Festival de Toronto aponta biografias como tendência para premiação

Cena do filme 'A Teoria de Tudo', de James Marsh
Cena do filme ‘A Teoria de Tudo’, de James Marsh. Reprodução/Youtube/Universal Pictures UK

Rodrigo Salém, no Folha de S.Paulo

O Festival de Cinema de Toronto termina neste domingo (14) com as principais cartas para o Oscar 2015 já lançadas sobre a mesa. Uma tendência foi clara: a profusão de superproduções biográficas.

Se no ano passado foram indicados três longas do gênero (“Philomena”, “O Lobo de Wall Street” e “12 Anos de Escravidão”), agora pode haver pelo menos o dobro disso.

Em Toronto, principal porto dos lançamentos de fim de ano, os estúdios mostraram que personagens históricos estão na moda —não à toa, “Grace de Mônaco” abriu o último Festival de Cannes.

Uma das produções mais esperadas era “A Teoria de Tudo”, de James Marsh, biografia do cientista inglês Stephen Hawking, considerado um dos maiores gênios da modernidade e portador de esclerose lateral amiotrófica, uma doença degenerativa.

O longa tem várias características bem-vindas ao Oscar: é um filme de época, possui personagens afetados por alguma aflição, é britânico e tem um romance complicado em seu âmago.

Como o cientista, Eddie Redmayne deverá ficar marcado pela performance que lembra a de Daniel Day-Lewis em “Meu Pé Esquerdo” (1989). Felicity Jones, no papel da primeira mulher de Hawking, dificilmente escapará de uma indicação a melhor atriz, principalmente pela falta de concorrência.

Do lado masculino, a concorrência é bem mais forte. Benedict Cumberbatch, sensação do momento, reapareceu em Toronto com “The Imitation Game”, outra biografia. Seu retrato do matemático Alan Turing, principal responsável por decifrar o código secreto nazista que ajudou a pôr fim à Segunda Guerra Mundial, conquistou boa parte dos críticos.

“É quase como se o antiquado computador desenvolvido por Turing tivesse recebido ordens para criar um filme feito para premiações”, disse o crítico Michael Cieply, do “New York Times”, sobre o longa de Morten Tyldum.

Outros destaques no Canadá foram Tobey Maguire como o enxadrista Bobby Fischer, em “Pawn Sacrifice”, e Benicio Del Toro como o traficante Pablo Escobar, em “Escobar: Paradise Lost”.

“Love & Mercy”, de Bill Pohlad, foi bastante aplaudido pelo público na pré-estreia mundial, mesmo deixando de lado muita coisa sobre seu biografado: o músico Brian Wilson, líder dos Beach Boys.

A participação mais certa na noite do Oscar e exibida em Toronto, porém, é a de Reese Witherspoon. Atuando e produzindo a história real de Cheryl Strayde em “Wild”, baseada no livro “Livre”, ela é barbada como atriz e tem tudo para entrar entre os melhores filmes da competição.

É a história de superação de uma mulher que sofre uma grande perda e faz sozinha uma trilha, por três meses, na costa oeste americana.

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