Mãe é contratada por escola nos EUA após criticar professor e virar líder

Michele Brooks foi de mãe de aluno a assistente da secretaria de educação.
Ela veio ao Brasil para dar palestra sobre a participação dos pais na escola.

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Ana Carolina Moreno, no G1

Uma reclamação mal atendida na escola dos três filhos acabou mudando a vida e a carreira da americana Michele Brooks. Em um período de dois anos, ela, que era apenas mais uma mãe de aluno com uma crítica a fazer sobre um professor, virou uma liderança comunitária na escola e então se tornou funcionária contratada pelo conselho escolar. Menos de dez anos depois, ela foi convidada a ocupar o cargo de superintendente assistente do escritório de engajamento da família e alunos de Boston, nos Estados Unidos.

Brooks está em São Paulo para participar, nesta terça-feira (15), do debate “Aproximação família-escola nas políticas educacionais”, promovido pela Fundação Itaú Social.

O problema que mudou a vida de Brooks aconteceu em 1989, quando seus filhos eram adolescentes de 17, 15 e 13 anos. “Eu estava muito brava com algo que aconteceu com minha filha e a professora, e fui desrespeitada na secretaria do colégio”, disse ela ao G1. “Então, o diretor sentou comigo e disse: ‘eu trabalho para você me dizer como eu posso corrigir isso’. Ele foi a primeira pessoa [na escola] que realmente queria ouvir sobre o que eu queria para os meus filhos”, lembrou.

A iniciativa do diretor a levou ao seu primeiro cargo voluntário dentro da escola: tutora de leitura para estudantes com dificuldade de aprendizagem. “Eu tive sorte. Eu tinha um emprego, mas meu chefe me deixou trabalhar voluntariamente na escola um dia por semana”, explicou ela, que na época tinha um emprego confortável, atuando como testadora de softwares.

Meses depois, ela se tornou coordenadora dos pais voluntários de sua escola e, em seguida, acabou ocupando o cargo de diretora do Centro da Família no colégio de ensino médio em que seus filhos estavam matriculados. Ela aceitou o trabalho e chegou a atuar durante seis meses sem receber salário. Mas enfim, foi contratada, e acabou tendo que desistir da profissão na área tecnológica. “Era um trabalho muito bom, e eu o deixei para trás. Não me arrependo nem por um minuto. Esse trabalho tem sido difícil, mas é o mais recompensador que tive.”

Parceria entre pais e professores
Após trocar de carreira, Brooks acabou acumulando mais de duas décadas de experiência na área de mobilização dos pais de alunos e diálogo entre as famílias e os professores. No Brasil para compartilhar sua história, ela diz que uma boa relação entre as duas partes tem efeito direto no rendimento das crianças e adolescentes na escola.

“A maioria dos professores não é treinada para se engajar com a família. Uma coisa que descobrir mais de uma vez é que o laço estreito entre as famílias e a escola afetam a reprovação dos alunos e a taxa de evasão”, explicou ela.

“Por exemplo, faz diferença um professor entender que um aluno tem um parente que está com uma doença crônica, que o impede de ir à escola todo dia, porque tem que cuidar dos irmãos mais novos. Se o aluno está tendo um dia ruim, o professor não presume que ele está só atrapalhando a aula.”

Espaço da família na escola
Para Brooks, a experiência de manter um espaço físico dentro da escola para uso dos pais foi uma experiência positiva no colégio em que seus filhos estudaram. Ela diz que o local ficava perto da entrada da escola, e era visto pelos pais de alunos como um espaço onde eles pudessem pegar informações sobre a educação dos filhos e entrar em contato com outros pais e com os professores em um ambiente que fosse acolhedor.

“Deve haver um diálogo construtivo para que seja uma experiência de aprendizado para professores e pais”, explicou ela.

A importância dos pais serem ativos na escola –de acordo com a disponibilidade e interesse de cada um–, segundo a americana, tem a ver com o fato de eles serem os maiores especialistas em seus próprios filhos. “Para os pais eu dou uma dica: conheça seu poder para ser um parceiro na educação do seu filho. Você conhece seu filho mais do que ninguém, esse é o conhecimento que você traz á mesa.”

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