Resenha: Por que Indiana, João?

Alba Milena, no Psychobooks

Oi, gentes!

Hoje vou falar do livro “Por que Indiana, João”, que marca a estreia do vlogueiro Danilo Leonardi, do site Cabine Literária, como autor. Bora lá?

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Por que Indiana, João?

Danilo Leonardi

skoobgiz editorial
Editora: Giz Editorial
Páginas: 208
ISBN: 9788578552381
Publicação: 2014

Sinopse:

Você pode pensar que, aos quinze anos, João já deveria estar acostumado com provocações, apelidos e humilhações. Afinal, ele é um típico adolescente deslocado e tímido. Alvo perfeito para a ira dos valentões e para o desprezo das garotas. Mas sua vida muda completamente quando reage a um ataque de seu maior algoz. O golpe de sorte que derruba o valentão é gravado e vira hit na internet. João se vê finalmente admirado, respeitado e seguro. Mas tudo tem seu preço e João vai aprender qual o peso que suas escolhas podem ter não só sobre sua vida, mas sobre as vidas de todos ao seu redor. Por que Indiana, João? é o livro de estreia de Danilo Leonardi, e parte de uma história quase comum para falar sobre algo que não deveria ser tão comum assim e que faz parte da vida de muitos adolescentes, jovens e até de adultos – o bullying.

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Os porquês do Indiana, João

O livro de estreia de Danilo Leonardi conta a história de João, um garoto franzino, tímido e que sofre bullying constante na escola. Está há alguns anos morando em São Paulo, vindo de Minas, mas ainda é considerado um forasteiro. O estopim para a perseguição por Guilherme, o garoto mais popular da sala, começa quando com, a ajuda de Daniel, João manda um bilhete para Mariana, a namorada de Guilherme.
Acredito que a ideia de Danilo para seu livro veio de inúmeros vídeos que rolam pela internet de vítimas de bullying que resolvem se defender.
Achei sensacional o gancho e toda a discussão que ele abriria. Com isso vamos então à:

Narrativa e desenvolvimento da história

Danilo escreveu o livro em primeira pessoa, narrado no presente. A narrativa nesse estilo está bem popular no gênero jovem-adulto e é bem-vinda para o leitor. A história começa superbem, com João travando um monólogo interno superinteressante com os problemas que o rodeiam e sendo até maduro quanto às questões passíveis de mudanças e àquelas com as quais é melhor se resignar. Não que ele esteja certo em sua avaliação, vejam bem, mas a forma como o autor mostrou esse embate foi bem pontual e lúcida.
A impressão que tive foi que a história foi se sobrepondo, com camadas. Cada acontecimento da vida de João o levava para um novo nível de atitude, que desdobrava em novos acontecimentos, que iam cada vez se complicando mais, e…
O livro é curto, são apenas 208 páginas, mas senti que Danilo perdeu a voz de seu personagem – e o controle da história – quando a ação e as consequências dessas ações, tomam conta da narrativa. Vou explicar:

Personagens e seu arco da história

Todos os personagens precisam ter um arco para manter o leitor cônscio de seus passos. João vinha bem: um adolescente que de repente se vê famoso e que se deixa corromper por todo o glamour que essa fama repentina lhe traz. É um desenvolvimento até clichê, mas mais uma vez pontuo em uma resenha minha: clichê não é ruim; o que marca o texto é o desenvolvimento do autor, e para mim foi aqui que Danilo começou a tropeçar.
Várias histórias começaram a se sobrepor, com inúmeros personagens interferindo na construção da narrativa e implorando por um “pedaço ao sol”. É o caso de Guilherme como vilão e todos os garotos que o acompanham e ficam a narrativa todo trocando do lado – indo do bem para o mal -, mas sem que o leitor saiba direito quem é quem. Danilo me apresentou 5 ou mais desses colegas de João. Para mim todos eram a mesma pessoa; os personagens não tinham voz. Aparte de Daniel que foi apresentando e teve sua voz marcada desde o início, todos os outros foram caracterizados pobremente – inclusive Guilherme, o vilão.
Os pais de João sofrem do mesmo problema, ora o pai é legal, ora a mãe é vilã; ora os papeis se mesclam… Entendo essa dualidade em um adolescente e concordo que a dúvida é presente para muitos, mas acredito que a construção deles deveria ter sido mais forte para que o leitor conseguisse diferenciar o que era a visão de João e o que era a realidade.
A verdade é que os núcleos “escola”, “casa”, “Minas Gerais” e “Amigos que sofreram bullying” assoberbam o leitor não permitindo que nenhuma das linhas seja acompanhada a contento.

Vale a pena, Alba?

Danilo estreou de forma mediana. Seu livro começou bem, mas senti que perdeu o fôlego do meio para a frente. A tentativa de acrescentar camadas à sua história tinha boa intenção, mas o resultado foi um texto confuso, com um final atropelado.

Não importa o que eles achariam, João. O que eu gostaria é de ver que você é o tipo de pessoa que não fica de braços cruzados enquanto alguém apanha por sua causa.
– Ninguém parecia se importar muito quando era eu que apanhava.
Página 62

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