Idoso estuda ciências jurídicas com livros doados e grava DVD de aulas

Aposentado de 72 anos foi pela primeira vez em uma faculdade de Direito.
‘Eu nunca imaginava que estaria aqui’, diz Severino Costa em Caruaru, PE.

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Publicado em G1
É sentado na calçada da rua onde mora em Caruaru, Agreste pernambucano, que o aposentado Severino Costa faz o que mais gosta. Com os livros de direito que ganhou de amigos, ele se dedica a aprender cada vez mais sobre uma paixão de infância. “Desde que eu era criança e tinha dez anos de idade, toda vez que tinha julgamento na cidade que eu nasci, em Vertentes, eu ia assistir”.

O irmão mais velho de Severino se formou em direito, mas como ele teve que trabalhar desde cedo e não estudou por muito tempo, recorreu exclusivamente aos livros para ficar por dentro das leis. “Eu sei de cor e decorado”, diz. Nem todo mundo acreditava no que ele dizia, então veio a ideia de gravar um DVD com lições jurídicas. A história dele foi exibida no ABTV 1ª Edição desta quinta-feira (29), Dia Nacional do Livro.

Agora, aos 74 anos, Severino está terminando de escrever um livro sobre direito e espera publicá-lo. A família se orgulha do idoso. “Para a gente é um orgulho meu pai gostar, se apaixonar pelo direito. Ele foi autodidata, não teve professor para ensinar. As pessoas viam que ele gostava do Direito, tinha colega que trazia livros e doava para ele. E a gente via que ele se destacava. É um orgulho nosso”, conta o policial militar Wilson Costa, um dos filhos do aposentado.

Um dos sonhos que Severino sempre guardou com ele foi de cursar uma faculdade de direito. Pelas dificuldades que teve durante a vida, ele nunca conseguiu fazer isso. A equipe de reportagem do ABTV 1ª Edição levou ele para conhecer o ambiente e encontrar outras pessoas que assim como ele são apaixonadas pelas leis.

O idoso foi recebido pelo coordenador do curso de direito e, logo de cara, fez questão de apresentar o que sabe. O coordenador do curso o levou para conhecer a faculdade. Em uma das salas, ele conversou com estudantes e professores que estavam no intervalo.

Mas o momento mais esperado da visita estava por vir: sala lotada de alunos do sexto período. O tema da aula era direito Penal, assunto preferido de Severino. Aos poucos ele foi se familiarizando com a turma. O conhecimento da lei e as histórias de vida contadas por ele despertaram a curiosidade dos alunos. O jeito espontâneo do aposentado diverte os estudantes.

Os alunos interajem. Quando fala na paixão pelo direito, que no caso dele independe de um diploma para existir, as palavras dão espaço à emoção. “Não tem igual ao direito, entendeu?”, declara.

As lições inspiraram os universitários. “Para a gente já é difícil estar aqui, imagina para o senhor, conseguir sozinho. De ser realmente reconhecido e aplaudido. Não só por a gente, mas por toda a sociedade, porque não é fácil chegar onde o senhor chegou, meus parabéns”, afirma uma das estudantes.

Outra universitária fala do exemplo do idoso. “Um exemplo de persistência, de coragem, de pessoa mesmo, de cidadão. Nós precisamos de pessoas assim para ter um país melhor, para ter um futuro melhor. Nós precisamos de seus Severinos na Terra”, destaca Sabrina Beatriz da Silva Torres.

Severino pontua o estímulo aos alunos. “Eu tinha certeza exorbitante que eu vindo aqui à faculdade ia estimular cada vez mais vocês, jovens”. Sobre a experência, diz nunca ter vivenciado algo parecido. “Foi um negócio fantástico para mim. Foi fora de série. Eu nunca imaginava que estaria aqui diante da faculdade de direito”.

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