Nova rotina e pressões levam vestibulandos a procurar terapia

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Publicado em Folha de S.Paulo

A entrada na universidade marca a mudança para uma nova rotina, novas responsabilidades e às vezes uma nova casa, longe da família.
Tanta novidade pode trazer também ansiedade, depressão e outros problemas. Quando a situação se complica para além do que é possível resolver sozinho, serviços de apoio psicológico das faculdades entram em cena.

Foi a um deles que Larissa Prado recorreu quando saiu da casa dos pais, em Santos (SP). Aos 18, foi morar sozinha para cursar psicologia na Universidade de São Paulo. A distância da capital paulista até a família era curta (55,5 km), mas o processo de transposição das raízes foi difícil.

“É uma sensação de não pertencer a lugar nenhum. Não me sentia pertencendo à casa da minha mãe nem à minha casa em São Paulo. Você fica meio perdido”, diz.

Larissa, 23, buscou atendimento no próprio Instituto de Psicologia onde estuda. Ela pagou pelo serviço, o que nem sempre é necessário. As consultas, se cobradas, custam no máximo 10% do salário mínimo, ou seja, R$ 78,80.

Lucas Alves, 23, também procurou o serviço da USP, no segundo semestre. “Há o aspecto doloroso de reconhecer verdades e ansiedades.”

Em São Paulo, universidades como Unicamp, Ufscar, Unesp, PUC e FGV oferecem atendimento aos alunos sem custo extra.


FILA

Pode haver espera, como na Unesp, que atendeu 1.661 alunos no ano passado -a universidade tem 47 mil matriculados. O Grapal, dedicado aos 4.103 alunos da Faculdade de Medicina da USP, faz em torno de 1.200 consultas por ano. Na Unicamp, com cerca de 35 mil alunos, foram atendidos 1.199 em 2014.

Os coordenadores dos atendimentos ressaltam o segredo em relação aos atendimentos psicológicos. “Algumas pessoas têm medo de ir por achar que vai entrar no histórico escolar, mas isso não acontece, o sigilo é total”, diz a psiquiatra Tânia Freire de Melo, responsável pelo Sappe (Serviço de Assistência Psicológica e Psiquiátrica ao Aluno), da Unicamp.

A busca pelo auxílio, segundo o psicanalista Tiago Corbisier Matheus, que dirige o programa da FGV, diminui no decorrer do curso.

O psiquiatra do serviço da Medicina da USP Emmanuel Nunes de Souza concorda: “No quinto e sexto ano, o aluno encontra situações mais fortes, mas já está mais ambientado, sabe lidar melhor”.

VESTIBULAR

O atendimento às vezes começa já no ensino médio, quando os alunos lidam com o nervosismo pelo vestibular, as expectativas dos pais e a pressão de tirar notas altas.

Esses casos são a especialidade de Paulo Motta, professor de psicologia da Unesp. “Tem muito estresse e cobrança da escola. O próprio desempenho no vestibular fica comprometido”, diz.

Paulo Ricardo Hernandes, 16, que cursa o terceiro ano do Objetivo, em São Paulo, conhece o problema. “Escolher a carreira é um processo de autoconhecimento. As escolas não estimulam muito essa reflexão”, diz o aluno.

Para a coordenadora pedagógica Vera Lúcia da Costa Antunes, do Objetivo, “o maior fator de insegurança é não saber a matéria”.

Já Mariana Yumi da Cruz, 17, do colégio Bandeirantes, afirma que a ansiedade piora porque “os professores fazem bastante pressão” em relação ao vestibular.

Em escolas como o Móbile, o Agostiniano Mendel e o Santa Cruz, psicólogos e pedagogos coordenam espaços para discutir angústias em relação ao futuro profissional.
Quando o caso é mais grave, porém, a recomendação é procurar um profissional para atendimento individual.

“A orientação educacional acolhe, mas não é próprio da função da escola oferecer um tratamento ou acompanhamento psicológico individualizado”, diz Marina Muniz Nunes, psicóloga e diretora do ensino médio do Santa Cruz.

ONDE PROCURAR AJUDA
Unicamp – Sappe (Serviço Assist. Psicológica e Psiquiátrica ao Aluno)
Gratuito; tel. (19) 3521-6643

Medicina-USP – Grapal (Grupo de Assist. Psicológica ao Aluno)
Gratuito; tel. (11) 3061-7235

UFSCAR – Departamento de Atenção à Saúde
Gratuito; tel. (16) 3351-8200

Unesp – CPA (Centro de Psicologia Aplicada)
Gratuito; tel. (14) 3203-0562

FGV – Pró Saúde: [email protected]

PUC – PAC Setor de Atendimento Comunitário: (11) 3670-8035; [email protected]

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