Obra de Maura Lopes Cançado é reeditada

Natural de São Gonçalo do Abaeté, Maura escreveu duas obras
Natural de São Gonçalo do Abaeté, Maura escreveu duas obras

 

Admirada por autores como Ferreira Gullar, mineira volta às livrarias

Publicado em O Tempo

SÃO PAULO. Quando tinha 7 anos – época em que os ataques epilépticos começaram –, Maura Lopes Cançado tinha o hábito de inventar personagens para si. Contava aos amigos que seus pais eram russos, que sua irmã se chamava Natacha, que um tio nascera na China. Este talvez seja o primeiro registro da habilidade narrativa da mineira nascida em São Gonçalo do Abaeté, em 1929 – e também um indício de sua esquizofrenia.

Anos mais tarde, já na década de 60, Maura se tornaria uma escritora tão brilhante quanto breve. Admirada por literatos como Ferreira Gullar e Carlos Heitor Cony, teve apenas dois livros publicados: o diário “Hospício É Deus”, escrito em 1959 e publicado em 1965, e a coletânea de contos “O Sofredor do Ver”, de 1968.

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Ambas as obras são carregadas nas tintas da loucura com que Maura pintava a vida, o que a levou a ser internada diversas vezes em hospícios de Minas e do Rio e rasurou seu nome na história da literatura – sobretudo depois que a escritora matou uma interna grávida estrangulada com um lençol, e foi condenada em um manicômio judiciário.

“Todos lembram os aspectos negativos, que ela era louca”, afirma Maria Amélia Mello, editora da Autêntica, que relançou caixa com as obras de Maura recentemente, depois de anos sem constar em catálogos. “O que a gente quer é que olhem para o texto dela, que é visceral, tem alta voltagem, e que uma geração inteira não conhece”.

Serviço

Obras: “Hospício É Deus” e “O Sofredor do Ver”

Autora: Maura Lopes Cançado

Editora: Autêntica

Quanto: R$ 74 (232 págs. e 136 págs., respectivamente)

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