Centenas de escritores se unem contra monopólio literário da Amazon

escritores se unem contra monopólio literário da Amazon

Publicado no Canal Tech

Os livros digitais, comparados aos títulos em papel, ainda são minoria aqui no Brasil, mas nos Estados Unidos a coisa é bem diferente. Por lá, as vendas no formato digital são bem expressivas, especialmente depois da chegada dos tablets, e-readers e da expansão da Amazon, líder em comercialização de obras no formato.

Contudo, a empresa de Jeff Bezos tem enfrentado críticas por parte tanto de editoras – principalmente a francesa Hachette – quanto de autores, que acusam a companhia de monopolizar o mercado literário. E isso não se limita apenas aos EUA, já que o conflito chegou também ao Reino Unido e Alemanha. Agora, centenas de outros autores estão se unindo contra a gigante americana do varejo e, para isso, querem que o Departamento de Justiça dos Estados Undidos investigue a companhia por supostas táticas ilegais de monopólio.

Ursula K. LeGuin (“Ciclo de Terramar”) é uma das escritoras que critica as políticas adotadas pela Amazon. Em entrevista ao jornal The New York Times, LeGuin disse que a companhia “está se apoiando na censura para obter o controle total do mercado e, assim, determinar o que as editoras podem publicar, o que os autores podem escrever, o que os leitores podem comprar”. “Isso é mais do que injustificável. É intolerável”, destacou a autora.

A guerra comercial entre a Amazon e as editoras literárias se intensificou graças ao conflito com a Hachette, que não aceitou a divisão das porcentagens entre o vendedor e o editor dos livros. Sem um acordo, a Amazon tomou medidas que, de certa forma, prejudicaram a Hachette, como atrasar o envio de um livro, subir o preço ou não disponibilizá-los para pré-venda. A decisão afetou diversos autores, incluindo J.K. Rowling (“Harry Potter”) sob seu pseudônimo de Robert Galbraith (“The Silkworm”).

Já no Reino Unido, a briga chegou no fim de junho de 2014, só que afetou uma parcela menor de editores. Neste caso, as mais desfavorecidas são as editoras independentes: se elas não enviassem cópias de um determinado título, a Amazon poderia optar por imprimi-lo por meio de outro comprador através de um sistema por demanda.

No começo de agosto, um grupo com mais de 900 escritores, entre eles John Grisham, Nora Roberts e Stephen King, entrou com um apelo contra as práticas abusivas da empresa de Bezos. O pedido mencionava não apenas as medidas repressoras contra as editoras que não acatarem a decisão da varejista, mas também os preços altamente competitivos nos livros digitais, que impactaram as vendas de livros em papel. Cerca de 60% do mercado de livros impressos nos EUA é controlado pela Amazon e, no caso dos títulos eletrônicos, o domínio é de 65%.
No Brasil

Em território nacional, a Amazon vende livros nos formatos digital e físico. Este último chegou ao país no final de agosto e já fez com que as editoras brasileiras ficassem atentas ao que poderá acontecer com a expansão da varejista. Para tal, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), a Liga Brasileira de Editoras (Libre) e a Associação Nacional de Livrarias (ANL) disseram que planejam enviar uma carta aos candidatos à Presidência da República para regulamentar o mercado editorial brasileiro.

Um dos destaques que mais chamam a atenção é a adoção de uma lei de preço fixo para livros inéditos durante um certo período – método semelhante ao que já ocorre na França. O que teria motivado essas empresas a formular a nova lei seria justamente o lançamento de livros em papel na Amazon Brasil. A companhia oferece 150 mil títulos em português de mais de 2,1 mil editoras – alguns podem custar até 77% mais barato na Amazon se comparados a outras livrarias nacionais.

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One thought on “Centenas de escritores se unem contra monopólio literário da Amazon

  • 30 de setembro de 2014 em 15:57
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    Muitos autores que conheço, recorrem a Amazon pela facilidade da publicação, porque outras editoras negaram o livro, então eles fazem parceria com a Amazom que além de publicar, vende num preço melhor pros leitores, ainda mais quando o autor é desconhecido pela massa, o preço ajuda no interesse da compra. Isso não passa de inveja ao meu ver.

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