Estudantes ocupam e trancam escola em ato contra fechamentos em SP

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Publicado em Folha de S.Paulo

Ao menos cem alunos da escola estadual Fernão Dias Paes, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, entraram e se trancaram no local na manhã desta terça-feira (10). A ação ocorreu em protesto contra o fechamento de unidades para a reorganização da rede pública anunciada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB).

O grupo chegou, com faixas e cartazes, por volta das 6h, antes do início do funcionamento do colégio. Após entrarem pelo portão principal, eles colocaram correntes e se trancaram com cadeados.

“Queremos ser ouvidos e esse foi o jeito que conseguimos. Ninguém ouve a gente por sermos adolescentes”, disse a estudante Lizantra Lima, 15, do primeiro ano do ensino médio.

Oito carros da Polícia Militar cercavam as entradas do colégio às 12h30. Os policiais não permitem a entrada ou aproximação de pessoas dos portões.

Por volta das 16h, houve uma pequena confusão. A Polícia Militar tentou levar duas alunas do colégio para que elas fizessem um boletim de ocorrência. Alunos e representantes do sindicato dos professores então pediram que elas fossem liberadas.

Houve confusão e a polícia chegou a usar cassetetes contra os manifestantes e jornalistas.

Segundo os estudantes, o protesto foi organizado após encontro com um coordenador regional de ensino. Eles disseram à reportagem que as turmas do ensino fundamental vespertino e do ensino médio noturno serão transferidos para outro colégio. Eles também reclamam que a escola Fernão Dias Paes tem estrutura precária, como chão esburacado e banheiros sem vasos sanitários.

Os manifestantes também disseram ter sido autorizados por seus pais e responsáveis a fazer a manifestação desta terça. Eles levaram comidas para permanecer no local e também receberam doações de pães, frios, água e sucos de apoiadores do protesto.

Às 17h30, os estudantes faziam uma assembleia no pátio do colégio para definir quais as próximas ações –eles cogitam passar a noite dentro da unidade de ensino. Pela manhã, eles disseram que ficariam no local até conseguirem negociar com membros do governo.

A Defensoria Pública está no local para tentar manter o diálogo entre os alunos e impedir que eles sejam levados para delegacia. Inicialmente, a polícia havia liberado a entrada e saída dos alunos da escola, mas, por volta das 11h50, a PM disse que não seja mais possível entrar ou sair.

A Polícia Militar quer levar parte dos estudantes para delegacia sob alegação de dano ao patrimônio público. “Como é um movimento legítimo e as condutas para serem lavradas em boletim de ocorrência devem ser individuais, a PM quer levar parte dos alunos. Não tem como individualizar as condutas dos adolescentes em eventual dano ao patrimônio público”, disse a defensora Mariana Delchiaro.

Estudantes que ficaram do lado de fora da escola usam instrumentos musicais enquanto cantam músicas contra a gestão Alckmin. “Se a escola fechar, a escola vai parar. Se os alunos se unirem, o Geraldo vai cair, vai cair, vai cair” entoam os alunos.

Parte deles se sentaram na rua em frente ao colégio para impedir a chegada dos ônibus que devem levar parte deles para a delegacia. Os alunos que tentaram bloquear o caminho foram retirados à força por policias militares. Com a chegada dos coletivos, os estudantes que estavam próximos ao portão de entrada entraram no colégio.

OUTRO LADO

A secretaria estadual afirmou que a escola estadual Fernão Dias vai atender apenas alunos do ensino médio a partir de 2016. Hoje, há cerca de 213 alunos do ensino fundamental que serão migrados para a escola Goldofredo Furtado, a cerca de 1,5 km da escola atual. A pasta não confirma a mudança de alunos do ensino fundamental do período da tarde.

A dirigente regional do centro-oeste, Rosangela Aparecida de Almeida Valim, afirmou que uma parte dos alunos com camisetas da escola invadiram o local e retiraram a diretora e sua equipe por volta das 7h. Ela disse ainda que há alunos de outros colégios, inclusive de ensino particulares, e outras pessoas que nem sequer são estudantes participando do protesto.

Sobre a reclamação dos alunos de que não foram ouvidos pela dirigente, ela afirmou que houve um encontro na última quinta (5) no qual foi explicado como seria o processo de reorganização dos ciclos e para onde os alunos seriam transferidos.

Valim confirmou que a diretora da escola registrou um boletim de ocorrência contra danificação do patrimônio público. “Somos a favor de todas as manifestações e as consideramos legítimas. Só que vivemos em um estado democrático de direito e que precisa ser respeitado. Esse grupo que ocupa o local não quer diálogo conosco e estão prejudicando os alunos”, disse a dirigente.

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