Trocas de trabalho e falta de tempo dificultam continuidade dos estudos entre professores

Com o desligamento de algum profissional, ações de formação nas escolas são interrompidas

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Cerca de 20% dos docentes brasileiros tra­balham há menos de um ano em suas escolas, enquanto apenas 6% da categoria atua na mesma instituição há mais de 20 anos. Além disso, pouco mais de um quinto (22%) dos professores brasileiros trabalha em duas ou mais escolas de educação básica.

Os dados são da Prova Brasil e do Censo Escolar 2011(últimos divulgados pelo Ministério da Educação) e mostram que a alta rotatividade de emprego e a falta de tempo devido à sobrecarga de trabalho fazem parte da realidade da carreira docente, e são um problema.

Segundo a pesquisa Formação Continuada de Professores no Brasil, realizado pelo Instituto Ayrton Senna em parceria com o Boston Consulting Group e divulgada na última segunda-feira (7), o cenário dificulta a continuidade dos estudos entre os professores.

Isso porque, como mostra o estudo, com a transferência e o desligamento de algum profissional, as ações de formação nas escolas são interrompidas e o investimento é perdido.

— Não há formação continuada que tape esse buraco. Muitos começam o processo de capacitação e, no ano seguinte, estão em outras escolas, afirma Roberto Franklin de Leão, presidente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), e um dos 29 especialistas consultados para a pesquisa.

Entre novembro de 2012 e março de 2013, para o estudo, foram entrevistados, 2.732 trabalhadores de educação. Desse total, 74% dos docentes responderam que não há um programa de formação continuada para professores recém-ingressos nas escolas.

O mesmo padrão é observado quando se trata de coaching ou mentoria a novos professores: 71% dos docentes brasileiros relatam a inexistência de mentoria em seus empregos, que consiste na proporção de momentos reflexivos sobre o processo de auto-avaliação das competências profissionais e na orientação do trabalho do professor como um todo.

Especialistas consultados para o estudo citaram ainda outras barreiras, como a ausência de espaços de formação e os altos índices de contratos temporários de professores.

Falta de tempo

Quanto à falta de tempo do professor para continuar a estudar, Anna Helena, membro do Cenpec e também entrevistada para a pesquisa, considera necessária uma política de fixação do docente na escola.

— É essencial que o docente se vincule a uma única escola, com jornada de trabalho de oito horas que contemple o tempo em sala de aula e também a formação. E que, durante esse momento de formação, aconteçam atividades interessantes que realmente contribuam para ele se aprimorar profissionalmente, avalia.

Para José Marcelino, professor da Universidade de São Paulo e presidente da Fineduca (Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação), é necessário que a estrutura básica da jornada de trabalho do professor contemple a hora de trabalho extraclasse, como prevê a lei do piso docente.

— [Essa] é uma das condições necessárias, embora não suficientes, para um salto de qualidade na educação básica.

Fonte: R7

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