Mineira desbanca livros de colorir e assume topo de lista de mais vendidos

Elemara Duarte, no Hoje em Dia

Isabela– “Quem se ama, se basta. Sou uma conselheira, uma amiga através dos livros”
Isabela– “Quem se ama, se basta. Sou uma conselheira, uma amiga através dos livros”

A escritora que mais vende livro no país é mineira. A novidade na lista, pelo balanço referente à última semana do mês de agosto, vem de Juiz de Fora, com a autora Isabela Freitas. Isso na categoria “Geral” da tradicional lista do mercado editorial Nielsen PublishNews.

Com o livro “Não Se Iluda, Não” (Editora Intrínseca), Isabela desbancou o best-seller colorível “Jardim Secreto” (de Johanna Basford, Editora Sextante), lançado no Brasil no ano passado e que tem se firmado no alto da lista pelo menos desde o início de 2015.

Como se não bastasse, Paulo Coelho, o escritor que mais sabe destas delícias de ser um autor muito lido, soube da história e mencionou o feito da garota de 24 anos no seu Twitter. “Palmas para a brasileira que conseguiu desbancar estrangeiros nas listas dos mais vendidos!”, disse o autor.

De papo com o ídolo

“Gente, não acredito!”, disse Isabela, ao saber da repercussão pela fala do “Mago” sobre a marcante venda de 26.820 exemplares do livro que escreveu na Zona da Mata mineira.

“Eu cresci junto dos livros. Desde pequena sempre li demais. A maior alegria da vida era ter um livro novo. Lia Umberto Eco, André Vianco e li Paulo Coelho também. Eu ainda era criança. Via aquele escritor no final da página e falava: pessoa inatingível. Agora, os meus sonhos se realizaram e de uma forma natural”, diz ao Hoje em Dia.

Sem sofrer

Isabela, em seu segundo livro, dá sequência às histórias dos personagens do livro “Não Se Apega, Não” (2014). São histórias de namoro adolescente, mas com um diferencial. Isabela ensina que a cabeça até que pode ficar nas nuvens em um romance – mas desde que os pés permaneçam firmes no chão. Sim, a paixão pode ser racional.

E de onde vem esta clareza para viver? “Desde pequena sempre fui muito bem resolvida. Quando adolescente, terminava um namoro e deixava”. E quando começou a escrever na internet, lembra, focava sempre nos assuntos da autoestima. “Com os livros, procurei manter isso”, afirma. “Sofremos muitas vezes com relacionamentos que não tinham nada a ver com a gente”, ensina.

Mãe é mãe

A escritora que mais vende livro hoje no Brasil mora em Juiz de Fora com os pais. Lá onde nasceu e cresceu, de vez em quando, algumas fãs a esperam na porta da academia para tietar. Mas nada que precise de uma equipe de seguranças. “Mas eu penso em sair, sim. Eu tenho um blog e trabalho com publicidade. Se eu morasse em São Paulo seria melhor”, diz.

Por enquanto, ela fica em Juiz de Fora e a culpa é da mãe dela. Mãe mineira, sabe como é… “Ela fala: ‘Ai, não vai não’. Ela faz tudo para mim. E não é porquê eu peça, ela que faz questão. E fica com o coração partido quando falo isso”. Isabela tem uma irmã mais nova.

Paula Pimenta
NA LIDERANÇA – Outra mineira, Paula Pimenta emplacou nove livros na
lista Nielsen PublishNews em agosto. Leo Drumond/Divulgação

Paula Pimenta lança ‘Fazendo Meu Filme em Quadrinhos 2’

A iniciante?e já consagrada carreira de Isabela Freitas no mundo dos best-sellers parece que segue os passos de outra mineira, a belo-horizontina Paula Pimenta que, aos 40 anos, possui 15 títulos e já vendeu quase 1 milhão de livros.

