George R. R. Martin fala sobre versão da HBO para “Game of Thrones”

Martin posa com fã do seriado "Game of Thrones" Foto: Colby Katz / NYTNS
Martin posa com fã do seriado “Game of Thrones” Foto: Colby Katz / NYTNS

Escritor gostaria de ver temporadas do seriado com 13 episódios, em vez de 10, para incluir cenas cortadas em razão do alto custo da produção

Dana Jennings, no Zero Hora [via The New York Times]

A cultura tem uma queda pelos escritos de George R. R. Martin, especificamente por seu sucesso As Crônicas de Gelo e Fogo, série que é a inspiração por trás de Game of Thrones, programa da HBO cuja quarta temporada terminou neste mês. Com o seriado atingindo picos de audiência e atraindo críticos afiados, Martin concordou em falar a respeito do que a produção acertou até então, do que ficou faltando e onde residem suas paixões. Em entrevista por telefone, ele disse não ter achado tão difícil transpor a série para a TV  “porque eles fizeram um trabalho maravilhoso”, referindo-se à equipe liderada por D. B. Weiss e David Benioff. Mas há uma coisa que deixaria Martin muito feliz:

— Adoraria que houvesse 13 episódios (cada temporada tem 10) — disse ele, de sua casa em Santa Fé, no Novo México (EUA). — Com essa quantidade, poderíamos incluir cenas secundárias que tivemos de cortar, cenas que tornam a história mais profunda e rica.

Mas ele compreende o cálculo do orçamento. Com cenas filmadas em destinos longínquos — Islândia, Irlanda do Norte, Malta, Croácia, Marrocos — e as extensas, mas essenciais, batalhas, uma temporada custa entre US$ 60 milhões e US$ 70 milhões.
Ainda que tenha muitos elementos de fantasia, em diversos pontos Gelo e Fogo é mais como um romance épico do século 19 com filigrana fantasiosa, mais pra Tolstoi do que pra Tolkien. Alguns críticos reclamaram sobre as cenas que contêm violência sexual. Mas Martin disse que era impossível que esse aspecto não existisse nesse mundo.

— Estupro e violência sexual foram parte de todas as guerras que lutamos, dos sumérios antigos aos dias atuais — disse ele ao The New York Times por e-mail. — Omiti-los de uma narrativa centrada na guerra e no poder teria sido falso e desonesto.

Martin afirmou que seu papel relacionado à série da HBO é secundário. Ele é coprodutor executivo e escreveu um episódio por temporada. Disse tentar não se afligir com as versões para a TV.
— Mas pequenas mudanças podem levar a grandes mudanças — acrescentou.

Peguemos o caso do músico Marillion, da primeira temporada. Na HBO, o personagem é mutilado — sua língua é cortada fora — por um capricho do Rei Joffrey e, em seguida, deixa a série. Isso não acontece nos livros, em que ele figura como bode expiatório no assassinato de Lysa Arryn, cometido por Lorde Baelish (mostrado nesta temporada).

— Isso teve de ser modificado — disse Martin sobre o assassinato. — Os efeitos-borboleta estão se acumulando.

E quanto a sua visão? Teria sido suprida pela HBO? Ele comentou ter ficado satisfeito sobretudo com o figurino, o design dos cenários e os efeitos especiais. Se tivesse se envolvido mais, disse, haveria ajustes. Há um elemento crucial que o frustra: a representação do Trono de Ferro.

“O trono da HBO se tornou icônico”, escreveu ele em seu blog. “E com razão. Ele tem um design espetacular, e caiu muito bem na série.” Mas continuou: “Não é o Trono de Ferro que quero que meus leitores visualizem… IMENSO, elevado, negro e distorcido, com os degraus íngremes de ferro à frente, o assento alto, de onde o rei olha PARA BAIXO para ver todos na corte… Meu trono é uma besta encurvada iminente na sala do trono, feia e assimétrica”.

O sucesso de Game of Thrones na TV tornou Martin uma espécie de celebridade. Famoso ou não, ele ainda é obrigado a se sentar todos os dias e escrever, porque milhões de fãs agitados estão esperando, achando que o “inverno” está chegando — em breve. Ele tem escrito em ritmo muito devagar para o gosto de alguns fãs, mas qualidade leva tempo.
Quando perguntado sobre seu progresso em Os Ventos de Inverno (sexto dos sete livros previstos da saga), tudo o que Martin disse, com um suspiro em sua voz, foi: “Está caminhando”.

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