Autor de ‘Eu me chamo Antônio’ cria novo livro com poesias visuais

Um dos desenhos é quase uma recriação de 'O pequeno príncipe', de Antoine de Saint-Exupéry
Um dos desenhos é quase uma recriação de ‘O pequeno príncipe’, de Antoine de Saint-Exupéry

Ainda sem título, obra de Pedro Gabriel Anhorn tem ilustrações e textos mais longos

Fellipe Torres, no Divirta-se

O primeiro romance de Pedro Gabriel Anhorn ainda não foi concluído, mas tem um protagonista conhecidíssimo. É a voz narrativa de ‘Segundo: Eu me chamo Antônio’ (Intrínseca, 192 páginas, R$ 29,90), livro originado do projeto homônimo, popular nas redes sociais. Publicitário nascido no Chade e radicado no Brasil desde os 12 anos, o autor deixou um pouco de lado os famosos guardanapos utilizados como plataforma poética. Em nova obra impressa, ele aposta em ilustrações e textos mais longos.

Um dos desenhos é quase recriação daquele feito por Antoine de Saint-Exupéry para ‘O pequeno príncipe’ (1943): de cima de um planeta, Antônio observa as estrelas. A princípio, Pedro não notou a semelhança. Para ele, a aproximação entre os traços veio do inconsciente, uma vez que o clássico marcou a infância. Mas a atmosfera onírica é proposital, distante da linguagem “de boteco” do primeiro livro, lançado em 2013. “Realmente comecei fazendo as poesias nos guardanapos de um bar. É como se o protagonista deixasse esse ambiente para entrar no mundo dos sonhos”, analisa.

O novo volume surge como intermediário entre os versos enxutos da estreia e o texto de maior fôlego, ainda em fase de construção e sem previsão de lançamento. Com público formado majoritariamente por adolescentes entre 13 e 15 anos, Pedro Gabriel acredita na conquista de uma nova geração desacostumada a ler poesia.

Cada folha de guardanapo utilizada por ele equivale a uma página da caderneta da escritora e publicitária pernambucana Clarice Freire, criadora do Pó de Lua, projeto semelhante a Eu me chamo Antônio. A poesia visual inspirada no concretismo é um chamariz para o internauta. Somente no Facebook, eles mobilizam, juntos, mais de dois milhões de usuários.

A aposta de grande editora nos publicitários de 30 (Pedro) e 26 anos (Clarice) só foi possível graças a um fenômeno literário ainda em curso. Lançada no começo do ano passado, a reunião da obra poética de Paulo Leminski, ‘Toda poesia’, vendeu mais de 100 mil exemplares. A trajetória bem-sucedida do curitibano inspirou a publicação de antologias como as de Waly Salomão, Ana Cristina Cesar, Adélia Prado, Murilo Mendes, Jorge de Lima e ainda abriu caminho para poetas de primeira viagem. Ou de segunda, no caso de Pedro Gabriel.

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