Mais uma da Finlândia

Referência literária em dezenas de países, série Moomins começa a ser traduzida para o português

publicado na EDUCAÇÃO

O sistema educacional finlandês é considerado exemplar em várias partes do mundo e se tornou fonte de inspiração para vários gestores e professores, inclusive no Brasil. Agora, os educadores terão um motivo a mais para se referir ao país nórdico: a publicação da famosa série de livros infantis sobre os Moomins, uma cativante família de trolls que vive em um vale cercado por altas montanhas. Traduzidas para quase 50 idiomas, do tcheco ao chinês, passando pelo grego e o japonês, e com mais de 15 milhões de cópias vendidas, as obras começaram a ser transpostas para o português (do inglês) pela Autêntica Editora.

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Os volumes lançados são Os Moomins e o chapéu do mago e Um cometa na terra dos Moomins, os mais famosos da coleção e os responsáveis por tornar Tove Jansson uma das escritoras mais queridas da Escandinávia. O primeiro se desenrola em torno de um misterioso chapéu encontrado por Moomin, o personagem central da série, e seus amigos Snufkin e Sniff. Encantados com a descoberta, eles levam o chapéu para casa, uma espaçosa residência circular habitada pela família e alguns amigos. Com o tempo descobrem tratar-se de um objeto mágico, capaz de provocar várias esquisitices, tanto nas pessoas como nos objetos.

Já o segundo livro tem como tema a aproximação de um cometa em direção ao Vale dos Moomins e a provável destruição que ele causará. Esta é a segunda obra da série e, assim como a primeira, que narra como os Moomins escaparam de um dilúvio, reflete o quadro ansioso de Tove com os desdobramentos da Segunda Guerra Mundial. A escapada dos Moomins, que vão se refugiar em uma caverna contra o choque do cometa, seria uma analogia à fuga dos europeus para escapar das bombas.

Aliás, foi por esse motivo que a artista enveredou pela literatura infantil. Antes da famosa série, Tove foi cartunista de um jornal satírico em que publicava cartuns, muitos deles sobre a guerra. Mas em 1939, como declarou anos mais tarde, seu fôlego esvaiu-se. Sem ver sentido no que estava produzindo, sentiu necessidade de escrever alguma coisa que começasse com o clássico “era uma vez” e fosse totalmente ficcional.

Além de boas histórias e das descrições que transportam o leitor direto para o Vale dos Moomins, o trunfo dos livros são os personagens e a relação que mantêm entre si. Muito diferentes uns dos outros, formam um conjunto inusitado, porém harmonioso. Como declarou Tove, eles oferecem total liberdade uns aos outros: “liberdade para estar sozinho, liberdade para pensar e sentir cada um à sua maneira e para manter seus segredos até que estejam prontos para compartilhá-los. Ninguém nunca provoca no outro qualquer sentimento de culpa”. Esse aspecto, por si só, já mereceria a indicação de leitura.

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