GPS para cegos criado por estudante de PE vence concurso mundial da ONU

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Publicado em Folha de S.Paulo

Os óculos inteligentes criados pelo pernambucano Marcos Antônio da Penha, 27, foram os vencedores do WSYA 2014 (World Summit Youth Awards), na noite desta quarta-feira (17). Com a finalidade de auxiliar pessoas com deficiência visual a se locomoverem, o dispositivo competia com mais 18 projetos em seis categorias.

O estudante de ciências da computação conta como foi receber o resultado. “Eu fiquei feliz demais. Não conseguia parar de gritar.” Para o presidente do WSA (World Summit Award), Peter Bruck, o projeto do brasileiro “é realmente um salto em inovação tecnológica”.

ÓCULOS INTELIGENTES

Chamado de PAW (Project Annuit Walk), o protótipo desenvolvido pelo grupo de pesquisas WearIt, do qual Marcos participa, localiza objetos num ângulo de 120º e calcula o melhor trajeto. Além disso, é possível mapear os pontos mais críticos de uma cidade, onde exista mais obstáculos.

O grupo trabalha na criação de tecnologias “vestíveis”, acopladas ao próprio corpo, para resolver problemas simples do cotidiano. Dentro desse ramo, os pesquisadores viram na tecnologia assistiva, voltada para um público com algum tipo de deficiência, um nicho de mercado.

Entre os concorrentes dos óculos inteligentes estavam uma iniciativa guatemalteca para reduzir a gravidez na adolescência, um aplicativo indiano de caronas e um documentário dinamarquês sobre a vida nas favelas.

Abaixo, leia a entrevista completa com Peter Bruck, presidente da WSA.

Folha – Como você avalia o projeto vencedor?
Peter Bruck – Eu acho que ele combinou duas coisas de uma maneira muito particular, é realmente um salto em inovação tecnológica. Ele combinou computação com tecnologia de apoio a pessoas com deficiência num modelo de negócio social.

O que qualifica os 18 projetos finalistas?
Eu acho que os finalistas apresentam um uso criativo da tecnologia e são muito bons em adaptar essas tecnologias às necessidades de suas comunidades. Por exemplo, para algumas situações, é melhor ter um serviço de mensagens de texto que uma internet de alta velocidade. Já em outras, é preciso um vídeo interativo para contar uma boa história ou um banco de dados potente. O que se encontra aqui é uma verdadeira combinação entre habilidades tecnológicas, criatividade no design, compreensão da importância do conteúdo e um empreendedorismo que prioriza o impacto social ao invés do lucro rápido.

Em que o WSYA 2015 se diferencia das edições anteriores?
Este evento foi único por causa da forte interligação que se tem com os jovens usando tecnologia aqui em São Paulo. Nós tivemos dois parceiros muito fortes localmente e muito ativos também. O Engajamundo é muito comprometido e entende a importância global da iniciativa da ONU na sociedade da informação e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e a ProjectHub é uma empresa nova que realmente incentiva a criatividade digital.

O que a edição de hoje traz de diferente da primeira, em 2005, especificamente?
Todos os aplicativos hoje são para o celular, integraram, de uma maneira ou de outra, um componente de rede social e são tecnologicamente mais maduros. Antes não havia essa maturidade. A outra coisa que eu preciso dizer é, se observar as pessoas que vem da Indonésia, do Irã, da Índia ou da Armênia, todos eles compartilham uma percepção global de apoderamento através da tecnologia. As pessoas aqui estão unidas no espírito de que eles podem usar tecnologia para tomar iniciativa nos problemas sociais.

Qual é o objetivo do prêmio?
O que nós descobrimos aqui, e isto também é algo único, é que, ao procurar a usabilidade social, as pessoas são mais criativas do que se estivessem atrás de sucesso financeiro. E isso é muito importante porque, no longo prazo, é muito mais importante para a sociedade ter pessoas que são visionárias no que diz respeito ao uso criativo do que pessoas se limitam a tecnologias de sucesso no mercado.

O que você achou do Brasil?
O que eu acho incrível, e é completamente diferente de dez anos atrás, é como os jovens são cosmopolitas, falam bem inglês e têm um pensamento progressista, muito mais que gerações passadas.

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