela escola. “É gratificante.”

Fonte: A Folha

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