75% dos alunos imobilizados à força nos EUA têm necessidades especiais

ONG destaca dados após vídeo mostrar criança sendo algemada na escola.
Pesquisa indica índice maior de punições entre crianças especiais negras.

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Publicado no G1

Os alunos com necessidades especiais representam 12% do total de estudantes de escolas públicas dos Estados Unidos. Mas, no conjunto de crianças que já foram imobilizadas à força no colégio, por questões disciplinares, 75% têm algum tipo de deficiência. Isso inclui casos em que elas foram impossibilitadas por alguém de mover braços, mãos, pernas ou cabeça.

Entre o grupo de alunos que foram “deixados de castigo”, isolados em alguma sala sem poder sair, 58% das vítimas possuem necessidades especiais. Os dados foram divulgados em 2014 pelo Departamento de Educação dos EUA, após levantar informações relativas a todos os 49 milhões de alunos de colégios públicos do país.

A ONG American Civil Liberties Union destacou estes números após um vídeo, divulgado na segunda-feira (3), mostrar dois alunos da Latonia Elementary School, em Kenton, nos Estados Unidos, algemados a uma cadeira. As vítimas são um menino de 8 anos, que tem déficit de atenção e hiperatividade, e uma garota de 9 anos, com o mesmo transtorno e outras necessidades especiais. Ambos foram castigados “por mau comportamento” em sala de aula.

De acordo com o jornal NBC News, o xerife interino Kevin Sumner é o acusado de ter algemado as crianças, provocando nelas dores e traumas. A função de Sumner no colégio deveria ser de prestação serviços de segurança e de prevenção da criminalidade. Ele está sendo processado pelos atos violentos praticados contra os alunos em 2014. A ação judicial foi apresentada nesta semana.

Nas imagens, registradas por um funcionário da escola, o menino chora e grita “Deus, isso machuca”. Pela duração das filmagens, ele ficou algemado por cerca de 15 minutos – após ter desobedecido à ordem de sentar-se. Como o aluno é pequeno e magro, foi preso pelo braço, acima dos cotovelos. Em outro trecho do vídeo, é possível ouvir Sumner dizendo que “se você se comportar desse jeito, vai sofrer as consequências. Se você quiser ficar sem as algemas, vai precisar se comportar”.

De acordo com a pesquisa do Departamento de Educação dos EUA, 19% dos alunos com deficiência são negros – mas representam 36% dos casos de imobilização à força de crianças especiais na escola. Isso mostra que os estudantes negros estão mais expostos a castigos físicos. No caso da Latonia Elementary School, uma das crianças é afroamericana e a outra é latina.

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