A odisseia literária de Claudia Costin

A secretária de educação do Rio de Janeiro criou para si mesma um desafio, em contraponto à sua rotina de urgências: ler 138 clássicos da literatura. Sem pressa

Ariane Abdallah, na Época Negócios

bv-01Quando Claudia Costin completou 50 anos, definiu duas metas para os anos seguintes. A primeira foi começar a praticar atividade física. Sua motivação surgiu de um jeito nada agradável – ela acompanhava a mãe, portadora de Alzheimer, e soube, por um médico, que movimentar o corpo regularmente diminuiria as chances de herdar a doença. Resolveu fazer sua parte. Hoje, aos 58 anos, a corrida é uma prática diária. “Sempre achei lindo ver as pessoas correndo”, diz. “Mas não treino a ponto de participar de maratonas.”

A segunda decisão está alinhada a um universo com o qual ela tem bem mais intimidade, o das letras. À frente da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, Claudia listou mais de uma centena de clássicos da literatura mundial e passou a dedicar suas noites e fins de semanas a eles (veja alguns na pág. 107). “São livros de que todos ouviram falar, mas poucos leram”, afirma.

Atualmente, a secretária não sabe o quanto já cumpriu da lista. “Quando gosto de um livro, leio na sequência todos os outros escritos naquele século.” Embora seu método não seja linear – ela, inclusive, lê cinco obras ao mesmo tempo –, tem uma regra inegociável: ir até o fim. “Já acabei livros ruins, mas também descobri alguns desafiadores no começo, que depois se tornam incríveis.”

O mesmo entusiasmo que Claudia expressa ao falar sobre os textos densos que atravessaram os séculos, demonstra ao contar que o dinâmico Twitter é sua principal ferramenta de trabalho. É pela rede social que se comunica diariamente com os professores de sua rede. “É como encontrar as pessoas na rua e ouvir o que elas dizem por aí”, diz. “Não é confortável, mas prefiro saber o que está acontecendo.” Ciente dos fatos, ela pode deixar a imaginação para os momentos de leitura.

A seguir, o universo literário de Claudia Costin


literatura
Obras sem tempo

Uma seleção de mais de uma centena de livros estrangeiros clássicos e dois contemporâneos

Para fazer minha lista de leitura, parti de uma já existente, a The New Lifetime Reading Plan, de Clifton Fadiman. Agreguei sugestões da livraria Cultura e de outras fontes. Além dos 138 clássicos compilados, sempre dou um jeito de incluir, em minha rotina, autores apresentados na Feira Literária de Paraty (RJ). Este ano, a 12ª edição da Flip acontece entre 30 de julho e 3 de agosto.

Paraty: a feira literária da cidade é uma das fontes de Claudia para montar o seu acervo (Foto: Agência O Globo)

Livros eternos
Alguns dos títulos que estão na cabeceira de Claudia

• The Histories, Herodotus
(Ed. WW Norton)
• Meditações de Marco Aurélio
(Ed. Kiron)
• A Divina Comédia, Dante Alighieri
(Ed. 34)
• Almas Mortas, Nikolai Gógol
(Ed. Perspectiva)
• Grandes Esperanças, Charles Dickens
(Ed. Penguin-Companhia)
• Pais e Filhos, Ivan Turguêniev
(Ed. Cosac Naify)
• Em Busca do Tempo Perdido, Marcel Proust
(Ed. Zahar)
• Ulysses, James Joyce
(Ed. penguin-companhia)
• O Som e a Fúria, William Faulkner
(Ed. Cosac Naify)
• O Africano, Le Clézio
(Ed. Cosac Naify)


 

Bem Viver (Foto: Divulgação)

Ficção ao pé do ouvido

Todo dia, Claudia passa mais de uma hora no carro para chegar ao trabalho. No caminho, ouve a narração de livros pelo iPad, com o aplicativo Audible


a lista
Amostra grátis

Os comentários da assídua leitora sobre oito títulos indispensáveis. “Os clássicos não são clássicos à toa”, diz

Bem Viver (Foto: Divulgação)

obras de arte
Ponte aérea

As melhores livrarias e centros culturais, no Rio e em São Paulo

Gosto de cultura, em geral. Faço parte do conselho da Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro e tenho meus museus preferidos, onde sempre vou. Também gosto muito de frequentar livrarias. Não só para comprar e folhear as obras, mas para encontrar pessoas que, assim como eu, têm o prazer da leitura.

Bem Viver (Foto: Agência O Globo)

Cultura nacional
Esses livros eu li bem antes de fazer a lista – E recomendo

• Vidas Secas, Graciliano Ramos
(Ed. Record)
• Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis
(Ed. M. Claret)
• Memórias do Cárcere, Graciliano Ramos
(Ed. Record)
• Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa
(N. Fronteira)

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *