Novos autores apostam na autopublicação

Fernanda Reis, na Folha de S.Paulo

O bancário aposentado Toshio Katsurayama, 71, quis escrever um livro sobre a história de sua mãe. Procurou editoras, mas não houve interessados. Juntou “um dinheirinho” e o publicou por conta própria, para realizar um sonho e “brincar de escritor”.

Como Toshio, outros autores que não encontram editoras dispostas a lançar suas obras optam pela autopublicação, às vezes contratando empresas para auxiliá-los em cada etapa do processo.

Para publicar seu livro, Toshio contratou a consultoria Tire Seu Livro da Gaveta, criada por Cássio Barbosa em 2012. A empresa faz um orçamento e cuida de todas as etapas da produção: da revisão ortográfica à impressão.

Cássio Barbosa, dono da consultoria Tire Seu Livro da Gaveta, que faz orçamentos e ajuda autores  - Davi Ribeiro/Folhapress
Cássio Barbosa, dono da consultoria Tire Seu Livro da Gaveta, que faz orçamentos e ajuda autores
– Davi Ribeiro/Folhapress

Barbosa, dono da editora Reino Editorial, que publica livros e revistas técnicas, diz que percebeu a existência de uma grande quantidade de pessoas interessadas em imprimir pequenas tiragens de seus livros, para venda ou distribuir entre os amigos.

“Se o autor publica seu próprio livro e o vende diretamente, fica com a margem da editora, da distribuidora e da livraria”, diz Barbosa. Segundo ele, os palestrantes, que vendem livros em eventos, e líderes religiosos, que os vendem em igrejas, são alguns dos maiores beneficiados.

Para publicar um livro, ele passa por uma revisão —ortográfica e de incoerências. Depois, o texto deve ser diagramado, enquanto um capista cuida da capa. A última etapa é a impressão.

Para imprimir 300 exemplares de seu livro, Toshio desembolsou cerca de R$ 5.000. “Ainda tenho condições de gastar para ter o prazer de ter meu livro publicado”, diz ele, que não quer vender a obra.

Há autores que optam pela publicação totalmente independente. Foi a escolha do jornalista Junior Bellé, 29, ao lançar seu primeiro livro de poesias, “O Sonhador que Colhe Berinjelas na Terra das Flores Murchas”, em 2010, com tiragem de 200 exemplares.

“Uma amiga fez a diagramação, um amigo fez a capa, banquei a gráfica e saí por aí vendendo por R$ 5”, diz.

A artista plástica Estela Miazzi, 24, também teve a ajuda de amigos para publicar seu “Maria”, em 2012. A designer Lila Botter participou de todas as escolhas, “desde o papel, a capa, até a gráfica”, diz. Para publicá-lo, arrecadou R$ 13 mil no site de financiamento coletivo Catarse.

EDITORAS PEQUENAS

Outra opção para autores iniciantes é buscar editoras menores, como a Patuá, que lançou o segundo livro de Bellé, “Trato de Levante”.

O editor Eduardo Lacerda é o único funcionário fixo da empresa, que recebe em média 150 originais e lança de oito a dez livros por mês.

“Percebi que dá para fazer tiragens pequenas com a qualidade de uma editora grande sem cobrar de autores”, diz. A tiragem inicial de seus livros é de cem exemplares.

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