Provas do primeiro dia foram mais exigentes que anteriores

Questões do exame cobraram muito conteúdo dos estudantes, avaliam professores

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Publicado em O Globo

Igualdade de gênero, crise hídrica, questão ambiental e até mesmo a “obsessão das selfies” são temas atuais e presentes na realidade dos brasileiros, que como o esperado marcaram presença na edição deste ano do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Mas, as questões a que foram submetidos os candidatos que fizeram as provas de Ciências Humanas e Ciências da Natureza no primeiro dia do exame, ontem, para a surpresa de professores e alunos não ficou restrita aos assuntos cotidianos, ao contrário, abordaram temas específicos. Na opinião de professores do curso online QG do Enem e da rede de ensino Eleva Educação que corrigiram as provas deste sábado a pedido do GLOBO, o Enem deste ano pode ter sido um dos mais exigentes dos últimos anos.

— Caíram conteúdos que nunca haviam aparecido em edições anteriores, com questões mais difíceis e mais elaboradas que nos anos anteriores. Ao menos em Ciências da Natureza, essa foi a prova mais difícil dos últimos anos. Houve uma questão sobre interferência de ondas que nunca foi cobrada no Enem e não costuma aparecer em outros vestibulares do Rio— afirmou o professor de física, Fábio Oliveira— É um conteúdo super específico, que geralmente não é nem ensinado profundamente nos colégios. Essa questão deve ter feito muitos alunos não saberem o que fazer. É um conteúdo que mesmo o bom aluno não deve ter estudado.

Bastante comentada pelos estudantes, a prova de Química também apresentou surpresas na edição deste ano. De acordo com o professor de Química, Leonardo Fillipe, apesar da prova manter a contextualização com a realidade vivenciada pelos candidatos, ela se tornou mais complexa:

— Apareceram questões sobre reações orgânicas, algo que raramente é cobrado. Houve muitas questões sobre isso. Além disso, a química verde, que é algo que nunca havia sido cobrado, apareceu O Aluno deveria ter uma noção de como cada vez gerar menos poluentes nas reações. Não sei se é audacioso dizer, mas talvez essa tenha sido a prova mais conteudista dos últimos tempos, mudou bastante a cara. Não perderam a contextualização, mas estão focando em diversos nichos.

Em biologia, o professor Pedro Sultano também apontou temáticas novas como perguntas sobre o sistema excretor e funções básicas de organelas celulares.

— Com o passar dos anos, a prova vem melhorando em termos de conteúdo e aprofundamento da matéria. A prova vem assumindo uma nova cara— avaliou.

A parte de Ciências Humanas foi bastante elogiada pelos professores, que classificaram o Enem como uma prova “extremamente bem feita”. Segundo o professor de História, Marcelo Tavares, a prova trabalhou assuntos importantes, que estão na “crista da onda”, de maneira complexa.

— Em alguns pontos foi mais difícil que no ano passado, mas uma prova de muita qualidade. A questão com texto de Simone de Beauvoir leva em consideração manifestações da década de 60 em favor da igualdade de gênero, que levanta um ponto super atual: a luta em favor não só da liberdade sexual, mas principalmente da igualdade de gênero— analisou.

Outro ponto inusitado, foi o fato da Geografia física ter sido mais explorada que a Geografia política. O professor Thiago Fernandes chamou atenção também para o fato de questões de perguntas sobre geopolítica internacional não terem aparecido.

— Houve uma cobrança muito forte de geografia física, algumas questões com nível de cobrança de terminologia bem alto. Especialmente de temas como erosão e conservação do solo— comentou.

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