Baleado 5 dias antes do Enem, jovem é selecionado em 2ª chamada do Sisu

Jovem, de 17 anos, precisou de ajuda para fazer a prova do Enem.
‘Me sinto um vencedor’, diz Carlos Bergson; ele obteve nota 637.

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Publicado no G1

O estudante acreano Carlos Bergson Nascimento Pereira Júnior, de 17 anos, baleado na mão direita, no dia 3 de novembro de 2014, cinco dias antes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), vai cursar sistemas de informação, na Universidade Federal do Acre (Ufac). O jovem obteve nota 637 e foi selecionado na 2ª chamada do Sisu, cuja lista foi divulgada na sexta-feira (13). Carlos levou um tiro durante um assalto, quando saía do Colégio Meta, onde estudava, localizado no Bairro Abrahão Alab, em Rio Branco, e por pouco não perde o exame.

Para conseguir fazer a prova, ele precisou da ajuda de uma profissional do MEC e teve que ditar a redação. “Estou feliz que entrei e me sinto um vencedor. Saí do hospital para fazer a prova e foi difícil porque tive que ditar a prova para uma senhora que o MEC disponibilizou”, diz.

Bergson, que mora com os avós desde bebê, conta que não conseguiu alcançar a nota de corte para o curso de engenharia, que era a sua primeira opção, mas comemora o resultado para sistemas de informação. “Todo mundo quer entrar na primeira chamada, mas é só uma questão de ego. Na verdade, sempre quis fazer sistemas de informação, era mais uma pressão da família que eu fizesse engenharia, então, estou super feliz”, garante.

O estudante contou ao G1 que o fato de ter levado um tiro cinco dias antes do Enem atrapalhou sua concentração e acabou prejudicando seu desempenho no exame.

“Fiquei desconcentrado e nervoso, pois o tiro foi na mão direita e eu sou destro, então, acredito que poderia ter tirado uma nota bem maior. No dia da prova a mão incomodou bastante, o ferimento coçava, e tive que fazer a prova com a mão esquerda. Ainda bem que deu tudo certo, fiz minha inscrição no Sisu [Sistema de Seleção Unificada] e vou iniciar a faculdade agora no primeiro semestre, na Ufac”, disse Bergson.

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Ao lembrar do momento em que reagiu ao assalto, o estudante diz que a atitude foi inconsciente, mas que não ficou com traumas. “Ficou a lição de ficar sempre em alerta e prestar atenção em possíveis perigos, sempre pode acontecer alguma coisa com a gente”, diz.

A avó de Bergson, Maria de Lurdes Nascimento, diz que tem orgulho de o neto ter conseguido uma boa nota, mesmo depois de todos os transtornos que passou antes de fazer as provas do exame.

“Fiquei muito feliz dele fazer uma faculdade pública, era o que ele sempre quis. Mesmo depois de todos os problemas que enfrentou, passou por danos físicos e psicológicos e mesmo assim conseguiu. Ele foi além da minha expectativa, é um vencedor”, diz, orgulhosa.

Lurdes também acredita que se o neto não tivesse levado um tiro na mão antes do exame, a nota dele teria sido ainda maior. “Ele teve muita maturidade. Naquele momento nós nem estávamos pensando em Enem, só queríamos que ele ficasse bem e mesmo assim, ele insistiu e foi fazer a prova. Se não tivesse acontecido isso com ele, a nota tinha sido muito maior, tenho certeza”, avalia.

Em relação aos homens que teriam dado o tiro no neto, Lurdes diz lamentar, pois os suspeitos ainda estão soltos. “O meu medo é que eles continuem soltos fazendo isso com outras pessoas, não desejo isso pra ninguém, ainda bem que não aconteceu nada mais grave com meu neto, finalizou.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Karlesso Néspoli, os suspeitos de atirar no em Carlos ainda não foram presos. “Sobre esse caso nós onseguimos capturar uma moto que possivelmente teria sido usada no dia do crime e que estava com a placa clonada, pois existe outra moto com a mesma placa rodando na cidade. Na ocasião, não havia ninguém junto com a motocicleta. Nós continuamos com as investigações e estamos tentando encontrar os envolvidos”, explicou.

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