Passei Direto

Passei Direto, a startup que quer ser o Linkedin dos estudantes

Joaquim Amaral, no Projeto Draft

André Simões e Rodrigo Salvador, da Passei Direto
André Simões e Rodrigo Salvador, da Passei Direto

Trilhar um caminho parecido com o de empresas como Facebook e LinkedIn é um objetivo bem ambicioso. Mas os empreendedores André Simões, 28, e Rodrigo Salvador, 25, não escondem que querem chegar ao mesmo patamar das companhias de Mark Zuckemberg e Reid Hoofman. Os jovens são fundadores da Passei Direto, rede social destinada a estudantes universitários. “Queremos revolucionar a maneira como os jovens estudam e compartilham material acadêmico”, diz Simões. “Vamos ser a rede social global e consolidada dos estudantes.”

De acordo com o último Censo da Educação Superior, divulgado pelo Ministério da Educação em setembro do ano passado, o Brasil tem 7,3 milhões de universitários. Nos últimos dez anos, o número de estudantes matriculados em cursos de graduação aumentou 75%. “Queremos chegar a todos esses estudantes”, afirma André Simões.

O site da Passei Direto tem um funcionamento bastante simples. O estudante se cadastra primeiro com um e-mail e uma senha. Depois, informa o nome do curso e da universidade em que estuda. A partir daí, o próprio sistema da Passei Direto começa a recomendar grupos de estudos, amigos e materiais acadêmicos.

A plataforma é alimentada pelos próprios usuários com artigos acadêmicos, e-books, vídeos-aulas, documentários e outros materiais – num sistema parecido com o do YouTube, em que o usuário é responsável pela postagem de conteúdo. Os estudantes também fazem a curadoria dos materiais classificando-os como negativos ou positivos. Os mais bem aceitos ganham mais destaque no site. Eles também podem divulgar os arquivos mais interessantes com seus amigos. André fala sobre o esquema:

“O compartilhamento de conteúdo entre os próprios usuários permite que a rede seja altamente escalável e mantenha uma constante atualização”

Atualmente, a Passei Direto tem mais de 3,5 milhões de usuários espalhados por centenas de universidades e redes de ensino públicas e privadas do país. As campeãs em números de alunos são a Universidade de São Paulo, Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Estácio e Anhanguera. “Não investimos em marketing. Nosso crescimento é orgânico”, afirma o empreendedor.

O QUE FAZER QUANDO A IDEIA BOA MAS NÃO DÁ DINHEIRO?
Embora seja um negócio promissor, a Passei Direto ainda não gera faturamento e seus sócios não têm previsão de quando poderão chegar a um possível break-even. “O Facebook também não gerou receitas em seus anos iniciais. Não ter faturamento é comum nessa fase do negócio”, diz André.

Os sócios em vista ao Vale do Sílicio, onde foram participar de negocições com fundos de investimento
Os sócios em vista ao Vale do Sílicio, onde foram participar de negocições com fundos de investimento

Em um artigo publicado no site de economia e negócios Business Insider, Mark Zuckerberg diz que recusou oferta de 1 bilhão de dólares para vender o Facebook em 2006. Entre os motivos alegados está que a empresa não se preocupava com lucro naquela época. “O melhor jeito de você poder atrair boas pessoas e incentiva-las é construir (uma empresa) ótima”, disse Zuckerberg. Os sócios da Passei Direto pensam da mesma forma. “O importante agora é desenvolver uma empresa sustentável e captar usuários”, afirma André.

Mesmo sem gerar receita, a Passei Direto acumula cerca de 15 milhões de reais em investimentos, segundo estimativas. Eles receberam três aportes. O primeiro aconteceu em 2012 e ajudou os sócios a estruturar e fazer a prova do conceito do negócio. O investimento de 500 000 foi aplicado pela empresa de tecnologia carioca Grupo Xangô. O aporte foi feito após os donos da empresa gostarem da ideia de negócio de Simões, que até então era funcionário deles.

