‘Paulo Coelho narra magia da vida’, diz a fã Cassandra Clare

A escritora Cassandra Clare (Foto: Kevin Winter/Getty Images)
A escritora Cassandra Clare (Foto: Kevin Winter/Getty Images)

Meire Kusumoto, na Veja on-line

Conhecida por escrever sobre anjos e demônios em sua série Os Instrumentos Mortais (Galera Record), Cassandra Clare foi conquistada por um “mago”, e do Brasil. Em entrevista ao blog VEJA Meus Livros, a escritora afirma que adora os livros de Paulo Coelho, o autor brasileiro mais vendido no exterior. No país pela primeira vez para participar da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, onde autografa livros na tarde deste sábado, Cassandra conta que adora O Alquimista, um livro de fantasia, gênero que acredita ter o poder de se renovar e de vender.

Prova disso é a obra da própria escritora, cujo primeiro livro, Os Instrumentos Mortais — Cidade dos Ossos, lançado em 2007 nos Estados Unidos, enfrentou o turbilhão Crepúsculo, então comemorando dois anos de sucesso nas livrarias. Cassandra, assim como Stephenie, retrata vampiros em seus livros, mas vai além. Seu universo é habitado por quase toda criatura mítica de que já seu ouviu falar. Anjos, demônios, lobisomens: estão todos lá. Logo no começo da história, a protagonista dos três primeiros livros da saga, Clary, descobre que pertence à raça dos nephilim, um povo metade humano e metade anjo.

Cassandra ainda não chegou perto dos 100 milhões de cópias que Stephenie vendeu. Os seis livros de Os Instrumentos Mortais e os três da série As Peças Infernais, um prelúdio da história principal, ultrapassaram a marca de 26 milhões de volumes vendidos, número que deve crescer nos próximos anos. Cassandra planeja lançar ainda duas séries, Dark Artifices, a sequência de Os Instrumentos Mortais, e The Magisterium, em parceria com a autora Holly Black (As Crônicas de Spiderwick), além de esperar pela estreia do segundo filme baseado em sua obra, Cidade das Cinzas.

Cassandra Clare vai estar na Bienal do Livro de São Paulo neste sábado, às 14h, na Arena Cultural, e concede autógrafos a partir das 15h30 no espaço para autógrafos do evento. No domingo, ela repete a programação.

Você encontrou inspiração para a série Os instrumentos Mortais quando estava em um estúdio de tatuagem, certo? Como isso aconteceu? Eu havia lido sobre os Nephilim, uma raça metade humana e metade anjo, e queria escrever um livro sobre o assunto, mas não sabia como a magia deles funcionaria na minha narrativa. Uma amiga tatuadora então me contou a origem das tatuagens e como pessoas de diferentes culturas acreditam que marcar a pele dá algum tipo de poder. Foi dessa situação que tirei a história dos meus personagens.

Dando um spoiler do terceiro livro da série Os Instrumentos Mortais, Clary e Jace acreditam que são irmãos até os últimos desdobramentos. Você foi criticada por abordar o tema do incesto? Certamente sim, porque você é criticado por quase tudo nesse mundo. Mas recebi muitas cartas de pessoas que reclamavam do fato de eles serem irmãos, ou de pensarem que eram, porque queriam que os personagens ficassem juntos. As pessoas estavam mais ansiosas para descobrir se eles eram de fato irmãos do que para me criticar.

No seu site, você diz que acompanhou algumas aulas sobre escrita criativa, mas não gostou delas. Você tentou assistir a aulas sobre o assunto de novo? Não voltei às aulas como aluna, mas sim como professora. Tento deixar de fora os elementos que achei desagradáveis na faculdade, que eram basicamente argumentos contra os gêneros de fantasia, mistério e ficção científica. Mas são gêneros tão importantes quanto quaisquer outros e é necessário aprender a escrevê-los, também. Para mim, Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, é fantasia, assim como os livros de Jorge Luis Borges e de Paulo Coelho, que são obviamente ótima literatura. São livros sobre a mágica do dia a dia.

Então, você conhece Paulo Coelho. Qual seu livro preferido? Gosto muito de O Alquimista.

Você fala abertamente sobre homossexualidade em seus livros. Li que eles foram banidos de algumas bibliotecas por causa disso. Qual sua resposta a essa recusa? Banir livros nunca é a solução. Mesmo o livro mais maligno deveria ser lido para que as pessoas pudessem debater sobre ele. Tivemos uma onda de suicídios de adolescentes gays nos Estados Unidos recentemente. Penso em todas as cartas que recebi nos últimos anos de jovens gays que falavam que meus livros foram os primeiros que eles leram a retratar pessoas como eles e de outros que diziam que deixaram de se matar porque haviam lido minha série. Para mim, isso compensa qualquer crítica. Quando proíbem livros como os meus, fico triste ao pensar que estão tirando essas obras do alcance de pessoas que podem precisar delas.

Você nasceu e morou por dois anos no Irã. Hoje os seus livros são vendidos no país? Não. Isso é muito triste, não é? Eles são vendidos na Mongólia, mas não no Irã. A censura lá é muito pesada, então o fato de haver nos meus livros um grupo de adolescentes que não estão casados, mas ficam se beijando não é muito apreciado.

Você nasceu em Teerã, mas seus pais são americanos. Por que eles moravam lá quando você nasceu?
Meu pai é professor de negócios internacionais e foi enviado para dar aulas em diferentes universidades espalhadas pelo mundo. Ele e minha mãe foram para o Irã antes da revolução de 1979, quando as universidades do país estavam à procura de professores ocidentais. Ele foi convidado a ficar lá por cinco anos, período em que eu nasci. Fiquei lá por cerca de dois anos e a primeira língua que aprendi foi farsi. Depois disso, moramos em outros países, como França e Inglaterra.

Nos últimos anos, vimos séries como Harry Potter, Crepúsculo e Percy Jackson. Acredita que o gênero fantasia vai conseguir se renovar? A popularidade dos gêneros literários vem em ciclos. Houve uma época em que eu não conseguia encontrar muitos livros de fantasia, mas isso mudou e vimos uma ascensão do gênero a partir de Harry Potter. Jovens que cresceram lendo a saga estão naturalmente abertos à fantasia.

Por que você escolheu escrever fantasia? Meu pai é um grande fã do gênero. Quando viajávamos para um lugar novo e eu não conhecia ninguém nem falava a língua do lugar, recorria aos livros, que geralmente eram de fantasia. Me sentia confortável ao lê-los.

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