Autodidata que deixou a escola aos 14 anos ganha prêmio de Stanford

Rogerio entrou na UFSCar pelo Enem, que também certifica a conclusão do Ensino Médio (Foto: Javier Ceballos)
Rogerio entrou na UFSCar pelo Enem, que também certifica a conclusão do Ensino Médio (Foto: Javier Ceballos)

Rogerio Pedrosa Ruivo hoje cursa engenharia de computação na UFSCar.
Ele achou falha em “The Art of Computer Programming”, de Donald Knuth.

Stefhanie Piovezan, no G1

Um estudante da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) foi premiado pelo professor Donald Knuth, da Universidade de Stanford, por encontrar um erro no volume I da série de livros “The Art of Computer Programming”. A recompensa, um cheque simbólico de 0 x $ 1,00 do fictício Bank of San Serriffe, é umas mais desejadas no mundo da computação, área que sempre atraiu o autodidata Rogerio Pedrosa Ruivo e sobre a qual ele se debruçou depois dos 14 anos, quando deixou a escola.
“Sempre gostei de estudar, mas nunca tive afinidade com a escola convencional. Considerava perda de tempo o conteúdo e a forma como eram ensinadas as matérias. Isso desde criança. Quando tomei a decisão de não ir mais à escola, minha família ficou chocada, mas depois entendeu que eu segui um caminho alternativo como autodidata e me apoiou”, contou o jovem de 29 anos, aluno de engenharia de computação em São Carlos (SP).

Foi justamente pela família que ele ficou sabendo que tinha recebido o prêmio. “Foi uma baita surpresa quando minha mãe me telefonou dizendo que havia um envelope de Stanford na caixa de correio”. Sem conter a ansiedade, Ruivo pediu para o pai abrir a carta com todo o cuidado, mas a ficha só caiu com o tempo. “Não entenderam nada. Só depois que a notícia foi divulgada pela universidade que eles perceberam a importância. Fui parabenizado por vários professores”.

Cheque do professor Knuth é um dos prêmios mais almejados da área  (Foto: Rogerio Ruivo/Arquivo Pessoal)
Cheque do professor Knuth é um dos prêmios mais almejados da área (Foto: Rogerio Ruivo/Arquivo Pessoal)

A divulgação e as congratulações tinham motivo: o prêmio já foi oferecido a pesquisadores como Thomas Cormen, do MIT, e é concedido sobre uma obra listada pela revista “American Scientist” entre as melhores do século, juntamente com títulos como “The Meaning of Relativity”, de Albert Einstein.

“Essa obra me fez ingressar na universidade. Eu fiquei sabendo sobre ela na internet e fiquei intrigado pelo que diziam dela, até Bill Gates reverenciava esse livro”, disse Ruivo. Curioso, ele adquiriu a série e, em 2014, descobriu a falha, que passou despercebida desde 1968, quando foi lançada a 1ª edição.

“O erro localizado diz respeito a uma inconsistência na descrição das convenções da linguagem de programação conhecida como ‘MMIXAL’, que é uma linguagem adotada para um computador teórico, que não foi construído fisicamente, mas apenas utilizado como modelo no livro”, explicou. “Na programação é assim, às vezes, uma pessoa detecta um erro num programa que já foi verificado mil vezes por outras pessoas. Por ser muito complexo, um olhar de outro ângulo pode revelar erros que muitos não perceberam antes”, completou.

Da percepção da falha à postagem do cheque, cerca de um ano se passou e, nesse período, Ruivo sabia que sua colocação estava sendo verificada criteriosamente, daí a surpresa com a chegada da carta. “Fiquei muito feliz, pois sou fã do Knuth”, contou o futuro engenheiro, que já definiu que vai enquadrar o prêmio, seu “tijolo” no “edifício” da computação.

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