Livros na mira do crowdfunding

noticiaEber Freitas, no Administradores

O financiamento coletivo de projetos criativos e inovadores já é um sucesso inconteste no mundo e no Brasil. O Kickstarter, plataforma mais conhecida, já financiou 75 mil projetos desde a sua criação, em 2009, movimentando aproximadamente US$ 1 bilhão. No Brasil, a pegada é mais cultural — o financiamento coletivo do sétimo álbum de estúdio da banda Dead Fish se tornou, em julho deste ano, a maior campanha do Brasil em valores: R$ 260 mil de 3,2 mil apoiadores.

A próxima fronteira desse modelo de negócios no país é o engessado mercado editorial, que já enfrenta a concorrência da autopublicação. A Bookstorming e a Bookstart, plataformas que foram lançadas neste ano, já colhem frutos: livros publicados em diversas plataformas, novos autores que se tornam conhecidos e a validação do modelo de negócios concluída. O próximo passo é expandir e lucrar.

“Durante estes sete meses já foram publicadas oito obras. Nossa previsão para 2015 é que a média de uma obra por mês suba para, pelo menos dez”, afirma Bernardo Obadia, economista e sócio-diretor da Bookstart. “Aqueles livros que não seriam publicados por uma questão orçamentária ou de mercado, agora podem ser testados e publicados através do Bookstart”.

O funcionamento é semelhante: o interessado inicia a campanha de arrecadação, estabelece a meta e os benefícios para determinadas faixas de contribuições e corre atrás dos mecenas. Se o projeto for bem-sucedido, um percentual do valor arrecadado fica com a plataforma. Porém os benefícios vão além.

“Quando o projeto chega através de uma editora, atuamos como agente intermediário. As empresas ficam com a obrigação de entregar tudo o que foi prometido durante a campanha. No caso dos autores independentes, temos parceiros que prestam os serviços editoriais. O autor chega com o manuscrito e, em caso de sucesso do projeto, sai com o livro publicado”, explica. A Bookstart também oferece serviços agregados, como coaching literário e dicas de comunicação e promoção. Com o original pronto, todo o processo pode ser concluído em até vinte dias.

Tradicionalmente, as obras chegam às editoras através dos próprios autores — com uma chance baixíssima de serem publicados — ou de agentes literários — que dão mais um pouquinho a mais de chances ao ‘vender’ a obra. A internet já bagunçou esse mercado tanto através da pirataria quanto dos novos modelos de negócios e formatos, incluindo o eBook. Com o financiamento coletivo, livros que não teriam chance em um mercado inundado vão para as prateleiras das livrarias.

Baixo risco

A sacada é inverter a lógica da publicação ao colocar o leitor como o responsável financeiro pela sua publicação — uma contribuição de R$ 40 é equivalente ao preço de capa de um livro comum. As pequenas casas editoriais também ganham uma ferramenta de marketing e financiamento sem comprometer o sofrido caixa. A curadoria é outra característica desse tipo de serviço. “O objetivo é oferecer um serviço que fique entre a autopublicação e o trabalho de uma editora profissional. Vamos publicar com alguma qualidade e ao mesmo tempo dar capilaridade para autores independentes”, afirma Obadia.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *