Ex-seringueiro que aprendeu a ler aos 48 anos sonha com pós-graduação

Hoje com 72 anos, Felício Correia da Silva diz que formação era um sonho.
Ele diz que o objetivo é continuar estudando e fazer a pós-graduação.

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Publicado no G1

Aos 72 anos, o ex-seringueiro Felício Correia da Silva ainda lembra da alegria que sentiu ao aprender a ler. Silva conta que leu suas primeiras palavras somente aos 48 anos, a demora para iniciar os estudos foi causada pelas dificuldades de acesso à educação nos seringais São Francisco e Petrópolis Rio Iaco, onde passou a maior parte de sua vida.

Apenas aos 67 anos, Silva conseguiu realizar o seu maior sonho e se formou em pedagogia na Universidade Federal do Acre (Ufac). Hoje, apesar da idade e de já estar aposentado, quer voltar aos estudos e fazer uma pós-graduação.

“Eu era seringueiro, acordava cedo e ia para a mata. Não tinha oportunidade de vida, vivia isolado. Quando tinha uns 10 anos até comecei a estudar em uma escolinha do seringal, precisei sair, mas o incentivo ficou. Nos anos 70, o seringal onde eu morava foi vendido. Sem ter o que fazer fui morar no município de Brasileia, só então tive a oportunidade de estudar. Eu sempre tive esse sonho, mas nunca foi fácil para mim. Quando cheguei na cidade, as dificuldades só aumentaram. Trabalhei como gari para poder me sustentar, na mesma época comecei a estudar e não parei mais”, relatou.

Após se formar no ensino médio, Silva passou em um concurso público e tornou-se professor de magistério. Em 2000, o ex-seringueiro foi informado de um convênio do estado com a Ufac, para que os professores estaduais tivessem acesso ao nível superior. Silva conseguiu uma das vagas para cursar pedagogia. Ele lembra que naquele momento teve certeza de que seu sonho de possuir um diploma universitário se tornaria real.

“Aquele um ano que estudei naquela escolinha no seringal foi o que despertou em mim o desejo pelos estudos. A universidade foi como um sonho, um momento que eu já não esperava mais que acontecesse por causa da minha idade avançada. Meu sonho era estudar, eu sempre dizia para minha mãe “não vou ficar velho cortando seringa” e que teria uma profissão. Eu só queria ser alguém na vida. Tive dificuldades durante o curso, por causa da idade. Trabalhava em dois períodos e foi com a ajuda dos meus colegas na faculdade que consegui me formar. A educação foi o caminho que encontrei na minha vida”, destacou.

Apesar da idade e de já estar aposentado, Silva diz que vai tentar uma pós-graduação na Ufac. “Até comecei uma pós-graduação em Gestão Pública eu precisava apenas entregar minha tese, mas chegou a minha aposentadoria. Me disseram que eu poderia fazer para adquirir a experiência, mas na época parei. Agora o objetivo é iniciar outra pós”, finalizou.

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