Professor de Rio Claro (SP) mantém biblioteca comunitária e distribui livros

Objetivo de Luiz Carlos da Conceição é espalhar o prazer pela leitura.
Ele ainda ensina crianças e adultos em espaço no Jardim Nova Rio Claro.

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Publicado no G1

Disseminar o prazer da leitura. Esse é o objetivo do professor Luiz Carlos da Conceição, em Rio Claro (SP), ao manter uma biblioteca comunitária com mais de 5 mil livros e ainda deixar diversos exemplares em pontos de ônibus e praças da cidade.

A biblioteca do professor fica no Jardim Nova Rio Claro. Tudo no bairro é bem simples, as ruas não têm asfalto e alguns moradores se locomovem de charrete. A população se orgulha de ver que um espaço, que antes era bar, se transformou em uma biblioteca. “A criançada gosta porque vê o dia e já está na porta para a hora de abrir”, afirmou a dona de casa Karen Fernanda.

Pouco tempo depois de abrir as portas, o local já fica cheio e os frequentadores dividem espaços e até improvisam uma carteira para conseguir escrever, colorir ou apenas ler.

Iniciativa
Formado em letras, o professor trabalha a noite toda como monitor de segurança, mas nas horas vagas está sempre na biblioteca, onde os visitantes não se diferenciam pela idade e todos aprendem juntos, incluindo aulas de português e inglês. Até mesmo pais e filhos se reúnem no local. “Além de um passar mais tempo com eles eu aprendo um pouquinho também”, disse a empregada doméstica Marilene dos Santos.

O pedreiro Milton Aparecido da Silva sai do bairro dele para levar os filhos e também aproveita as aulas. “Se a gente não aprender nada e não deixar os filhos aprender fica mais difícil”, afirmou.

A ideia da biblioteca comunitária surgiu há seis anos quando o Luiz ficou sem saber o que fazer com os livros que tinha em casa. “Resolvi abrir a biblioteca e resolvi pedir para a população, fiz campanha, anunciei no rádio e no jornal. As bibliotecas públicas começaram a me ajudar e eu comecei a aumentar o acervo até mais de 5 mil livros hoje” , destacou.

Para manter o local aberto, o professor paga aluguel e muito da estrutura chegou por meio de doações. “As carteiras vieram do ferro velho, o quadro estava na calçada de uma escola e eu pedi para levar embora”, disse.

Distribuição de livros
Depois de um tempo, Luiz percebeu que a biblioteca fazia apenas parte do sonho dele. O que ele queria realmente ensinar é o gosto pela literatura, que pode ir além. Com esse pensamento, começou a espalhar algumas obras pela cidade para quem quisesse pegar e ler. O objetivo é fomentar a leitura e que as pessoas passem o livro para frente.

Luiz deixa os livros por diversos locais, incluindo os bancos de pontos de ônibus. As pessoas ficam surpresas ao verem os livros. “Eu peguei para ler. Para ver o que está aqui dentro, o que está falando comigo e com a comunidade”, afirmou a aposentada Irani de Souza Amorim.

Desde janeiro deste ano, ele já distribuiu mais de 400 exemplares. Um bilhete orienta o que deve ser feito com o livro. “Leve esse livro, leia-o, depois esqueça-o também em uma praça, banco de ônibus ou outro lugares onde outras pessoas possam usufruir o prazer da leitura”, diz o primeiro trecho.

A satisfação dos moradores enche de orgulho o professor. “O meu pagamento é isso, para mim está bom demais”, destacou Luiz.

Professor também dá aulas de português e inglês em biblioteca comunitária  (Foto: Oscar Herculano Jr./ EPTV)
Professor também dá aulas de português e inglês em biblioteca comunitária (Foto: Oscar Herculano Jr./ EPTV)

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