Lê ficção? Então pode ser um bom amigo

Os participantes descreveram a alegria, tristeza e pena que sentiram em determinados momentos da história, numa escala de cinco níveis. Getty Images
Os participantes descreveram a alegria, tristeza e pena que sentiram em determinados momentos da história, numa escala de cinco níveis. Getty Images

Um estudo indica que quem lê ficção tende a viver as emoções das personagens como se fossem suas, e isso faz com que se torne mais compreensivo e empático com os outros.

Catarina Marques Rodrigues, no Observador
Um estudo da Universidade de Emory, em Atlanta (EUA), revela que quem lê livros de ficção é mais empático, informa a MIC. Um grupo de investigadores comparou a atividade cerebral de várias pessoas depois de lerem o livro Pompeii de Robert Harris, com aquelas que não tinham lido.

Este estudo teve um componente objetivo e outra subjetivo. Os leitores apresentaram mais ligações no córtex temporal esquerdo, a parte do cérebro associada à linguagem, e no sulco central — onde se encontra a região sensorial primária, que ajuda a processar o movimento. Os participantes descreveram também como se sentiram influenciados (alegria, tristeza ou pena que sentiram, por exemplo) pela história que leram, através de uma escala de cinco níveis.

Para os investigadores do relatório intitulado “Como é que ler ficção influencia a empatia?”, a conclusão é esta: quando estes leitores estão a sentir e a colocar-se no papel de uma personagem, envolvem-se e adotam, de facto, as emoções daquela figura. São mais “sensíveis”. Nesse sentido, são pessoas mais dispostas a ouvir o outro e a compreendê-lo. Estão mais despertas para as alegrias e tristezas dos outros e sentem-nas como se fossem suas. Portanto, serão bons amigos, indicam no artigo.

“Através de duas experiências ficou provado que mergulhar numa narrativa ficcional influencia a empatia ao longo do tempo. Quanto mais a pessoa estiver envolvida na narrativa, mais desenvolverá a sua capacidade de empatia”, lê-se na conclusão do estudo.

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