ONG incentiva leitura por meio de livros virtuais

Além de ajudar as crianças a descobrir um mundo novo, o projeto Viajando com as Palavras auxilia na interpretação de texto e enriquecimento do vocabulário.

Daniel Queiroz/ND
Daniel Queiroz/ND

Alessandra Oliveira,  no Notícias do Dia

Jamile Castro tem oito anos. Até maio, ela nunca havia acessado a internet. Sua família já teve computador em casa, mas o equipamento era usado somente para joguinhos. Foi um projeto de inclusão social e digital, voltado à leitura de livros virtuais, que permitiu à moradora do bairro Capoeiras, em Florianópolis, o contato com a rede mundial de computadores.

Além de ajudar as crianças a descobrir um mundo novo, o projeto Viajando com as Palavras, da ONG CDI (Comitê para Democratização da Informática de Santa Catarina) auxilia na interpretação de texto e enriquecimento do vocabulário. Antes de começar a fazer as próprias pesquisas literárias, Jamile e outras 24 crianças que frequentam no contraturno escolar a ONG Dom Orione, em Capoeiras, estudaram o guia de segurança na navegação. “As pessoas mentem na internet”, comentou Jamile, ao ressaltar os riscos de dizer onde mora para pessoas desconhecidas na internet.

O projeto que no Dom Orione foi nomeado pelas crianças de “Aprendendo mais com as palavras”, fez de Jamile uma amante do folclore brasileiro. Tanto que ela fez downloads das histórias do curupira, boitatá, iara e boto. “Sei ler desde os meus cinco anos. Mas vejo que é bem diferente ler no computador. Parece que o mundo ali é maior”, disse a caçula de dez irmãos. As 14 máquinas do laboratório foram doadas pela CDI. O projeto tem duração de 30 horas. Começou em maio e seguirá até novembro, sempre com um encontro semanal de duas horas. Parece pouco, mas apenas um mês de ensinamentos foi necessário para que Edilei Maiander, 9, descobrisse atalhos e repassasse conhecimento aos demais colegas. “Se o texto acaba, é só apertar a flechinha do teclado que ele continua”, mostra ao amigo, que faltou ao ao ultimo encontro da turma.

Interesse surpreendeu professores

A evolução da turma é sentida pela professora Cândida da Silva. Ela lembra que além das literaturas recomendadas inicialmente pelo projeto , os estudantes descobriram outros títulos pertinentes. “Subestimamos a vontade deles. Pensávamos que leriam menos livros. Eles nos surpreenderam com um grande interesse pela cultura da leitura”, disse a educadora, sem esconder a satisfação.

Cândida ressalta ainda que as crianças, com idade entre 9 e 11 anos, aprenderam a diferença entre barra de endereço e barra de pesquisa. “Eles só conheciam jogos no computador. Agora, encontraram outras fontes de busca e de leitura, como as contadoras de histórias digital”, comemorou. Na última etapa do projeto os alunos escreverão e ilustrarão uma poesia no computador.

O projeto de inclusão digital do CDI (Comitê para Democratização da Informática de Santa Catarina) também atende 71 crianças, com entre 9 e 14 anos da Cevahumos (Centro Valorização Humana Moral e Social), no bairro Abraão. A professora Ana Cristina Kruscinski lembra que a leitura virtual atraiu mais a atenção dos estudantes. “Temos uma biblioteca, mas ela perde na competição com a ferramenta virtual.

As crianças se encantam com a oportunidade de baixar os livros que desejam ler. É como se elas mesmas criassem um acervo pessoal”, conta a professora ao salientar que os gibis e HQs também cativam a garotada. ONG (Organização Não Governamental) carioca que está em dez países, o CDI foi criado em 2001.

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