No ano seguinte, a empresa receberia mais 4 milhões de reais do fundo de venture capital americano Redpoint, que já investiu em empresas como Netflix e My Space e nos últimos anos levantou 130 milhões de dólares para aplicar em startups brasileiras. “O engajamento dos brasileiros na internet é um dos maiores do mundo. Há uma enorme oportunidade para novas marcas e empresas online”, disse Jeff Brody, sócio da Redpoint ao explicar o interesse pelo Brasil em uma entrevista para a Forbes.

O último investimento na Passei Direto aconteceu no final de 2014, feito pela Bozano Investimentos, Valor Capital e Redpoint e. Ventures. O valor do aporte é confidencial. Mas os sócios dizem que a quantia é mais que o dobro do investimento captado até momento. “A partir de agora, o desafio será monetizar a empresa”, diz André.

Também no final do ano passado, a Passei Direto lançou um serviço para conectar empresas que querem contratar profissionais a jovens talentos universitários. O sistema funciona de maneira parecida com o Linkedin, em que as companhias fazem anúncios e os usuários da rede se candidatam as vagas. Até hoje, cerca de 90 empresas já publicaram anúncios de emprego na plataforma, entre elas IBM, P&G, L’Oréal, KPMG e Hotel Urbano.

“O estudante não tem tanto espaço no Linkedin, pois muitos nunca tiveram experiência profissional relevante. Na Passei Direto a empresa busca o candidato de acordo com suas competências e habilidades acadêmicas”, conta o jovem.

Os sócios ainda estão testando formas de interação entre os estudantes e as empresas. O foco, agora, será atender pequenas e médias empresas. “Essas empresas não recebem tantos currículos, não precisam aplicar provas prévias de seleção e podem analisar cada candidato dentro da nossa plataforma”, diz André. Embora ainda não seja definido, o custo para a empresa publicar uma vaga é de aproximadamente 90 reais.

Layout do aplicativo móvel do Passei Direto.
Layout do aplicativo móvel do Passei Direto.

Outra novidade da Passei Direto é o aplicativo móvel para iOS e Android. “O sistema tem um serviço de chat similar ao Whatsapp, que facilita bem a comunicação e compartilhamento de arquivos entre os usuários”, conta André. O aplicativo foi lançado em dezembro de 2014 numa versão lean. A segunda versão, com mais funcionalidades, foi lançada em março. “Tivemos mais de 500 000 downloads.”

Para entender os interesses dos estudantes, os sócios ainda mantêm o espírito universitário. Rodrigo Salvador, por exemplo, ainda estuda no curso de graduação em administração na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. André se formou em 2013 no curso de engenharia da computação.

UM SÓCIO ENCONTRADO POR 100 REAIS
Os dois se conheceram na faculdade. Na época, Rodrigo estava concorrendo a uma vaga numa aceleradora com um projeto de rede social estudantil. Porém, ainda faltava um sócio técnico para ajudá-lo na empreitada. Ele, então, pediu para um amigo uma indicação. Caso esse amigo encontrasse uma pessoa, ganharia 100 reais. “Esse nosso amigo em comum me indicou, entrei no projeto e reformulei o sistema, pois já tinha um projeto parecido”, diz André. “Foi um baixíssimo investimento para encontrar um sócio”, brinca ele.

Juntos, os empreendedores foram selecionados pela aceleradora. Porém, foi nessa época que o chefe de André, Marco de Mello, que trabalhou na Microsoft, gostou da ideia do negócio e investiu na Passei Direto. “Não fomos para a aceleradora e começamos a tocar a empresa junto com o Marco”, conta André.

Agora, fundadores e investidores esperam que a Passei Direto continue sua ascensão no mundo das redes sociais. O que ninguém deseja é um final como o do Orkut, que chegou a ter 30 milhões de usuários, a maioria no Brasil e na Índia, mas que perdeu espaço pelo Facebook e foi descontinuado em setembro de 2014. A ideia é passar, direto, dessa fase.

DRAFT CARD

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  • Projeto: Passei Direto
  • O que faz: Rede social colaborativa para estudantes universitários
  • Sócio(s): André Simões, Rodrigo Salvador e investidores
  • Funcionários: 28
  • Sede: Rio de Janeiro
  • Início das atividades: 2013
  • Investimento inicial: R$ 500 mil
  • Faturamento: ainda não tem
  • Contato: [email protected]

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