Centro de SP ganha estante para incentivar leitores a ‘esquecer’ livros

Estante do projeto "Esqueça um Livro" montada em restaurante na Augusta, famosa rua boêmia de SP (Foto: Joel Silva/Folhapress)
Estante do projeto “Esqueça um Livro” montada em restaurante na Augusta, famosa rua boêmia de SP (Foto: Joel Silva/Folhapress)

Leandro Machado, na Folha de S.Paulo

No meio de hambúrgueres, batatas fritas e refrigerantes, agora é possível esquecer um livro. Ou vários. Esquecê-los deliberadamente e sem esperança de reencontrá-los.

A rua Augusta, no centro de São Paulo, ganhou na noite desta quinta-feira (18) a primeira estante do projeto “Esqueça um Livro”, que se popularizou nas redes sociais nos últimos anos.

O espaço fica na hamburgueria Rock’n’roll, frequentada principalmente por jovens esfomeados antes ou depois das baladas na famosa rua boêmia da região central.

O mote é o seguinte: leitores deixam livros (de ficção ou não) em espaços públicos para incentivar o hábito de leitura. Quem quiser um é só chegar e pegar o exemplar, de graça –nem precisa comer hambúrguer.

A ideia surgiu nos Estados Unidos, com o nome de “bookcrossing”. No Brasil, um dos principais praticantes é o coordenador de marketing Felipe Brandão, 31.

“Por causa do meu trabalho, sempre ganhei muitos livros. Em 2013, comecei a esquecê-los por aí”, diz. Brandão criou no Facebook o grupo “Esqueça um Livro”, que conta com 25 mil membros. Os integrantes se reúnem eventualmente para abandonar livros em praças, parques e estações de trem e metrô.

Neste mês, Gabriel Gaiarsa, um dos donos do restaurante, convidou Felipe para montar um espaço fixo de abandono de livros em sua loja.

“Pensei em criar um certo senso de comunidade, porque a pessoa vem, pega um livro, depois volta e deixa um também”, diz o empresário.

“A gente prega o desapego literário. Não adianta nada deixar livro parado na estante de casa”, diz Brandão.

Pode deixar qualquer obra, mas cartilhas de matemática do ensino médio não são muito bem-vindas à estante.

“A gente pede que as pessoas tragam livros bons para que os outros se interessem por lê-los”, diz Brandão.

Na quinta, frequentadores do restaurante tinham à disposição obras do poeta Paulo Leminski e do clássico escritor inglês Aldous Huxley, entre outras.

Cíntia Borges, 30, deixou cinco livros na hamburgueria. Em cada um escreveu um recado: “Não sou um livro perdido, sou livre”.

Também deixou seu e-mail. “Quem encontrar o livro, pode falar comigo e dizer como foi”, diz ela.

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