Ambas estarão na 17ª Bienal Internacional do Livro Rio. Isabela Freitas, nesta sexta-feira, dia 11, e Paula Pimenta, volta no dia 12 – ela esteve por lá no dia 5. Mais uma fila de fãs enlouquecidos certamente vai aguardá-las. Na última semana, as 450 senhas para autógrafos com Paula se esgotaram. No evento, ela lança seu 15º livro: “Fazendo Meu Filme em Quadrinhos 2”.

Entre os 20 mais lidos

Na lista Nielsen PublishNews, Paula é considerada a autora “número um” quando se trata da quantidade de livros. Ela emplacou nove livros em agosto, e na soma geral dos 20 mais lidos.

“Em 2014, neste mesmo ranking, fui a autora que mais vendeu livro no Brasil”, lembra. Além disso, acrescenta, em julho, 11 livros dela ficaram entre os 20 mais lidos do Brasil.

Mas Paula, como é a relação entre vocês duas – as autoras mais lidas? “Ela é uma fofa. A gente conversa no Facebook, no ano passado nos conhecemos na Bienal de Minas. Eu acho bonito isso. Normalmente é Rio e São Paulo que tem aquele destaque todo”. Isabela retribui: “Sempre leio os livros da Paula. Adoro”. Resumindo: coisa de comadre.

Projetos

Neste ano, Paula lançou quatro livros, e diz que ainda tem vários outros agendados. “Desde 2011, larguei tudo. Sou formada em Publicidade, dava aula de violão”. Hoje, Paula tem carreira internacional, com livros lançados em vários países da América Latina e na Espanha. Na última feira do livro, em Lisboa, foram três horas dando autógrafos. “Parecia que nem os autores de lá tiveram tanto leitor”, se diverte.

Diferentemente de Isabela, mesmo com a fama, Paula não quer largar as montanhas e os almoços em família, no Mangabeiras. “Não penso em ir para São Paulo ou Rio. Eu escrevo em qualquer lugar. Minha família, amigos, todo mundo é daqui”, justifica.

Então “não se apega, não’ não é muito frase para você? “Eu sou ao contrário. Gosto bem de cultivar e passar por aquilo. Se chorei ou se sofri o importante é que emoções eu vivi”, diz, citando a música de Roberto Carlos.

No mundo virtual, ídolo vira amigo de fã em um clique

Além da proximidade de ideias, a ligação com leitor certamente deve ajudar a cativá-los. E com o mundo virtual, ídolo não é mais aquele ser inatingível. Isabela Freitas parece que sabe cultivar isso.

Assim como outras autoras de sua geração ela enfrenta longas horas em livrarias, para escrever centenas de autógrafos. “Até agora são 450 mil livros vendidos. Em São Paulo, foram quase mil pessoas no lançamento. Fiquei lá durante dez horas autografando”, lembra Isabela, que tem formação em Direito.

“A Isa mudou completamente a minha vida. Ela me ajudou demais, eu estava passando por uma fase muito complicada, não só sentimental mas também física. Isabela fala o que precisamos ouvir e não o que queremos”, diz a estudante Natália Ramos, 15 anos, de São Paulo.

Natália diz que troca ideia constantemente com a escritora pelo WhatsApp, como velhas conhecidas. “Ela me ajudou a começar a amar a mim mesma e me mostrou que tudo em nossa volta tem um real valor”, acrescenta.

A técnica de enfermagem Bruna Souza Teixeira, 18 anos, acompanha Isabela desde 2011, pelo blog e pelo Twitter. “Sempre via a vontade dela de lançar um livro. Seus textos sempre me encantaram por terem palavras amigas, que de uma forma ou outra me ajudavam muito. Os livros dela, não falam somente de desapegar e desiludir de relacionamentos, e sim de coisas ruins, que não te levam pra frente na vida”, reflete. “Desapegar é essencial e todo mundo pode; basta querer”, afirma a fã e amiga de “Isa”

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