Resenha: A Festa da Insignificância

Patricia Aguiar, no Psychobooks

Oi, pessoas!
Hoje trago a resenha de A Festa da Insignificância, de Milan Kundera, autor de escrita imperdível!

a festa da insignificancia

A Festa da Insignificância

Milan Kundera

Tradutor: Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca
Editora: Cia das Letras
Páginas: 136
ISBN: 9788535924664
Publicação: 07/2014
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[Leia um trecho]

Sinopse:

A Festa da Insignificânciafoi aclamado pela crítica e despertou enorme interesse dos leitores na França e na Itália, onde logo figurava em todas as listas de best-sellers.
Lembrando A Grande Beleza, filme de Paolo Sorrentino acolhido com entusiasmo pelo público brasileiro no mesmo ano, o romance de Milan Kundera coloca em cena quatro amigos parisienses que vivem numa deriva inócua, característica de uma existência contemporânea esvaziada de sentido. Eles passeiam pelos jardins de Luxemburgo, se encontram numa festa sinistra, constatam que as novas gerações já se esqueceram de quem era Stálin, perguntam-se o que está por trás de uma sociedade que, em vez dos seios ou das pernas, coloca o umbigo no centro do erotismo.
Na forma de uma fuga com variações sobre um mesmo tema, Kundera transita com naturalidade entre a Paris de hoje em dia e a União Soviética de outrora, propondo um paralelo entre essas duas épocas. Assim o romance tematiza o pior da civilização e lança luz sobre os problemas mais sérios com muito bom humor e ironia, abraçando a insignificância da existência humana.

Comentários

Conheci Milan Kundera através de Risíveis Amores, livro de contos que me foi indicado por uma colega de trabalho, e me apaixonei pela escrita do autor. Pouco tempo depois resolvi ler sua obra mais famosa, A Insustentável Leveza do Ser, que não me cativou tanto assim. Dei mais uma chance com A Festa da Insignificância e… cheguei à conclusão de que prefiro os contos mesmo.
Nesse livro não temos uma linha narrativa, mas sim acompanhamos algumas situações cotidianas da vida de 5 amigos que vivem na França – Alain, Ramon, D’Ardelo, Charles e Calibã. Milan Kundera aborda como ninguém essas situações aparentemente banais, mas que trazem consigo, escondidos, aspectos muito interessantes no que se refere às relações humanas, à falsidade, ao humor, tratando tudo de forma muito leve – e que, no entanto, deixa aquele gostinho amargo no fundo da garganta quando paramos para analisar e ver além da aparente insignificância dessas situações.
É esse aspecto da obra de Kundera que me atrai: a forma com que ele lida com questões existenciais com tranquilidade, à primeira vista. A escrita dele é uma delícia e incrivelmente fluida, e de repente, em certo ponto da leitura, começamos a ficar desconfortáveis, sem saber muito bem por quê. A partir daí a obra exige mais do leitor e o convida a mergulhar nesse desconforto para descobrir sua causa. Ao fecharmos o livro é impossível não perguntarmos “então, afinal, qual é o sentido de tudo que vivemos?”.
Apesar de adorar o estilo de escrita do autor e os temas que ele aborda, o formato romance não me “pega” tanto quanto o de contos – o que é muito raro, pois não tenho por costume ler contos. Independentemente disso, seja qual for a forma de narrativa que você escolha, eu recomendo fortemente que conheça algo do autor – mesmo não gostando tanto assim dos romances, eu com certeza sairia perdendo se não tivesse os lido.

Nós compreendemos há muito tempo que não era mais possível mudar este mundo, nem remodelá-lo, nem impedir sua infeliz trajetória para a frente. Havia uma única resistência possível: não levá-lo a sério.
Página 88

3 estrelas e meia

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